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Invasão em Brasília

As cicatrizes do 8 de janeiro no Brasil e no ES, um ano depois

Apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) invadiram as sedes dos Três Poderes em 2023, inconformados com o resultado das eleições de 2022. De lá pra cá, aprendemos alguma coisa?

Publicado em 08 de Janeiro de 2024 às 11:11

Públicado em 

08 jan 2024 às 11:11
Letícia Gonçalves

Colunista

Letícia Gonçalves

lgoncalves@redegazeta.com.br

Atos antidemocráticos em Brasília, em 8 de janeiro
Atos antidemocráticos em Brasília, em 8 de janeiro Crédito: Joedson Alves/Agência Brasil
Pesquisa Genial/Quaest mostra que 89% dos brasileiros condenam os atos golpistas realizados há um ano, em 8 de janeiro de 2023. É tentador avaliar, considerando o percentual expressivo, que temos um povo democrata, que rechaça tentativas de tomada de poder à força e que aposta na resolução pacífica de conflitos político-ideológicos. 
Podem me chamar de cética, mas creio que o repúdio à invasão das sedes dos Três Poderes deu-se mais pelas cenas de vandalismo — janelas e objetos quebrados — que por compaixão pela Constituição Federal.
Os invasores do Palácio do Planalto, do Supremo Tribunal Federal e do Congresso Nacional eram seguidores do ex-presidente da República Jair Bolsonaro (PL), inconformados com o resultado das eleições de 2022.
O fato de a democracia brasileira ter sido restaurada, ou instaurada, apenas a partir de 1985, após o fim da ditadura militar, é um dos motivos pelos quais a própria ideia de democracia como marco civilizatório ainda "não pegou" em algumas camadas da sociedade.
Mas, convenhamos, os Estados Unidos, até então exemplo de democracia para o mundo, também teve seu "8 de janeiro", dois anos antes. Lá, o Congresso foi invadido por apoiadores de Donald Trump em 6 de janeiro de 2021.
O que eu gostaria de transmitir aos leitores e leitoras, neste dia que marca um ano daquelas cenas lamentáveis é: 
Não adianta achar que, porque você tem simpatia pelos invasores, o 8 de janeiro não é um problema. Ou que, por serem seus antagonistas políticos, basta defender punições rigorosas e usar isso politicamente para posar de herói, ou heroína.
Tanto no país da América do Norte como aqui, os "passadores de pano" para os eventos, os que tentam minimizar a gravidade dos ataques ou até justificá-los, contam com o suporte de teorias da conspiração e desinformação espalhadas coordenadamente.
Mas há os argumentos mais toscos também, como "liberdade de expressão".
Como se não houvesse diferença entre expressar algo e incitar a prática de crimes. 
Eu, por exemplo, tenho liberdade de imprensa, certo? Se eu usar o espaço da coluna para incentivar meus leitores a matarem uma pessoa, hipoteticamente, certamente vou responder por isso. 
Não posso dizer, simplesmente, "ah, gente, mas eu não matei ninguém, só expressei minha sugestão para que outra pessoa cometesse o assassinato. Deus acima de tudo ... pela nossa liberdade e tals". 
Na verdade, até posso afirmar isso, mas seria risível se alguém se convencesse.
O X da questão é outro (e não estou falando do antigo Twitter). Se, para você, tudo bem uma turba tentar viabilizar um golpe de Estado quando o seu grupo perde as eleições, isso também vai valer quando o seu grupo ganhar.
É para evitar isso que existem as eleições, a democracia e tudo mais. Se "o sistema" não é perfeito, e, realmente, não é, afinal, democracia é mais que votar de dois em dois anos, cabe a nós tentar aperfeiçoá-lo e não retroagir.
Um ano depois, as cicatrizes do 8 de janeiro se fazem sentir. Inicialmente, houve até uma união política para marcar o repúdio à tentativa de golpe. 
Depois, o governo Lula (PT) foi pegando cada vez mais para si o protagonismo da defesa da democracia, ao menos em alguns discursos, o que afastou políticos de oposição. Além do cálculo eleitoral de cada um deles, obviamente. 
Para haver união, é preciso mais comedimento. Se todo mundo que não é "lulista" for tachado de "fascista" fica difícil.
No Espírito Santo, onde o bolsonarismo é bastante popular, uma cena já no final de 2023 mostrou que, ao menos para um grupo mais radical, ou irresponsável, nada mudou.
Em evento protagonizado pelo próprio Bolsonaro, homenageado na Assembleia Legislativa, em Vitória, no dia 10 de novembro, o ensinamento à plateia foi de que quem não é "de direita" não é adversário e sim "inimigo".
Não sei vocês, mas eu acho tudo isso cansativo, infantil e brega. Mas, sobretudo, perigoso.

Letícia Gonçalves

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiaria no Gazeta Online/ CBN Vitoria. Em 2008, passou a atuar como reporter da radio. Em 2012, migrou para a editoria de Politica de A Gazeta, tambem como reporter. Exerceu a funcao de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Leticia Goncalves.

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