Como Pazolini e vice viraram o principal assunto dos bastidores da política do ES
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Como Pazolini e vice viraram o principal assunto dos bastidores da política do ES
Prefeito de Vitória quer disputar o Palácio Anchieta e está em momento crucial da "pré-pré-campanha", mas acabou no olho do furacão por um motivo inusitado. A coluna analisa as possíveis repercussões eleitorais desta história
Publicado em 16 de Maio de 2025 às 19:52
Públicado em
16 mai 2025 às 19:52
Colunista
Letícia Gonçalves
lgoncalves@redegazeta.com.br
O prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini, durante a campanha eleitoral de 2024Crédito: Vitor Jubini
A presença do prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini (Republicanos), e da vice, Cris Samorini (PP), num show em Teresina, Piauí, no último dia 10, domina as conversas nos bastidores da política capixaba nos últimos dias. A história até "furou a bolha", ao ser publicada por sites nacionais de distribuição de fofocas, digo, de temas do cotidiano de famosos e subcelebridades. Seria algo de interesse do público, mas não de interesse público, motivo pelo qual a coluna, até agora, não havia abordado o tema.
Ocorre que, por tratar-se do prefeito da Capital e de um possível candidato ao governo do Espírito Santo, a coisa tomou certa proporção. Adversários de Pazolini têm usado a situação, de forma (às vezes pouco) sutil para atingi-lo.
Mas qual deve ser o impacto político-eleitoral disso tudo?
Vamos aos fatos: o prefeito e a vice, Cris Samorini (PP), foram vistos, e filmados, em Teresina, no Xand's Bar, com apresentações de Calcinha Preta e Xand Avião.
Nas imagens, que duram poucos segundos, eles aparecem dividindo uma lata de bebida. Pazolini com a mão no ombro da vice. O gesto sugeriu certa intimidade.
Isso contraria, em tese, os princípios da "família tradicional" e do "verdadeiro partido conservador do Brasil", que é o slogan Republicanos.
Coincidentemente ou não, o vice-governador Ricardo Ferraço (MDB) e o prefeito de Vila Velha, Arnaldinho Borgo (sem partido), publicaram, na quinta-feira (15), fotos com suas respectivas esposas no Instagram, em celebração ao Dia da Família.
Os dois são potenciais adversários de Pazolini na corrida pelo Palácio Anchieta.
O secretário estadual de Meio Ambiente, Felipe Rigoni (União Brasil), foi mais ousado. "Você viu o que aconteceu no Piauí? Até eu vi", afirmou Rigoni, que é cego, em vídeo publicado também no Instagram. Mas, calma, em seguida ele revelou que falava do desmatamento naquele estado, que aumentou.
Mas esse tipo de provocação pode tirar votos de alguém? Minha aposta, considerando outros políticos capixabas conservadores envolvidos em situações similares, é: não.
O eleitor do Espírito Santo é bastante complacente, ao menos quando se trata de um político homem, e tem memória curta.
O que tudo isso causa, evidentemente, é constrangimento, vergonha alheia e uma crise de imagem, ainda que temporária.
E, sim, memes.
É algo positivo para o prefeito e para a vice? De forma alguma.
Na ocasião, ele acabou agredido com um pedaço de pano. Não estou dizendo que os outros envolvidos nesse caso estavam certos. É preciso fazer essa observação.
Tudo isso num momento crucial da "pré-pré-campanha" do prefeito. Ele quer disputar o Palácio Anchieta no ano que vem e, com a ajuda do secretário municipal de Governo, Erick Musso, presidente estadual do Republicanos, busca aliados para a batalha.
Pazolini tem ido a municípios do interior do estado e feito contato com lideranças locais, para ganhar musculatura fora da Grande Vitória. Ele precisa do apoio de políticos com capilaridade nessas regiões e de alianças partidárias sólidas.
Nesta sexta-feira (16), por exemplo, Pazolini e Erick estiveram em Colatina e foram recebidos pelo prefeito Renzo Vasconcelos, presidente estadual do PSD. O partido tem uma importância estratégica, já que está prestes a filiar o ex-governador Paulo Hartung.
O QUE DIZ PAZOLINI
O prefeito, até agora, em relação ao vídeo gravado no Piauí, manifestou-se apenas ao republicar, nos stories do Instagram, o texto de um site do interior do Espírito Santo com o seguinte título/argumento: "Mão no ombro virou 'intimidade' no caso do prefeito Pazolini, líder das pesquisas no ES".
Depois, ele apagou o story.
O prefeito foi procurado pela coluna, por meio da assessoria de imprensa da Prefeitura de Vitória, mas preferiu não falar sobre o assunto.
QUEM PAGOU
Houve questionamentos também em relação aos custos da viagem que levou Pazolini e Cris ao Piauí.
O vereador de Vitória Darcio Bracarense (PL), por exemplo, levantou essa questão.
Em resposta à reportagem de A Gazeta, a Prefeitura de Vitória informou que nenhuma passagem aérea ou diária foi paga pelos cofres públicos para o prefeito no período entre 11 de abril e 14 de maio de 2025.
Em relação a Cris, a PMV informou que ela nunca usou passagens ou diárias desde que chegou à administração municipal, em 1º de janeiro de 2025.
AUSÊNCIA
Prefeito e vice estavam ausentes da cidade ao mesmo tempo. Pode isso? De acordo com a Lei Orgânica de Vitória, o prefeito precisa de autorização da Câmara apenas para se ausentar do país por mais de 15 dias.
Fora isso, ele não é obrigado a repassar o cargo para a vice-prefeita. E, convenhamos, a ausência de um ou dois dias não faria a administração parar. É possível assinar documentos eletronicamente, por exemplo.
HIERARQUIA
Há ainda o fato de a vice-prefeita ser também secretária municipal de Desenvolvimento, ou seja, servidora da prefeitura subordinada ao chefe do Executivo municipal.
Mas o fato de ela ter mandato, ter sido eleita junto com o prefeito, lhe dá certa autonomia.
TEORIA DA CONSPIRAÇÃO
Aliados de Pazolini, nos bastidores, chegam a conjecturar que a gravação do vídeo no Piauí foi obra de adversários do prefeito, uma tentativa de prejudicá-lo. Não posso afirmar que sim nem não.
É verdade que o vídeo viralizou com a ajuda de opositores políticos e que os comentários mais ácidos feitos nas redes sociais partem de pessoas ligadas a esses adversários.
Mas Pazolini é uma figura pública e não é improvável que outro capixaba, aleatoriamente, estivesse no mesmo show e, ao perceber a presença do republicano e da vice, tenha feito as imagens. Afinal, há registros de pessoas do estado como testemunhas de diversos eventos, alguns até no exterior e mais trágicos.
Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiaria no Gazeta Online/ CBN Vitoria. Em 2008, passou a atuar como reporter da radio. Em 2012, migrou para a editoria de Politica de A Gazeta, tambem como reporter. Exerceu a funcao de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Leticia Goncalves.