Aliança entre Cidadania e PSDB pode afastar ou atrair aliados para Casagrande
Eleições 2022
Aliança entre Cidadania e PSDB pode afastar ou atrair aliados para Casagrande
E mais: Sergio Moro vai se encontrar com empresários da Serra; Erick Musso e o tranco do ano eleitoral; governador não vai à abertura do ano legislativo
Publicado em 03 de Fevereiro de 2022 às 02:10
Públicado em
03 fev 2022 às 02:10
Colunista
Letícia Gonçalves
lgoncalves@redegazeta.com.br
Governador Renato CasagrandeCrédito: Rodrigo Araújo/Secom ES
O Cidadania caminha para formar uma federação, uma espécie de coligação turbinada, com o PSDB. O arranjo nacional teria impactos em todos os estados, logo, também no Espírito Santo. Por enquanto, a cúpula do partido está rachada. Na terça-feira (1º), dez membros da Executiva nacional votaram a favor da aliança com os tucanos. Outros dez foram contrários.
O diretório nacional do Cidadania, no próximo dia 15, é que vai bater o martelo. O deputado estadual Fabrício Gandini, que preside o Cidadania no estado, é favorável à federação e avalia que, se concretizada, deve mexer no tabuleiro político local.
O Cidadania é aliado de primeira hora do governador Renato Casagrande (PSB). Ele deve tentar a reeleição, logo, seria natural que o Cidadania o apoiasse, mas aí entra também o PSDB.
O presidente estadual dos tucanos, Vandinho Leite, já esteve mais distante do Palácio Anchieta. Em 2020, junto com deputados estaduais de oposição, protagonizou uma "visita surpresa" ao hospital Dorio Silva, na Serra. Para a Secretaria Estadual de Saúde, houve uma invasão.
Depois, Vandinho foi amainando as críticas ao governo do estado e hoje, praticamente, é só elogios. Assim, se amarrado ao Cidadania, o PSDB poderia, sem conflitos, formar aliança com Casagrande.
Mas há outras questões que devem ser decisivas.
O Cidadania tem um pré-candidato à Presidência da República, o senador Alessandro Vieira. O PSDB também tem, o governador de São Paulo, João Doria.
Doria aparece com 2% das intenções de voto na mais recente pesquisa Ipespe. Vieira tem 1%.
"Temos candidato, Alessandro Vieira. Em nenhum momento se discutiu retirar a candidatura neste momento. Lá na frente teremos uma convenção e isso vai ser decidido", afirmou Gandini.
A definição do candidato da pretensa federação e a obrigatória verticalização do acordo (isso quer dizer que, ao contrário das coligações, a parceria tem que ser reproduzida nos estados), no entanto, podem, em vez de atrair o PSDB para os braços do governador, afastar o Cidadania do palanque da reeleição.
"A gente tem relação próxima do governo estadual. Vandinho esteve mais distante, mas hoje tem base para esse momento que a gente está vivendo. Creio que isso (o PSDB apoiar Casagrande) não seria problema, mas vai depender das alianças nacionais para a gente ver como vai ser o palanque aqui", contemporizou Gandini.
"Tendo candidatura do PSDB ou do Cidadania à Presidência da República é importante ter um palanque aqui no Espírito Santo", lembrou. Ele quer dizer que seria importante haver um candidato de um dos partidos ao governo do Espírito Santo, o que os afastaria de Casagrande.
Ele tem percorrido os municípios em busca de viabilizar a candidatura. Por enquanto, ocupa um cargo comissionado na Assembleia Legislativa, a convite de outro pré-candidato ao governo, o presidente da Casa, Erick Musso.
Colnago comemorou e já deu como certa a federação entre PSDB e Cidadania.
"Parabéns @brunoaraujo456 e @freire_roberto presidentes do PSDB e Cidadania pela criação da federação entre nossos partidos. Uma decisão de esperança para o Brasil e para o povo brasileiro", registrou, no Twitter.
Gandini prefere ser cauteloso. O Cidadania já rechaçou, de acordo com ele, formar federação com o Podemos de Sergio Moro e com o PDT de Ciro Gomes.
MDB
O presidente nacional do PSDB, Bruno Araújo, afirmou, nesta quarta (2), que iniciou conversas com o MDB para a formação de uma federação. Vai consultar os diretórios estaduais para saber da viabilidade.
De acordo com o vice-presidente do PSDB no Espírito Santo, Oziel Andrade, a ideia seria juntar Cidadania, MDB e PSDB, mas localmente a parceria com o MDB, a princípio, não seria tão vantajosa, do ponto de vista da eleição de deputados.
ELEIÇÃO DE DEPUTADOS
A formação de uma federação tem reflexo direto na formação de chapas para disputar os cargos de deputado federal e deputado estadual. O Cidadania, sozinho, poderia não eleger deputados federais o suficiente para cumprir a cláusula de desempenho, o que faria a legenda definhar.
Juntar-se ao PSDB pode ser uma questão de sobrevivência. Para isso, no entanto, o partido perderia um pouco da identidade. A federação dura quatro anos. Durante esse período os partidos têm que agir como se fossem um só. É quase uma fusão.
"Haveria um fortalecimento muito grande. A gente teria chance de fazer de quatro a cinco deputados estaduais, o que fortalece os dois partidos", projetou Gandini. Ele é pré-candidato à reeleição. Vandinho também.
"O Cidadania agrega, encaixa (na chapa para eleger deputados estaduais), a gente já fez essa avaliação", adiantou o vice-presidente estadual do PSDB. "Com o MDB, na nossa avaliação, não agrega", complementou.
O MDB tem um deputado estadual, Doutor Hércules. E um pré-candidato ao governo do Espírito Santo, o prefeito de Linhares, Guerino Zanon. Para formar uma federação, PSDB e MDB teriam que aparar muitas arestas nos estados.
De acordo com o presidente da Associação dos Empresários da Serra, Giuliano Souza Rogério de Castro, esse vai ser, às 11h, no Hotel Serra Grande, o primeiro compromisso de Moro no estado.
“Estamos felizes de sermos os primeiros na agenda de Moro e acreditamos que temos muito a contribuir. Afinal, a Serra é o município mais populoso do Espírito Santo, tem o maior PIB e é líder em polo industrial e em geração de empregos. A Ases é apartidária, independente, e fará esse mesmo tipo de agenda com outros presidenciáveis", afirmou.
PARA AGUENTAR O TRANCO
Na abertura do ano legislativo, nesta quarta-feira (2), o presidente da Assembleia, Erick Musso (Republicanos), avisou que vai "baixar normativas" sobre como os deputados têm que se comportar na Casa em ano eleitoral:
"Já adianto que vamos baixar normativas para uso de tribuna, para que não seja usada de forma eleitoral, para termos controle mais seguro da máquina pública."
Regras para evitar o oba-oba de campanha em plenário são tradicionalmente editadas em ano eleitoral. É uma tentativa, ao menos.
'É a terceira eleição que eu vou passar no meio aí (como presidente da Assembleia). Aí que vê se aguenta o tranco mesmo, né Marcelo?", brincou Erick, dirigindo-se ao deputado Marcelo Santos (Podemos).
Esta vai ser a primeira eleição, no entanto, em que o presidente da Casa se coloca como pré-candidato ao governo do estado, o que tem potencial para atazanar a vida do governador Renato Casagrande.
AUSÊNCIA
O governador, aliás, não foi à sessão solene de abertura do ano legislativo. Fez-se representar pelo secretário da Casa Civil, Davi Diniz. A assessoria do socialista informou que não é costume o chefe do Executivo comparecer à abertura de trabalhos legislativos.
A chefe do Ministério Público Estadual (MPES), Luciana Andrade, e o presidente do Tribunal de Contas (TCES), Rodrigo Chamoun, foram lá.
Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiaria no Gazeta Online/ CBN Vitoria. Em 2008, passou a atuar como reporter da radio. Em 2012, migrou para a editoria de Politica de A Gazeta, tambem como reporter. Exerceu a funcao de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Leticia Goncalves.