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Eleições 2026

Camila Valadão: "Qual seria a diferença entre um governo de Ricardo e um de Pazolini?"

Deputada estadual do PSOL defende candidatura de esquerda ao Palácio Anchieta em 2026, contra o nome a ser apoiado por Casagrande

Publicado em 11 de Abril de 2025 às 03:15

Públicado em 

11 abr 2025 às 03:15
Letícia Gonçalves

Colunista

Letícia Gonçalves

lgoncalves@redegazeta.com.br

Deputada estadual Camila Valadão (Psol), pré-candidata à Prefeitura de Vitória
Deputada estadual Camila Valadão (PSOL) em 2024, quando disputou a Prefeitura de Vitória Crédito: Acervo pessoal
É fato que o PSOL, um partido mais à esquerda entre os próprios partidos de esquerda, não está entre as principais forças políticas do Espírito Santo, mas a sigla tem identidade e um nome de destaque, o da deputada estadual Camila Valadão. Em 2026, a parlamentar vai disputar a reeleição e defende que o partido não suba no palanque de Renato Casagrande (PSB).
Hoje, o governador tem o vice, Ricardo Ferraço (MDB), como principal aposta para disputar o Palácio Anchieta. Enquanto isso, outro grupo político movimenta-se para garantir o prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini (Republicanos), na corrida pelo governo estadual.
Camila, por sua vez, defende uma candidatura de esquerda e não considera que Casagrande e aliados representem tal espectro político. Ela está inclinada, por exemplo, a apoiar um nome do PT. O Partido dos Trabalhadores não descarta lançar o deputado federal Helder Salomão ao Palácio.
Mas isso não poderia dividir os votos do campo progressista e ajudar Pazolini, um político de centro-direita que se aproxima de nomes e temas caros à extrema direita? Foi o que a coluna perguntou, em entrevista concedida pela deputada no gabinete dela na Assembleia, no último dia 2.
"E eu perguntaria: um governo do (Ricardo) Ferraço, por exemplo, o que que teria de diferente de um governo do Pazolini?", respondeu Camila Valadão.
"Um governo de Ricardo Ferraço seria menos à direita que um governo Pazolini? Teria respeito aos movimentos sociais, aos servidores públicos, à pauta da agricultura familiar, à reforma agrária? Ou seria um governo basicamente comprometido com os interesses econômicos das grandes empresas, dos grandes negócios do Espírito Santo? Eu não tenho nitidez que seria um governo tão diferente assim (do de Pazolini)", completou.
Ricardo, assim como o prefeito de Vitória, é um homem de centro-direita e não se alinha ideologicamente ao governo Lula (PT), ao contrário do PSOL da deputada.
PSOL e PT reaproximaram-se nas eleições de 2024, quando o partido do presidente Lula apoiou Guilherme Boulos (PSOL) na disputa pela Prefeitura de São Paulo.
No Espírito Santo, o PT faz parte do governo Casagrande, comanda a Secretaria de Esportes, com José Carlos Nunes. Mas nenhum nome do partido é listado pelo governador como possível candidato ao Palácio Anchieta a ser apoiado pela aliança casagrandista.
Quase todos os elencados por ele são políticos de centro-direita: Ricardo, os prefeitos de Vila Velha, Arnaldinho Borgo (sem partido), e de Cariacica, Euclério Sampaio (MDB), e os deputados federais Gilson Daniel (Podemos) e Da Vitória (PP). A exceção é o ex-prefeito da Serra e atual secretário estadual de Desenvolvimento, Sérgio Vidigal (PDT).
Mas o plano A mesmo é Ricardo.
"Eu não percebo por parte do vice-governador nenhuma sinalização de que ele pretende dialogar com os setores da esquerda ou com pautas caras para os setores da esquerda. Não vejo nenhum esforço dele nesse sentido, na verdade, eu vejo o contrário", afirmou Camila.
O eleitorado estritamente de esquerda no Espírito Santo, a ponto de achar que Casagrande (que é centro-esquerda) não é de esquerda o suficiente, é certamente minoritário.
Aliás, em 2022, os eleitores do Espírito Santo dobraram à direita. Por aqui, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) foi o mais votado para a Presidência da República e Casagrande foi reeleito com uma ampla aliança, da centro-esquerda à centro-direita, mas passando por um curioso e informal voto "CasaNaro".
Então, pragmaticamente falando, por que Ricardo, ou qualquer outro nome endossado pelo governador como candidato à sucessão, sinalizaria à esquerda?
"Manter uma lógica de revezamento político entre grupos por mero capricho individual de tal grupo, sem que isso tenha impactos concretos, não nos interessa", afirmou a parlamentar, reforçando o posicionamento.
NACIONALIZAÇÃO, EIS A QUESTÃO
Em 2024, nas principais cidades capixabas, os vencedores do pleito municipal foram, sobretudo, políticos de centro-direita, ainda que integrantes do grupo de Casagrande.
O PT e o PL não se saíram bem.
Camila, aliás, foi candidata à Prefeitura de Vitória e ficou em quinto lugar (havia seis candidatos, no total). Ela recebeu 10.773 votos. Pazolini foi reeleito em primeiro turno, ao ser escolhido por 105.599 eleitores.
Ficou patente que a nacionalização da campanha eleitoral, constada em 2022, não se repetiu no ano passado. Mas 2026 vai ser outra eleição, na qual estarão em jogo os mesmos cargos de 2022. Ainda é uma incógnita se o debate ideológico travado no país vai ou não contaminar a corrida estadual ou quanto impacto vai causar no resultado das urnas.
Ao menos na corrida por cadeiras no parlamento, o jogo de Lado A X Lado B, o discurso de "nós contra eles", beneficiou candidaturas tanto à esquerda quanto à direita.
Em 2022, o deputado federal mais votado no Espírito Santo foi o petista Helder Salomão e o segundo, Gilvan da Federal (PL). A própria Camila Valadão, então vereadora de Vitória, foi a mulher que mais recebeu votos para o Legislativo estadual em toda a história (52.221 votos).
Paralelamente, Capitão Assumção (PL) foi o segundo mais votado em 2022 entre os 30 membros da Casa. O deputado do PL recebeu 98.669 votos.
Para o Senado, o grande vencedor foi Magno Malta (PL).
Em 2026, duas vagas de senador vão estar em disputa, as hoje ocupadas por Fabiano Contarato (PT) e Marcos do Val (Podemos).
"A esquerda tem que ter candidatura ao Senado"
Camila Valadão (PSOL) - Deputada estadual
A deputada estadual do PSOL defende que a esquerda lance um nome. O próprio Casagrande é um potencial candidato ao Senado, mas, mais uma vez, a deputada não o considera um representante da esquerda.
"Contarato eu coloco como um candidato de esquerda e defendo que façamos campanha, peçamos voto e votemos nele. Tenho alguns desacordos, sobre uma ou outra pauta, o que é normal. Mas ele é um senador de esquerda que tem uma atuação forte", avaliou Camila.
"Mas defendo que o PSOL também tenha uma candidatura própria ao Senado", pontuou.
Se isso fosse colocado em prática, haveria três candidatos considerados progressistas ao Senado, com possibilidade de divisão do eleitorado.
Hoje, contudo, Casagrande é o nome mais forte. Até mesmo adversários do governador admitem que "uma vaga do Senado já é dele".
Mas, novamente, a deputada do PSOL prefere não se pautar pelos indicativos da política pragmática.
"O governador não será um candidato (ao Senado) pela esquerda, a menos que o Renato dialogue com a esquerda, o que está fazendo pouco", observou Camila.
"Ele (Casagrande) faz análise pragmática e a gente faz análise programática."
FORA DA BASE
Na Assembleia, a deputada do PSOL não se considera integrante da base aliada ao governo estadual — ela compôs o bloco governista para a formação das comissões temáticas da Casa, mas já avisou que vai sair.
"Eu até brinquei com os deputados da oposição, que são de direita ou extrema direita, que eles votam mais com o governo do que eu", contou a parlamentar.
"Em relação a algumas pautas econômicas e na área da segurança pública a gente tem muitos desacordos . O governo Casagrande deixa a desejar na área da reforma agrária, por exemplo, e no meio ambiente. É um absurdo o (Felipe) Rigoni ser secretário de Meio Ambiente", criticou.
Rigoni, ex-deputado federal, é filiado ao União Brasil e, sob a gestão dele, a secretaria pretende conceder seis parques estaduais à iniciativa privada, proposta à qual Camila Valadão se opõe.
"Nós já sabíamos que seria um governo eleito com uma composição muito ampla, inclusive com setores com os quais temos profundas divergências. A gente já sabia que seria um governo com muitas contradições", afirmou Camila.
O PSOL, desde maio de 2022, forma uma federação com a Rede.
Naquele ano, o ex-prefeito da Serra disputou o Palácio Anchieta pela Rede e fez duras críticas a Casagrande. Apesar da parceria entre os partidos, o PSOL não fez campanha para Audifax, que até se desfiliou, no segundo turno, para apoiar Carlos Manato (PL) na corrida.
Na segunda etapa do pleito, os psolistas defenderam o voto em Casagrande, num esforço para derrotar o candidato do PL.

Letícia Gonçalves

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiaria no Gazeta Online/ CBN Vitoria. Em 2008, passou a atuar como reporter da radio. Em 2012, migrou para a editoria de Politica de A Gazeta, tambem como reporter. Exerceu a funcao de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Leticia Goncalves.

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