E dois deles chamam a atenção, pelo histórico. O deputado estadual Theodorico Ferraço (PP), aos 86 anos de idade, vai em busca do quinto mandato como chefe do Executivo municipal. Já o advogado Diego Libardi, que concorreu em 2020, vai tentar mais uma vez.
Quatro anos atrás, Libardi foi candidato pelo DEM, partido de Theodorico, na época. Os dois eram aliados. O veterano político do Sul do Espírito Santo foi padrinho político do advogado, mas os dois romperam quando Libardi decidiu se filiar ao Republicanos e alçar voo solo.
Em menos de 90 dias, em outubro, criador e criatura vão disputar diretamente os votos dos cachoeirenses.
"Fui padrinho político dele, mas isso foi desfeito em cartório quando ele assinou ficha em outro partido, o que ele achou mais conveniente para seus interesses políticos", afirmou Theodorico, na segunda-feira (8), em entrevista à coluna.
O deputado, até recentemente, passava por problemas de saúde, tanto que participava das sessões da Assembleia Legislativa de forma virtual e não presencial.
Mas ele garantiu que já está recuperado, com fôlego para disputar a eleição e, se eleito, administrar a prefeitura:
"Estou rigorosamente bem, apenas com um problema no joelho, para o qual faço tratamento, 80% das pessoas têm problema no joelho. Estou com a saúde totalmente refeita".
Ele conta, além do próprio partido, o PP, com os apoios de Novo — que é a legenda do vice na chapa, Juninho da Cofril — MDB e PMB.
Theodorico decidiu disputar a prefeitura de Cachoeiro após o recuo de Juninho. Filiado ao PL, seria ele o candidato a prefeito, mas, por determinação da cúpula nacional do partido, o PL não pode se coligar com siglas que não se apresentem estritamente como de direita. Assim, o MDB e eventuais outros aliados, ficariam de fora.
Com o palanque enfraquecido, Juninho preferiu sair da jogada. Até anunciou que viraria padre, uma antiga vocação. Depois, recuou. Migrou para o Novo para ser vice de Theodorico.
"Decidi disputar por amor ao povo de Cachoeiro. Assumo o compromisso de desenvolver uma política de experiência, junto com a mocidade do Juninho", afirmou o pré-candidato do PP.
Theodorico foi prefeito da cidade por 16 anos e deixou o cargo, na vez mais recente, em 2004.
Na conversa com a coluna, uma das palavras que o pré-candidato mais mencionou foi "união". Ele afirmou que, se eleito, vai dialogar com os governos estadual e federal e com as forças políticas locais, inclusive os atuais adversários.
"Tenho amigos no PT e no PL. Precisamos de uma candidatura sem a marca da intransigência partidária e em prol da união de Cachoeiro."
Enquanto isso, Diego Libardi, embora faça oposição ao atual prefeito de Cachoeiro, Victor Coelho (PSB), angaria apoio de casagrandistas, como os deputados estaduais Bruno Resende (União Brasil) e Allan Ferreira (Podemos).
Quem também está ao lado dele é o deputado federal e correligionário Amaro Neto.
O slogan da pré-campanha de Libardi, que tem 40 anos de idade, é "Energia para renovar".
Em 2020, ele ficou em segundo lugar no pleito municipal, com 17.299 votos (17,74%). Victor Coelho foi reeleito com 51.926 votos (53,25%).
Em 2022, já no Republicanos, Libardi concorreu a uma vaga na Câmara dos Deputados, sem sucesso. Recebeu 18.784 votos.
Naquele ano, concorreu contra a ex-deputada federal Norma Ayub (PP), esposa de Theodorico e sua ex-aliada. Norma foi a escolha de 37.913 eleitores, mas também ficou sem uma cadeira no parlamento.
O pré-candidato a prefeito de Cachoeiro saiu do secretariado em abril de 2024. Foi preciso se desincompatibilizar da função para participar do pleito deste ano.
Ele já havia ocupado outro cargo comissionado, como superintendente do Ibama no Espírito Santo, entre 2019 e 2020, no governo Jair Bolsonaro (PL).
O republicano tem o apoio, além do próprio partido, do União Brasil, do Agir, do Podemos, do PRD e do PSD de Cachoeiro.
A coluna tentou entrevistar Libardi nesta segunda-feira (8), mas não houve retorno até a publicação deste texto.
Além de Theodorico Ferraço e Diego Libardi, são pré-candidatos a prefeito de Cachoeiro:
Carlos Casteglione (PT) - foi prefeito de Cachoeiro por dois mandatos (2009 - 2012 e 2013-2016). Derrotou Theodorico nas urnas em 2008.
Leonardo Camargo (PL) - tornou-se o pré-candidato do partido do ex-presidente Jair Bolsonaro após a desistência de Juninho da Cofril. É vereador de Cachoeiro.
Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiaria no Gazeta Online/ CBN Vitoria. Em 2008, passou a atuar como reporter da radio. Em 2012, migrou para a editoria de Politica de A Gazeta, tambem como reporter. Exerceu a funcao de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Leticia Goncalves.