Casagrande consolida favoritismo no ES a um mês da eleição
Eleições 2022
Casagrande consolida favoritismo no ES a um mês da eleição
Adversários já fizeram pacto para o caso de haver segundo turno. A chance deles está no percentual dos que podem mudar de voto e os que, espontaneamente, não sabem em quem votar
Publicado em 02 de Setembro de 2022 às 19:44
Públicado em
02 set 2022 às 19:44
Colunista
Letícia Gonçalves
lgoncalves@redegazeta.com.br
Governador Renato Casagrande lidera pesquisa Ipec de 2 de setembro de 2022Crédito: Arte/A Gazeta
Se a eleição fosse hoje, o governador Renato Casagrande (PSB) seria reeleito no Espírito Santo, em primeiro turno, com 62% dos votos válidos, de acordo com pesquisa Ipec realizada a pedido da TV Gazeta e divulgada nesta sexta-feira (2).
Os votos válidos são calculados excluindo as intenções de voto em branco e nulo e os indecisos. É a forma como a Justiça Eleitoral divulga o resultado das urnas.
Isso não é garantia de que o socialista vai ser reconduzido ao comando do Palácio Anchieta de uma tacada só. A pesquisa mostra o cenário e a tendência de hoje, não advinha o futuro.
Falta um mês para o dia da votação. Isso é pouco e muito ao mesmo tempo.
Pouco para os adversários do socialista tentarem virar o jogo. Muito para Casagrande, que tem que segurar o placar.
O horário eleitoral no rádio e na televisão começou no último dia 26. Este é o primeiro levantamento realizado pelo Ipec desde então.
Nas inserções e no espaço fixo que os candidatos têm à disposição, os petardos são todos disparados contra a gestão atual, como é de se esperar por parte de quem quer a cadeira do governador.
A campanha do ex-deputado federal Carlos Manato (PL) passou a associar, na propaganda que passa nos intervalos da programação normal, a imagem de Casagrande às dos ex-presidentes Lula e Dilma, ambos do PT, e até ao ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci.
VOTOS VÁLIDOS
Renato Casagrande (PSB) 62%
Carlos Manato (PL) 21%
Audifax Barcelos (Rede) 6%
Guerino Zanon (PSD) 6%
Capitão Vinicius Sousa (PSTU) 3%
Aridelmo Teixeira (Novo) 1%
Claudio Paiva (PRTB) 1%
*O cálculo dos votos válidos exclui as menções aos votos brancos, nulos e indecisos, considerando para a base de cálculo do percentual somente os votos atribuídos aos candidatos.
Casagrande declarou voto em Lula, mas não fica apregoando isso aos quatro ventos. Ele também tenta se blindar da batalha ideológica ao se cercar de aliados dos mais diversos matizes políticos. Tem o PDT de Ciro Gomes, o MDB de Simone Tebet e até o PP, que apoia a reeleição de Jair Bolsonaro (PL).
Também em uma inserção em meio aos comerciais, o governador apareceu em frente a uma igreja, falando de Deus e de fé.
Os adversários dele têm usado lideranças religiosas, principalmente nas redes sociais, para captar o voto evangélico conservador.
Como é de praxe numa disputa entre situação e oposição, o governador passa boa parte da campanha elencando os feitos da própria gestão e, vez ou outra, sinalizando o que pretende fazer em um eventual novo mandato.
Também evita parecer querer vender um conto de fadas e admite que há coisas a serem aprimoradas.
A mais recente entrevistou maior número de pessoas e tem menor margem de erro, de 3 pontos percentuais. Antes eram quatro pontos.
Mas pode-se afirmar que na campanha eleitoral oficial, na TV e no rádio, os adversários de Casagrande não conseguiram romper o favoritismo do socialista.
Com mais tempo de TV, mais dinheiro (recebeu R$ 3,5 milhões só da direção nacional do PSB), com a máquina na mão e o recall deste e do mandato anterior como governador, o atual chefe do Executivo estadual, como já registrado na coluna anteriormente, é um páreo duro de bater.
A gestão do socialista é considerada ótima ou boa por 56% dos entrevistados. A rejeição ao governador, o percentual dos que dizem não votar nele de jeito nenhum, é de 22%. Não é muito alta. E é igualzinha à rejeição de Manato.
Não é, no entanto impossível forçar um segundo turno. Ainda de acordo com a pesquisa Ipec, 33% dos eleitores do socialista disseram que podem mudar de voto.
Na pesquisa espontânea, em que os nomes dos candidatos não são informados previamente aos entrevistados, Casagrande lidera com 32%. Quem mais se aproxima dele é Manato, com 10%.
Mas o que mais chama atenção é que 46% dos entrevistados responderam que não sabem em quem votar. Isso, é bom lembrar, a 30 dias do pleito.
Considerando o recorte pelos votos válidos, conforme registrado pelo Ipec, Manato é mais forte na Grande Vitória, onde alcança 24% das intenções de voto, frente a 18% no interior.
É, entretanto, um resultado bem mais equilibrado do que o dos colegas que integram o pacto.
Audifax, ex-prefeito da Serra, sempre soube que era pouco conhecido no interior do Espírito Santo. Ele tem 10% dos votos válidos na Grande Vitória e 1% fora da região metropolitana.
Com Guerino, ex-prefeito de Linhares, município da região Norte, ocorre o contrário. Ele marca 11% no interior e 1% na Grande Vitória.
Com Casagrande, é o seguinte: é no interior que ele obtém melhor resultado. Se dependesse apenas dos municípios que não integram a parte mais urbana do estado, ele teria 66% dos votos válidos.
Na Grande Vitória, isoladamente, ele alcança um percentual que garantiria vitória no primeiro turno também, mas com uma margem menos elástica: 59%.
Pesquisa está registrada na Justiça Eleitoral
A pesquisa eleitoral Rede Gazeta/Ipec foi realizada entre os dias 30 de agosto e 1º de setembro, com 800 entrevistas em 26 municípios. O nível de confiança utilizado é de 95% e a margem de erro é de 3 pontos percentuais para mais ou para menos.
Foram realizadas entrevistas pessoais por amostragem com utilização de questionário elaborado conforme os objetivos da pesquisa.
As pessoas foram selecionadas para as entrevistas de acordo com as proporções na população de grupos de idade, sexo, instrução e atividade econômica. A pesquisa está registrada no Tribunal Regional Eleitoral do Espírito Santo (TRE-ES), sob o protocolo ES-02445/2022, e no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), sob o protocolo BR-04768/2022.
Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiaria no Gazeta Online/ CBN Vitoria. Em 2008, passou a atuar como reporter da radio. Em 2012, migrou para a editoria de Politica de A Gazeta, tambem como reporter. Exerceu a funcao de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Leticia Goncalves.