Curtas políticas: "Dois juízes, não dois bandidos", diz desembargador sobre magistrados presos
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Curtas políticas: "Dois juízes, não dois bandidos", diz desembargador sobre magistrados presos
E mais: TJES vai eleger candidatos a desembargador e promover juízes (não os presos); a guerra dos combustíveis chegou ao ES; Marcelo Santos sofre derrota no TSE; Casagrande entra em campo para acalmar aliados; vítimas da Covid vão ser homenageadas
Publicado em 30 de Outubro de 2021 às 02:00
Públicado em
30 out 2021 às 02:00
Colunista
Letícia Gonçalves
lgoncalves@redegazeta.com.br
Juízes Alexandre Farina e Carlos Alexandre Gutmann foram afastados dos cargos pelo TJES e estão presos preventivamenteCrédito: Reprodução/Redes Sociais
O voto de Silva causou estranheza, já que ele não é o relator do caso e sim a desembargadora Elisabeth Lordes.
"Soltos (os denunciados) podem desaparecer com as provas? Se existissem, a acusação já as teria revelado. Não me parece robusto o receio de reiteração delitiva. Simplesmente decretar a prisão é tornar a prisão preventiva regra e não exceção", afirmou o desembargador.
"Estou revogando as prisões", votou, o que beneficiaria também outros acusados, como o empresário Eudes Cecatto, denunciado na Alma Viva como quem comprou a sentença negociada.
"NÃO SE JUSTIFICA"
O desembargador sustentou que o artigo 316 do Código de Processo Penal estabelece que as prisões preventivas devem ser revisadas a cada 90 dias e pontuou que a relatora não havia feito isso. "As prisões foram decretadas pelo Tribunal de Justiça no dia 29/07/2021", lembrou.
"Por mais graves os crimes e por mais fortes os indícios de autoria, não se justifica prisão preventiva", argumentou.
NÃO É BEM ASSIM
Ocorre que depois de presos, os juízes foram soltos e presos de novo. Em 5 de agosto o Superior Tribunal de Justiça (STJ) mandou soltar Farina. No dia seguinte, determinou o mesmo em relação a Gutmann.
Já no dia 28 de setembro, o próprio STJ revogou as liminares (decisões provisórias) e os colocou novamente atrás das grades (na verdade no Quartel da PM).
"Não desconheço o teor do artigo 316 do CPP. Tem que ser 90 dias (contados a partir) da última prisão. Não fiz essa reavaliação porque a prisão foi restaurada pelo STJ em 28 de setembro. Entendo que os 90 dias têm que ser contados do prazo da última prisão, decretada pelo STJ.
"DOIS JUÍZES, NÃO DOIS BANDIDOS"
"Estamos tratando de dois juízes e não de dois bandidos. Voto no sentido de colocá-los imediatamente em liberdade", afirmou o desembargador Robson Luiz Albanez.
NADA FEITO
A questão de ordem proposta por Willian Silva, de se avaliar a soltura dos denunciados na Alma Viva não foi acolhida pelo Tribunal Pleno. Farina segue preso no Quartel da PM. Gutmann está em prisão domiciliar. O benefício foi concedido pelo TJ para que o juiz possa cuidar das filhas.
O TJES deve eleger, no dia 19 de novembro, uma sexta-feira, ou no dia 22, uma segunda-feira, a lista tríplice com os nomes de membros do Ministério Público Estadual que vão disputar uma cadeira de desembargador na Corte.
Além dessa vaga, há outras em aberto e que podem ter os titulares escolhidos no mesmo dia, se der tempo. Duas cadeiras que cabem à magistratura estão sem titulares desde 2015. E há mais uma, também a ser preenchida por um juiz, que surgiu após a aposentadoria do desembargador Sérgio Bizzotto. Ele se despediu do TJES em junho.
Das vagas da magistratura, duas devem ser preenchidas pelo critério de merecimento e uma por antiguidade. Em relação a esta, o nome já é certo. A juíza mais antiga em atividade na Justiça estadual é Rachel Durão.
Está tudo muito caro. Talvez seja apenas coincidência, mas ano que vem tem eleição. O governador Renato Casagrande (PSB), embora diga que ainda não decidiu se vai tentar a reeleição, é dado como certo na disputa. Erick Musso também se movimenta, diz que "o futuro a Deus pertence". Pode tentar uma cadeira na Câmara Federal ou mesmo o Palácio Anchieta no ano que vem.
"SOU PRISIONEIRO DO ACORDO QUE FIZ COM ELE"
Aliás, questionado pela coluna sobre a relação com o presidente da Assembleia, Casagrande reafirmou que os dois têm um acordo pela "estabilidade". Basicamente, em troca do apoio à reeleição de Erick no comando da Casa, o Palácio espera que não haja entraves à tramitação de projetos do governo, o que de fato, (ainda) não aconteceu.
"Por decisão dele (Erick) de buscar um projeto eleitoral ele faz criticas. Liguei para ele para falar do projeto da educação (reajuste para o magistério). Ele pode seguir o que achar maios adequado. Eu, de minha parte, vou continuar prisioneiro do acordo que fiz com ele, de estabilidade. Só vou decidir se vou ser candidato lá na frente. O partido quer, mas só decido em maio, junho do ano que vem", asseverou Casagrande.
Quanto ao descontentamento de deputados estaduais, inclusive os da base do governo, em relação a movimentações de secretários de estado que devem se candidatar no ano que vem, concorrendo com os atuais parlamentares, o governador sinalizou que pode vir puxão de orelha por aí: "Se tiver ajuste para ser feito em termos de comportamento e conduta (dos secretários), farei".
"Quem é pré-candidato dentro do governo que seja um movimento leve e respeitoso com nossos aliados", orientou.
Os deputados criticam, principalmente nos bastidores, os secretários de Governo, Gilson Daniel (Podemos), que é pré-candidato a deputado federal, e Tyago Hoffmann (PSB), possível candidato a estadual.
O próprio Casagrande já entrou em campo, assim como o secretário de estado da Casa Civil, Davi Diniz, para acalmar os ânimos na Assembleia.
BOSQUE DA MEMÓRIA
O governador está na Escócia, para participar da COP-26 (26ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas). Quem comanda o Executivo estadual, por uma semana, é Jacqueline Moraes (PSB), vice-governadora e agora governadora em exercício.
No dia 2, Dia de Finados, ela deve lançar o Bosque da Memória. A ideia é plantar árvores nativas da mata atlântica em homenagem a pessoas que morreram vítimas da Covid-19.
O bosque vai ser na Fazenda Experimental Reginaldo Conde, uma área do Incaper localizada em Viana.
"Simbolicamente, é uma homenagem às vítimas e aos familiares delas, unindo à questão do meio ambiente e à importância de preservação da mata atlântica", destacou Jacqueline, à coluna.
DERROTA NO TSE
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) negou pedido do deputado estadual Marcelo Santos para que a Corte considerasse que havia justa causa para a saída dele do PDT. Para trocar de partido fora da janela aberta em ano eleitoral é preciso um motivo forte. Do contrário, há infidelidade partidária, que pode resultar na perda do mandato.
O PDT recorreu da decisão. A sigla quer ver Marcelo fora da Assembleia. No lugar dele, assumiria a ex-deputada Sueli Vidigal (PDT), como suplente.
O inteiro teor da decisão do TSE ainda não foi disponibilizado, apenas o resumo: "O Tribunal, por unanimidade, deu provimento ao recurso ordinário, para julgar improcedente o pedido na ação de declaração de justa causa para desfiliação partidária".
DEFESA VAI RECORRER E DIZ QUE MANDATO ESTÁ GARANTIDO
"A defesa, respeitando a Corte, levará ao conhecimento do próprio Tribunal, entendendo, ainda, que a forma como se processou o julgamento merecerá apreciação do Supremo Tribunal Federal. Além disso, cabe destacar que a decisão ora proferida pelo TSE não implica em perda de mandato do deputado estadual Marcelo Santos, visto que a ação foi proposta pelo próprio parlamentar e será alvo de recurso em instâncias superiores, bem como que a ação que busca a perda do mandato, promovida pelo PDT, sequer teve sua instrução iniciada no âmbito do Tribunal Regional Eleitoral", afirmou o advogado Bruno Dall'Orto.
Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiaria no Gazeta Online/ CBN Vitoria. Em 2008, passou a atuar como reporter da radio. Em 2012, migrou para a editoria de Politica de A Gazeta, tambem como reporter. Exerceu a funcao de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Leticia Goncalves.