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Eleições 2022

Como o Espírito Santo ajudou a turbinar o Centrão

Partido da base de Bolsonaro é, no estado, aliado de Casagrande e conseguiu atrair deputados federais

Publicado em 06 de Abril de 2022 às 02:10

Públicado em 

06 abr 2022 às 02:10
Letícia Gonçalves

Colunista

Letícia Gonçalves

lgoncalves@redegazeta.com.br

Sessão deliberativa do Plenário da Câmara
Sessão deliberativa do Plenário da Câmara Crédito: Agência Câmara de Notícias
O PL do presidente Jair Bolsonaro foi elevado a detentor da maior bancada da Câmara após o fim da janela partidária, período em que deputados puderam trocar de partido sem risco de perder o mandato. Foram 33 adesões, totalizando 75 deputados federais.
O Espírito Santo não contribuiu, já que, como a coluna mostrou, por aqui o ex-senador Magno Malta barrou a entrada na sigla de pessoas com mandato.
Mas o PP, outro partido que apoia Bolsonaro e integra o Centrão, foi outro beneficiado após a janela e, aí, o estado teve participação. O PP passou da quarta para a segunda colocação entre os maiores partidos da Câmara dos Deputados, ganhou 13 parlamentares, chegando a 56.
No Espírito Santo, um dos vice-líderes do governo Bolsonaro na Casa, Evair de Melo já integrava a legenda. A ele, somaram-se Neucimar Fraga (ex-PSD), Norma Ayub (ex-União Brasil) e Da Vitória (ex-Cidadania).
Todos tendem a votar alinhados ao governo federal. As mudanças, no entanto, não se deram puramente por alinhamento ideológico. O que pesou foram as chances de reeleição. O PP aposta que vai eleger de três a quarto deputados federais.
O crescimento do PP e do PL mostram a força de Bolsonaro em um ano crucial, que vai decidir se ele permanece ou não no Palácio do Planalto por mais quatro anos. Se os atuais parlamentares vão ser reeleitos é outra história, mas são potenciais cabos eleitorais do presidente.
O PP é um partido pragmático e fisiológico, como o são, via de regra, os integrantes do Centrão. Apoiam o governo da vez, em troca de cargos e outras benesses. O presidente licenciado do partido, senador Ciro Nogueira, por exemplo, é ministro da Casa Civil de Bolsonaro.
Mas isso tampouco quer dizer que a tônica do partido é a mesma em todos os estados. As alianças nacionais não precisam ser reproduzidas regionalmente.
O PP está ao lado do governador Renato Casagrande (PSB), que não é aliado do presidente da República. A sigla pretende ser, nas palavras do secretário-geral do partido no estado, Marcos Delmaestro, "o motor que vai tocar o projeto" do socialista pelos próximos quatro anos, supondo que este seja reeleito.
Os integrantes da bancada do PP capixaba, à exceção de Evair de Melo, também são alinhados a Casagrande. Norma um pouco menos.
Já Da Vitória está até no páreo para ser o candidato ao Senado na chapa do governador. Ao menos é o que o PP espera, como externou o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL).
O Progressitas (que é o nome completo do PP) integra uma ampla base de apoio a Casagrande, que o governador pretende tornar ainda mais numerosa.
O presidente do partido no estado é o ex-secretário de Saneamento e Habitação Marcus Vicente.
Da Vitória, apesar de recém-chegado, também participou ativamente do esforço para atrair nomes e reforçar as chapas para a eleição de deputados estaduais e federais.
Na Assembleia Legislativa o PP também recebeu reforços. Tinha apenas um deputado, Renzo Vasconcelos, que foi para o PSC. Mas agora tem: Theodorico Ferraço (ex-União Brasil); Marcos Garcia (ex-PV); Raquel Lessa (ex-Pros) e Marcos Madureira (ex-Patriota).
Casagrande atou para socorrer alguns aliados a montar as chapas, mas no PP não precisou intervir.
Os integrantes da legenda falam com orgulho, sem tom de reclamação, que se ergueram sozinhos. "A gente teve que brigar foi para ele não tirar gente daqui", diz um progressista, brincando, ao ressaltar que o partido está forte.
"Philipe Lemos, por exemplo, queríamos que viesse para cá", emendou. O jornalista acabou filiado ao PDT, outra sigla aliada ao governo do estado.
Casagrande transita bem entre partidos de matizes diferentes, gosta de destacar que tem capacidade de diálogo e é retratado assim também por aliados. Mas tem que ter muito jogo de cintura para manter de pé a base de apoio.

Letícia Gonçalves

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiaria no Gazeta Online/ CBN Vitoria. Em 2008, passou a atuar como reporter da radio. Em 2012, migrou para a editoria de Politica de A Gazeta, tambem como reporter. Exerceu a funcao de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Leticia Goncalves.

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