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Mas "portas estão abertas"

Casagrande sobre Gandini: "Se quiser ir para a oposição, é direito dele"

Aliado histórico do governador do ES, deputado estadual e presidente do Cidadania deixou a base aliada. Agora, diz-se independente. Por iniciativa dele, o Palácio sofreu a primeira derrota na Assembleia Legislativa

Publicado em 27 de Fevereiro de 2023 às 10:01

Públicado em 

27 fev 2023 às 10:01
Letícia Gonçalves

Colunista

Letícia Gonçalves

lgoncalves@redegazeta.com.br

Deputados tomam posse na Assembleia Legislativa do ES
Governador Renato Casagrande Crédito: Fernando Madeira
O governador Renato Casagrande (PSB) já disse à coluna que espera contar com o apoio de 25 dos 30 deputados que compõem a Assembleia Legislativa do Espírito Santo.
Na época da declaração, em 1º de fevereiro, ele certamente incluía Fabrício Gandini, presidente estadual do Cidadania, na lista. O parlamentar, porém, surpreendentemente, teve papel decisivo na primeira derrota que o governo sofreu na Casa, no último dia 15.
Uma emenda de Gandini ao projeto do Bolsa-Estudante foi aprovada, com o endosso de alguns aliados do Palácio Anchieta.
Depois, o deputado do Cidadania anunciou que já não faz mais parte da base. 
Já registrei aqui que o governo errou, em certos pontos, na condução da votação do projeto em questão. Aos 45 do segundo tempo, o líder governista, Dary Pagung (PSB), pediu verificação de quórum e, a sessão, diante do número insuficiente de parlamentares em plenário, foi encerrada antes da votação da redação final do texto.
Casagrande creditou, nesta segunda-feira (27), o imbróglio ao "nervosismo" dos deputados em meio à formação das comissões temáticas da Assembleia.
Nem todos ficaram contentes com os colegiados em que foram alocados ou a posição que lhes foi relegada nesses grupos.
Também houve, entretanto, exonerações de servidores comissionados da administração estadual que eram ligados a deputados da base aliada.
Um aliado muito próximo a Gandini, por exemplo, havia sido exonerado naquele dia da fatídica derrota. O parlamentar, contudo, nega que isso tenha motivado o anúncio sobre a saída da base aliada.
O deputado elencou, por exemplo, que há tempos o Cidadania não é chamado para conversar sobre ações do governo. O partido, assim, sente-se deixado de lado, enquanto o PSDB, ao qual está federado, tem o vice-governador Ricardo Ferraço e conta com mais trânsito na gestão.
"Se gente deixou de lado, a gente recupera. Nós não temos nenhuma dificuldade de reconhecer se a gente errou. Se nós erramos e não demos atenção (ao Cidadania) em algum momento, isso não é maior do que toda uma relação que nós já tivemos", afirmou Casagrande à coluna. 
"A relação com o Cidadania e com o Gandini é histórica. Algum erro pode ter sido cometido e a gente assume nosso erro. Mas isso não é suficiente para levar o deputado para a posição", complementou o governador.
"Se ele quiser ir para a oposição por outras razões, é um direito que ele tem. Da nossa parte, a gente continua com as portas abertas ao diálogo"
Renato Casagrande (PSB) - Governador do Espírito Santo
O parlamentar já disse que ainda avalia como se posicionar no tabuleiro político a partir de agora, mas cravou que a saída da base aliada é "irreversível".
O deputado estadual, que tem reduto eleitoral em Jardim Camburi, bairro mais populoso de Vitória, vê a possível transformação do próprio partido. Se o Podemos, legenda de centro-direita, unir-se à federação, o espectro político do Cidadania deve ser afetado.
Gandini já não se identifica como um político de centro-esquerda, que é o campo em que o Cidadania, atualmente, está inserido.
O parlamentar pode ser candidato a prefeito da Capital em 2024, já que disputou o mesmo cargo em 2020. Na federação com o PSDB, no entanto, há outros possíveis nomes a serem lançados. 
O grupo pode apresentar somente um candidato. Ou seja, o reposicionamento de Gandini vai ser trabalhoso.
Na Assembleia, ele garante que não vai fazer oposição por oposição e sim votar a favor de projetos do governo que considere importantes.
 BOLSA-ESTUDANTE
O Bolsa-Estudante, originalmente, previa o pagamento de R$ 400 mensais a 120 jovens que fizerem o 4º ano do ensino médio. A emenda de Gandini aumentou o valor para R$ 800.
Alguns deputados consideraram que a alteração é inconstitucional, não tem previsão orçamentária e poderia partir apenas do Executivo.
A maioria, numa votação apertada, ficou ao lado de Gandini. Ele já presidiu a Comissão de Constituição e Justiça da Assembleia e garantiu que a emenda é legal.
Para estancar o problema, o governo poderia retirar o projeto de tramitação. Mas Casagrande afirmou à coluna que não vai fazer isso: "Vamos deixar a Assembleia acabar de apreciar. E aí eu avalio assim que chegar aqui para mim".
Ele pode sancionar ou vetar o texto. Pode também vetar apenas trechos da proposta.

Letícia Gonçalves

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiaria no Gazeta Online/ CBN Vitoria. Em 2008, passou a atuar como reporter da radio. Em 2012, migrou para a editoria de Politica de A Gazeta, tambem como reporter. Exerceu a funcao de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Leticia Goncalves.

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