Desconhecido, Erick Musso tenta viabilizar candidatura ao governo do ES
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Desconhecido, Erick Musso tenta viabilizar candidatura ao governo do ES
Presidente da Assembleia Legislativa repetiu que "a segurança pública está na UTI", mas ainda não apresentou propostas. Aposta do Republicanos é que, por não ser conhecido por 85% dos capixabas, ele pode crescer na disputa
Publicado em 14 de Dezembro de 2021 às 02:10
Públicado em
14 dez 2021 às 02:10
Colunista
Letícia Gonçalves
lgoncalves@redegazeta.com.br
O presidente nacional do Republicanos, Marcos Pereira, o deputado federal Amaro Neto, o presidente estadual do partido, Roberto Carneiro e, ao microfone, o presidente da Assembleia Legislativa, Erick Musso, em entrevista coletivaCrédito: Léo Duarte/Divulgação
O anúncio foi feito em um hotel de Vitória e ao lado de Marcos Pereira estavam os principais nomes locais do partido, entre eles Erick.
O deputado estadual, de acordo com ele mesmo, apesar de estar no terceiro mandato à frente da Assembleia, é desconhecido por 85% da população capixaba. Logo, tem um longo caminho pela frente para viabilizar a candidatura. Não à toa colocou-se no jogo ainda em 2021.
Aliás, vinha dando sinais disso muito antes desta segunda. Pouco antes de ser reeleito presidente da Casa, com o apoio do Palácio Anchieta, em fevereiro, afirmou que ajudaria o governador Renato Casagrande (PSB) a "carregar o piano".
Pouco depois, passou a criticar o governo, principalmente quanto à área da segurança pública. Nesta segunda, em conversa com a coluna, voltou a dizer que "a segurança pública está na UTI". Mas o que propõem Erick Musso?
"A política pública efetiva é aquela que cuida das pessoas. É importante que tenha uma gestão fiscal equilibrada, mas sem esquecer de cuidar das pessoas", afirmou, em entrevista coletiva.
Para o presidente nacional do Republicanos, o ciclo de Casagrande e do ex-governador Paulo Hartung (sem partido), que se revezam no poder no estado desde 2002, está chegando ao fim. Ele frisou não tratar-se de uma crítica, mas de uma constatação, e que Erick Musso representaria "o novo".
Curiosamente, Erick, pupilo de Hartung, ao falar em "cuidar das contas e das pessoas" repetiu termos muito usados pelo ex-governador. O mais curioso ainda é que Hartung foi criticado por Casagrande e outros adversários justamente por, segundo eles, dar mais atenção às contas que às pessoas.
Mas, enfim, o que propõe Erick Musso na área da segurança pública, tão criticada por ele?
"A proposta nós temos que construir a partir de agora. Tenho as minhas convicções, que no momento certo vou colocar, mas está público e notório que está tendo um sangramento da segurança pública no Espírito Santo. Costumo dizer que a segurança pública está na UTI", respondeu o pré-candidato, após ser questionado pela coluna.
Como presidente da Assembleia, Erick Musso é quem decide o que vai ser pautado na Casa. Isso quer dizer que é quem dita o ritmo da tramitação dos projetos enviados pelo governador. E poderia complicar a vida do socialista em pleno ano eleitoral.
O deputado garantiu que não vai emperrar as propostas: "Absolutamente. Temos responsabilidade institucional. O interesse público está acima de qualquer interesse político ou partidário. A responsabilidade institucional não me permite misturar as coisas. Isso não faremos por ter responsabilidade com o Espírito Santo".
Marcos Pereira também adiantou que Erick "vai percorrer os 78 municípios" em pré-campanha.
Como então vai tocar os trabalhos na Assembleia? Na hora da sessão desta segunda, como já mencionado, ele estava em um evento partidário.
Lembrado disso e questionado pela coluna, o presidente da Assembleia afirmou que vai exercer os dois papéis "trabalhando muito, quinta, sexta, sábado e domingo. Fazendo o que a gente pode fazer, mas cumprindo com nosso dever de conduzir a Assembleia Legislativa". Então tá.
"Para ser uma candidatura competitiva, ele tem que chegar, lá na frente (até julho) com pelo menos dois dígitos (de intenção de voto em pesquisas)"
Marcos Pereira - Deputado federal e presidente nacional do Republicanos
CONVERSAS COM OUTROS PARTIDOS
A pré-candidatura de Erick foi aprovada pela Executiva estadual do partido e endossada pela nacional. De acordo com Pereira, já há até tratativas com outros partidos, que integraram a coligação que elegeu Lorenzo Pazolini (Republicanos) prefeito de Vitória no ano passado: PSDB, MDB e Patriota.
A ideia é forjar alianças no campo da centro-direita. Siglas como PT, PCdo B e Psol estão barradas. Não que tivessem interesse em apoiar Erick Musso, mas este fez questão de explicitar esses vetos.
HARTUNG
Erick Musso foi eleito deputado estadual pela primeira vez em 2014 e passou a ser o parlamentar mais jovem da Assembleia, na época. Hoje ele tem 34 anos, mesma idade do deputado estadual Alexandre Xambinho (PL).
Aproximou-se de Hartung que, em 2016, o apoiou, já na reta final da campanha, na disputa pela prefeitura de Aracruz.
Erick perdeu no próprio reduto eleitoral. Na ocasião, recebeu 26,5% dos votos e ficou em segundo lugar, bem distante de Jones Cavaglieri (SD), que sagrou-se vencedor.
Em 2018, no entanto, foi reeleito deputado e comanda a Assembleia desde 2017.
"Todo mundo sabe que eu tenho uma ótima relação com o Paulo. Não cheguei a conversar com ele sobre essa pré-candidatura, mas é uma figura que com certeza não tenho problema nenhum em conversar num futuro próximo", afirmou Erick Musso à coluna.
"SE VINGAR"
Erick Musso também conversa com outros pré-candidatos ao governo, como Audifax Barcelos (Rede) e Guerino Zanon (MDB), e diz que a pré-candidatura não é "irreversível".
O deputado federal Amaro Neto (Republicanos), que pode disputar a reeleição ou o Senado, avalia que tudo depende se a candidatura de Erick ao governo vai "vingar".
"Se vingar a candidatura do Erick, se crescer, ganhar musculatura e adesão de outros partidos, não dá para ter dois candidatos do Republicanos (um ao Senado e um ao governo). Apesar de eu ter visto o presidente (Marcos Pereira) falando que, dependendo da situação, há condição, sim, tudo vai ter que ser decidido mais à frente. E não estou focado em eleição agora", resumiu Amaro.
O FATOR BOLSONARO
O Republicanos, hoje, integra a base de apoio ao presidente Jair Bolsonaro (PL). De acordo com Marcos Pereira, no entanto, não vai haver "verticalização" de alianças. Assim, ainda que o partido endosse a candidatura à reeleição do presidente da República, Erick Musso não teria que fazer o mesmo.
Mas o presidente do Republicanos não bota muita fé no destino eleitoral de Bolsonaro. Lembrou que o próprio presidente da República, vez ou outra, diz que pode não disputar o pleito.
VOTOS
Mas voltemos ao cenário local. Em 2018, Erick Musso foi reeleito com 21.188 votos. O deputado estadual mais votado, Sergio Majeski (PSB), alcançou 47.015.
Casagrande – obviamente ele fez campanha para ser eleito governador e não deputado e trata-se de outro contexto, mas só para se ter uma noção – foi alçado ao Palácio Anchieta, naquele ano, por 1.072.224 eleitores.
Uma das estratégias do Republicanos é usar a Prefeitura de Vitória como vitrine, louvando os feitos de Pazolini, que ainda não completou um ano de mandato. Aliás, o prefeito da Capital também disse que vai percorrer o Espírito Santo em apoio ao colega de partido.
Marcos Pereira avalia que, justamente por ser desconhecido, Erick tem chance de crescer. É uma teoria que começa a ser testada na prática.
Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiaria no Gazeta Online/ CBN Vitoria. Em 2008, passou a atuar como reporter da radio. Em 2012, migrou para a editoria de Politica de A Gazeta, tambem como reporter. Exerceu a funcao de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Leticia Goncalves.