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"Escolhi Esperar"

Apesar de Meneguelli, Erick Musso flerta com outro pré-candidato ao Senado

Presidente da Assembleia está no páreo para disputar o governo do ES. Pastor quer uma vaga no Congresso Nacional, assim como o ex-prefeito de Colatina, que é do partido ... de Erick

Publicado em 17 de Junho de 2022 às 02:10

Públicado em 

17 jun 2022 às 02:10
Letícia Gonçalves

Colunista

Letícia Gonçalves

lgoncalves@redegazeta.com.br

Erick Musso, presidente da Assembleia Legislativa e pré-candidato ao governo do ES
Erick Musso, presidente da Assembleia Legislativa e pré-candidato ao governo do ES Crédito: Ellen Campanharo/Ales
O presidente da Assembleia Legislativa, Erick Musso (Republicanos), flertou com o pré-candidato ao Senado do Avante, Nelson Júnior, em sessão solene realizada nesta quarta-feira (15) na Casa. Era uma homenagem à Associação de Pastores Evangélicos da Serra (Apes). 
Erick, pré-candidato ao governo do Espírito Santo, afirmou, ao discursar, que houve "cristocidências" ao encontrar Nelson Junior três vezes em dois dias. "As coisas são assim, como eu falei", deixou no ar.
O postulante ao Senado é pastor, criador da campanha "Eu escolhi esperar", que incentiva os jovens a manter o celibato, até o casamento. 
Nelson Junior também se identifica como "influencer", é popular nas redes sociais. Em postagens no Instragram, por exemplo, exalta o presidente Jair Bolsonaro (PL) e critica o ex-presidente Lula (PT). 
Ele também publica títulos de reportagens veiculadas na imprensa. Algumas, ele endossa, como a que a revista Veja fez, ao registrar que "a mistura de religião e política traz bons resultados nas urnas". "Candidaturas de religiosos em 2020 representaram apenas 10% do total, mas elegeram metade dos vereadores em oito capitais", diz o texto. 
Outras, ele contesta, como reportagem da mesma Veja que mostra que "jovens de esquerda têm saído das igrejas evangélicas".
No geral, Nelson Junior segue a cartilha bolsonarista, mas escolhe palavras mais amenas para se dirigir aos seguidores. Não apela a palavrões ou aos ataques virulentos que são marcas do presidente da República.
Por vezes, deixa as coisas no ar e os ataques cabem aos seguidores. Em 2 de janeiro, por exemplo, publicou a notícia de que o YouTuber Felipe Neto está em depressão. No primeiro comentário, uma fã de Nelson Junior escreveu: "Tomara que tenha um encontro com o Deus que ele tanto zomba".
Enfim, Nelson Junior tem um nicho, que pode se expandir nas eleições ancorado nos valores considerados cristãos por parte do eleitorado evangélico.
O Avante, ao menos por enquanto, está na base de apoio ao governador Renato Casagrande (PSB). O presidente estadual da legenda, Marcel Carone, ocupa o cargo comissionado de assessor especial da Casa Civil do governo socialista.
Mas a vaga de candidato ao Senado a ser apoiado por Casagrande já tem muitos concorrentes: a senadora Rose de Freitas (MDB), o deputado federal Da Vitória (PP), o ex-secretário de Segurança Pública coronel Alexandre Ramalho (Podemos) e, talvez, até um nome do PT, se a aliança com os petistas for selada.
Assim, Nelson Junior tem sido visto em outras paragens. Compareceu, no último dia 12, ao aniversário do deputado federal Felipe Rigoni (União Brasil), outro pré-candidato ao Palácio Anchieta.
E, agora, é cortejado por Erick Musso, assim, como quem não quer nada.
"Estive em algumas agendas que o Erick também esteve presente, nessas oportunidades temos falado que não acreditamos em coincidência, acreditamos em Cristocidência. Registro que tenho uma admiração muito grande pelo grande trabalho que o Erick Musso fez e continua fazendo na Assembleia Legislativa", afirmou Nelson Junior à coluna, nesta quinta-feira (16).
"De minha parte, além de estar aberto para dialogar com o Erick Musso, ficarei muito feliz em ter esse diálogo com ele, pois temos muitas coisas em comum, ele é cristão m e um conservador, além de estarmos focados em nos dedicarmos incondicionalmente em fazer várias entregas para o Espírito Santo com o foco em melhorar a qualidade de vida das pessoas", complementou.
O partido de Erick já tem pré-candidato ao Senado. É o ex-prefeito de Colatina Sérgio Meneguelli.
O nome de Meneguelli, no entanto, nunca empolgou muito os republicanos. Egresso do MDB, ele não tem muito a ver com a legenda, que se apresenta como "um partido conservador". 
O Republicanos nasceu como um braço da Igreja Universal do Reino de Deus e integra o Centrão que, hoje, apoia Bolsonaro. Esse tipo de partido, entretanto, não preza muito pela ideologia. Segue conforme a maré. 
O Republicanos, quando ainda se chamava PRB, por exemplo, integrou a base de apoio ao governo Dilma Rousseff (PT), até teve um ministro lá, o então senador Marcelo Crivella. Depois, a sigla se voltou contra a então presidente. O próprio Crivella, "com pesar", votou a favor do impeachment da petista.
O presidente nacional do Republicanos, Marcos Pereira, já disse à coluna que o Republicanos é fisiológico mesmo.
O secretário-geral do Republicanos no estado, Devanir Ferreira, criticou Meneguelli, no último dia 13, em discurso na Câmara de Vila Velha.  
"Esse cidadão aí estava em Brasília vestindo a camisa de Bolsonaro, dizendo que ama Colatina, mas veio à imprensa dizendo que não é conservador. Eu não sei o que ele estava fazendo ao lado do presidente da República, que é conservador", disparou Devanir, que é vereador na cidade canela-verde e também pastor da Universal.
Ele se referia a uma entrevista concedida por Meneguelli em que o ex-prefeito de Colatina diz que "não tem nada de conservador".
Pode ser um exagero querer rifar Meneguelli da disputa por causa disso, o que indica que há mais caroço nesse angu.
Quando esteve em Vitória, em dezembro do ano passado, o presidente nacional do Republicanos disse que o partido tinha dois possíveis nomes ao Senado: Meneguelli e o deputado federal Amaro Neto. Coube a Amaro lembrar que, como a legenda já tem pré-candidato ao governo, Erick, o mais lógico seria abrir a vaga de Senado para um partido aliado.

Letícia Gonçalves

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiaria no Gazeta Online/ CBN Vitoria. Em 2008, passou a atuar como reporter da radio. Em 2012, migrou para a editoria de Politica de A Gazeta, tambem como reporter. Exerceu a funcao de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Leticia Goncalves.

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