A plenária do PT estadual para discutir um "projeto alternativo para o Espírito Santo", realizada neste sábado (11), foi marcada por recados enviados ao governador
Renato Casagrande (PSB) e à direção nacional do próprio Partido dos Trabalhadores.
"Que eles fiquem com o ônus de retirar nossa candidatura. Não quero afrontar a nacional, mas quero mandar um recado: se isso acontecer o ônus é de vocês, não da militância", complementou.
A plenária, originalmente, seria o lançamento da pré-candidatura do senador. O evento foi "rebaixado". Um dos sinais de que o nome de Contarato pode não aparecer nas urnas no dia 2 de outubro.
Na prática, no entanto, o momento foi de exaltar o senador como candidato ao governo e de rechaçar o apoio a Casagrande. PT e PSB estão alinhados nacionalmente, como denota a chapa Lula-Alckmin, mas no estado a direção do PT e os filiados não querem repetir a parceria.
O fato de Contarato ter aparecido com 11% na
pesquisa Ipec divulgada em maio, figurando em segundo lugar na disputa, agitou os ânimos. "É uma candidatura competitiva", ressaltou o deputado federal
Helder Salomão (PT). Ele avalia que, se mantido um certo respeito entre as campanhas do governador e do senador, nada impede que haja dois palanques de centro-esquerda.
Devido a tratativas de apoio em outros estados, no entanto, a direção nacional do PT pode soltar a mão de Contarato.
PSB e PT definiram a próxima quarta-feira (15) como o dia decisivo para aparar essas arestas.
Em entrevista à coluna pouco antes de discursar, neste sábado, Contarato avaliou que há a possibilidade de a data não ser assim tão conclusiva. Ele segue defendendo que o PT tenha candidatura própria, principalmente para garantir um espaço de destaque para pedir votos para o ex-presidente Lula.
"O presidente Lula merece um palanque efetivamente progressista", afirmou. Ou seja, o palanque de Casagrande deixaria a desejar.
Questionado sobre a possibilidade de apoiar publicamente a reeleição do governador, caso a nacional retire a candidatura do PT no Espírito Santo, o senador preferiu não adiantar qualquer posicionamento:
"Esse é um fato que eu não trabalho neste momento. Não tem plano B. O que vai acontecer depois eu não sei".
No evento, Contarato foi ovacionado como "futuro governador" e, por várias vezes, foi entoado o grito de guerra, que depois virou um jingle improvisado: "Lula lá, Contarato cá".
Mais que isso. Da plateia, ouviam-se gritos contrários a Casagrande. "A gente não quer esse cara governando o estado", gritou uma mulher. Até mesmo nos discursos de alguns militantes esse era o espírito da coisa: "Esse cara (Casagrande) não pode ser a nossa opção. Sem Contarato nosso voto é nulo".
"A posição do diretório estadual na manutenção da sua candidatura é unânime", afirmou a deputada estadual
Iriny Lopes (PT), dirigindo-se ao senador. "Tenho certeza que convenceremos a direção nacional", complementou.
Única vereadora do PT em Vitória,
Karla Coser disse que a filiação de Contarato ao partido fez as pessoas, para além da militância, voltarem a ter orgulho de usar a camisa do partido.
Para o ex-prefeito de Vitória
João Coser, a disputa pela Prefeitura de Vitória, em 2020, em que o PT chegou ao segundo turno, com o próprio Coser, "foi o início da retomada". "Perdemos a eleição em Vitória, mas ganhamos politicamente", avaliou.
O clima na plenária era de que este é "o" momento do PT local, logo, seria um tiro no pé retirar o nome de Contarato da corrida pelo Palácio Anchieta.
"Estamos dependentes da direção nacional", resumiu o ex-prefeito.