Candidato ao governo do ES quer garantir o voto BolsoNato
Eleições 2022
Candidato ao governo do ES quer garantir o voto BolsoNato
Renato Casagrande busca votos de bolsonaristas, mas Manato aperta o cerco
Publicado em 24 de Outubro de 2022 às 17:38
Públicado em
24 out 2022 às 17:38
Colunista
Letícia Gonçalves
lgoncalves@redegazeta.com.br
Manato, candidato ao governo do Espírito Santo, em entrevista para A Gazeta e Rádio CBN VitóriaCrédito: Fernando Madeira
Candidato ao governo do Espírito Santo, o ex-deputado federal Carlos Manato (PL) atribui o fato de ter ido ao segundo turno contra o governador Renato Casagrande (PSB) a uma série de motivos, mas admite que o fator Bolsonaro pesou. O presidente da República, Jair Bolsonaro (PL), é candidato à reeleição e, no estado, recebeu 52% dos votos válidos. O candidato local do PL ficou bem aquém, com 38,48%, mas ainda assim saiu fortalecido politicamente ao levar a disputa à segunda etapa.
"Eu sabia que o voto de Bolsonaro era Manato (...) Eu sempre fui (apoiador de Bolsonaro) na maré vazante ou na enchente", afirmou, nesta segunda-feira (24), em entrevista a A Gazeta e à Rádio CBN Vitória.
Antes de a entrevista começar a ser transmitida, em conversa informal com a âncora da CBN Fernanda Queiroz e os colunistas Abdo Filho e Leonel Ximenes, além desta que vos escreve, Manato comentou que nas ruas as pessoas o abraçam "como se estivessem abraçando Bolsonaro".
Já na entrevista ao vivo ele descreveu que trata-se de "um projeto nacional", devido ao fato de também apoiar pilares que ele diz serem os do atual governo federal: compromisso com meriitocracia, combate à corrupção e liberdade econômica.
Quanto ao combate à corrupção, as suspeitas que pesam sobre o próprio governo Bolsonaro são varridas para baixo do tapete pelo procurador-geral da República, Augusto Aras, aliado do presidente. Em geral, houve redução das investigações sobre corrupção.
E o ex-ministro da Justiça Sergio Moro afirmou que Bolsonaro "mentiu quando disse que era a favor da Lava Jato" e tentou interferir na Polícia Federal. Em janeiro deste ano Moro disse que "assim como Lula, Bolsonaro mente. Nada do que ele fala deve ser levado a sério".
Moro mudou de atitude no segundo turno, até serviu como assessor do presidente da República durante debate realizado na Band, o que arranhou ainda mais a imagem do ex-juiz, eleito senador pelo Paraná.
A coluna quis saber, na entrevista, se Manato se compromete, caso eleito, a manter o Espírito Santo como o mais transparente do Brasil. O governo Bolsonaro é mais conhecido por impor sigilo de 100 anos sobre informações de interesse público.
"No meu (governo) aqui vai ser tudo transparente, on-line, e se não botar vão ter problema comigo", respondeu o candidato ao Palácio Anchieta. Ele acusou o governo Casagrande de ser "transparente no Power Point".
"Quero esse negócio, não. Cartão corporativo para comprar o quê? Tem que saber o que é para comprar", complementou, ao ser lembrado de mais uma coisa sobre a qual Bolsonaro restringe a transparência. No governo estadual, esses gastos estão no Portal da Transparência.
A ESTRATÉGIA
No segundo turno, Manato passou a se associar mais à imagem de Bolsonaro e a frisar que o número de urna dos dois é o mesmo. O senador eleito Magno Malta (PL), outro bolsonarista, reforçou a campanha do candidato ao governo.
Agora, ele tem cinco minutos no horário eleitoral, o mesmo que Casagrande.
Assim, tem mais tempo para se apresentar ao eleitor. Manato nunca ocupou um cargo de destaque no Executivo, nunca foi prefeito, por exemplo. Mas já foi secretário municipal, diretor de hospitais e deputado federal por quatro mandatos.
Casagrande, por sua vez, ciente que os bolsonaristas são maioria, tem estimulado ou ao menos deixado claro que não seria um problema se o eleitor votasse nele para governador e em Bolsonaro para presidente.
O socialista declarou voto no ex-presidente Lula (PT), mas vários de seus apoiadores adotaram o voto BolsoGrande, ou CasaNaro.
No palanque de Manato, entretanto, estão pessoas ligadas ao ex-governador, como o empresário Aridelmo Teixeira, o ex-prefeito de Linhares Guerino Zanon e o ex-prefeito da Serra Audifax Barcelos.
"Não tenho ligação nenhuma com Paulo Hartung. Respeito ele como ex-governador, foi importante para o estado. Ele tem uma política contra o nosso presidente, já mostrou várias vezes que não apoia o nosso presidente. Agora, eu não posso culpar uma pessoa que teve alguma relação (com Hartung). Tem pessoas que vão estar no nosso governo que podem ser amigos de João, de Luiz e de Maria, mas a caneta é Manato. Quem vai dar a palavra final é Manato", garantiu o próprio.
Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiaria no Gazeta Online/ CBN Vitoria. Em 2008, passou a atuar como reporter da radio. Em 2012, migrou para a editoria de Politica de A Gazeta, tambem como reporter. Exerceu a funcao de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Leticia Goncalves.