Com fama de "inflexível", Pazolini faz concessões políticas ao mexer no secretariado
Eleições 2026
Com fama de "inflexível", Pazolini faz concessões políticas ao mexer no secretariado
É o que revelam recentes nomeações no primeiro e no segundo escalões da gestão municipal. O prefeito de Vitória é um potencial candidato ao Palácio Anchieta e isso não é mero detalhe
Publicado em 08 de Abril de 2025 às 03:20
Públicado em
08 abr 2025 às 03:20
Colunista
Letícia Gonçalves
lgoncalves@redegazeta.com.br
Pouco depois de ser reeleito em Vitória, Lorenzo Pazolini (Republicanos) já se movimenta de olho em outra disputaCrédito: PMV
Delegado licenciado da Polícia Civil, o prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini (Republicanos), desde o início do primeiro mandato, era alvo de críticas de correligionários, nos bastidores, quanto a uma certa "falta de jogo de cintura", ou de articulação política, na hora de atender a pedidos dos próprios aliados. Leia-se: falta de indicações eminentemente políticas na equipe e outras concessões a serem feitas aos parceiros.
Em escalões inferiores, mais mudanças. Thiago Pereira da Conceição (Republicanos), primo do presidente nacional do partido, Marcos Pereira, foi nomeado subsecretário de Cultura, em março.
Diego Libardi (Republicanos), que deixou o comando da Secretaria Municipal de Cidadania, Direitos Humanos e Trabalho no ano passado, para disputar a Prefeitura de Cachoeiro, foi nomeado novamente na Prefeitura de Vitória, também no mês passado.
Desta vez, ele foi abrigado no cargo comissionado de subsecretário Qualidade Ambiental e Bem-Estar Animal, está subordinado a Coronel Ramalho na Secretaria de Meio Ambiente.
Ainda há uma lacuna a ser preenchida. O secretário de Gestão e Planejamento, Régis Mattos Teixeira, administra a Secretaria da Fazenda, cumulativa e interinamente, desde que Neyla Tardin pediu exoneração. O ex-prefeito de Linhares Bruno Marinanelli (Republicanos) é cotado para a função, mas nada confirmado.
Até meados de 2023, mesmo filiados ao Republicanos reclamavam da falta de espaço na prefeitura. O clima no partido não estava bom para o lado de Pazolini. Foi então que as nomeações começaram a ficar menos rígidas. Diego Libardi virou secretário de Cidadania, e Rodrigo Ronchi foi escolhido para a pasta de Esportes. Os dois foram indicados pelo deputado federal Amaro Neto (Republicanos).
Na Secretaria de Cultura, ainda em agosto de 2023, entrou Edu Henning, que recebeu o aval do PP, partido aliado ao prefeito.
Foi assim que Soraya Manato despontou. Médica, ela não tem experiência em gestão pública na área da Assistência Social, mas, com a nomeação da ex-parlamentar, o grupo do prefeito atraiu o ex-deputado federal Carlos Manato, que foi candidato ao governo do Espírito Santo em 2022. Além disso, Soraya deve compor a chapa do Republicanos de candidatos a deputado federal no ano que vem.
Ter uma chapa competitiva é importante para atrair parceiros eleitorais.
Coronel Ramalho, que saiu do PL para virar secretário de Pazolini, é outra aposta para integrar a chapa.
O próprio Erick Musso também é considerado um potencial candidato a deputado federal.
Como Pazolini iniciou um novo mandato em janeiro, após ser reeleito em primeiro turno em 2024, alterações na equipe eram até esperadas.
Estou dizendo que Pazolini agora "só faz" nomeações políticas e em cargos comissionados? Não. Na segunda-feira (7) mesmo ele anunciou a nomeação de 30 servidores efetivos — auditores e analistas de gestão — aprovados em concurso público.
É impossível não notar, contudo, que as mudanças recentes no primeiro e no segundo escalões foram pautadas por critérios políticos. Aliados de Pazolini argumentam que os escolhidos para integrar a equipe têm capacidade técnica.
"A Soraya foi deputada federal, é médica de profissão, tem alta capacidade técnica e vem para somar à equipe. Coronel Ramalho também tem uma vasta experiência, uma ficha de serviço prestado à população capixaba por muitos anos", afirmou Erick, em entrevista à coluna.
"A gente continua na mesma pegada de ter uma uma equipe altamente capacitada e qualificada tecnicamente. Mas, sobretudo agora, com um pouco de habilidade política para agregar novos valores e fazer o principal, que é prestar serviço à população"
Erick Musso - Secretário de Governo de Vitória
A ideia do grupo de Pazolini é formar uma "frente ampla" para 2026. Eles tentam atrair, por exemplo, o PSD e o PL, presidido no estado pelo senador Magno Malta.
Magno até estreitou os laços com o Republicanos, mas não quer integrar, ao menos por enquanto, a gestão da Prefeitura de Vitória. Não à toa, Ramalho saiu do Partido Liberal para assumir a Secretaria de Meio Ambiente.
O PP é um dos principais aliados de Pazolini, mas o partido também tem um pé no governo Renato Casagrande (PSB), que lidera o maior bloco político do estado, virtual adversário do prefeito da Capital no ano que vem.
O argumento do governador é similar ao do time de Pazolini: os nomeados têm perfil e capacidade técnica para desempenhar as funções, mas, por terem também traquejo político, devem dar mais visibilidade às ações do governo, o que potencializa, em tese, resultados eleitorais.
BAIXAS NO ANO QUE VEM
Voltando ao tema Prefeitura de Vitória, com tantos possíveis candidatos na equipe, a gestão municipal deve sofrer várias baixas no ano que vem. A legislação eleitoral determina que, para disputar o pleito, secretários municipais têm que se desincompatibilizar, deixar os cargos, até o início de abril de 2026.
Isso quer dizer que as pastas de Meio Ambiente, Assistência Social e Governo, por exemplo, vão ter novos gestores daqui a um ano.
Mais que isso: se Pazolini quiser mesmo se candidatar ao Palácio Anchieta, vai ter que renunciar ao mandato. Assim, Cris Samorini vira prefeita da cidade até dezembro de 2028.
Paralelamente, o governo estadual deve passar pelo mesmo chacoalhão, uma vez que secretários estaduais também vão ter que deixar os cargos para disputar o pleito — Tyago Hoffmann, na Secretaria de Saúde, e Emanuela Pedroso, na Secretaria de Governo, ambos do PSB, por exemplo.
Casagrande, que avalia disputar o Senado, é outro que teria que renunciar ao mandato, o que transformaria o vice, Ricardo Ferraço (MDB), em governador até dezembro de 2026.
Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiaria no Gazeta Online/ CBN Vitoria. Em 2008, passou a atuar como reporter da radio. Em 2012, migrou para a editoria de Politica de A Gazeta, tambem como reporter. Exerceu a funcao de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Leticia Goncalves.