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Eleições 2024

Guerra religiosa e ideológica não provocou reviravolta na Serra

Weverson Meireles (PDT) confirmou favoritismo ao ser eleito neste domingo (27). Mas a campanha protagonizada por ele e por Pablo Muribeca (Republicanos) foi de um nível mais baixo no 2° turno do que no primeiro

Publicado em 28 de Outubro de 2024 às 03:00

Públicado em 

28 out 2024 às 03:00
Letícia Gonçalves

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Letícia Gonçalves

lgoncalves@redegazeta.com.br

Weverson Meireles (PDT) e Pablo Muribeca (Republicanos) disputaram 2º turno na Serra
Weverson Meireles (PDT) e Pablo Muribeca (Republicanos) disputaram 2º turno na Serra Crédito: Vitor Jubini e Carlos Alberto Silva/A Gazeta
No início de setembro, cerca de um mês antes do primeiro turno das eleições de 2024, Weverson Meireles (PDT) tinha 14% das intenções de voto, de acordo com o Ipec. Na reta final da corrida, chegou a 29%. No dia do pleito, foi escolhido por 39% dos eleitores e passou ao segundo turno como o mais votado.
Na segunda etapa do pleito, liderou as pesquisas contra Pablo Muribeca (Republicanos). No sábado (26), o Ipec cravou que o pedetista seria eleito com 60%. E, finalmente, no domingo (27), Weverson saiu-se vencedor, com 60,48% dos votos.
Os temas e as estratégias do segundo turno foram diferentes e a disputa, mais acirrada e de nível mais baixo. Mas isso não foi suficiente para suplantar a vantagem do pedetista.
Na primeira etapa do pleito, o protagonismo foi de assuntos mais afeitos ao dia a dia da cidade e aos serviços municipais, além do debate sobre necessidade ou não de renovação no comando da prefeitura.
PT e PL tinham candidatos, Professor Roberto Carlos e Igor Elson, respectivamente. Então coube a eles fazer o discurso mais ideológico.
Só que isso não teve muito peso na campanha. Tanto que o petista e o candidato do PL colheram resultados tímidos nas urnas. Igor, 7,66% dos votos e Roberto Carlos, 3,07%.
No segundo turno, petistas e bolsonaristas escolheram lados, ainda que extraoficialmente. E o tom da campanha mudou.
Muribeca e aliados, vários deles do PL, deram foco a temas como “pauta LGBT” — com desinformação e críticas a quaisquer menções a políticas públicas voltadas a esse segmento — e insuflaram uma “guerra santa” em que o apoio de pastores evangélicos parecia importar muito.
Também atacaram o fato de Roberto Carlos e o PT da Serra terem orientado voto em Weverson. O objetivo foi mobilizar o sentimento antipetista dos eleitores.
Weverson, por sua vez, reagiu curvando-se a tudo isso como forma de contra-ataque.
O PDT repudiou o PT publicamente na Serra; Weverson assinou uma carta-compromisso com pastores em que prometeu não apoiar nenhuma “pauta que contrarie a palavra de Deus” e, por fim, deletou do plano de governo todas as menções à sigla LGBT, ainda que tais menções fossem quase protocolares.
Em um dos últimos lances da disputa no segundo turno, um traficante foi baleado em meio a uma carreata de Muribeca, em Central Carapina. Logo após ouvir o barulho dos disparos, o então candidato a prefeito publicou um vídeo nos stories do Instagram dizendo ter sido vítima de uma tentativa de homicídio — em seguida, apagou o vídeo — e até registrou, num boletim de ocorrência, que “era o alvo” do ataque.
No dia seguinte, Muribeca prestou depoimento. A Polícia Civil revelou que não houve atentado algum e sim uma rusga entre gangues rivais sem nenhuma conotação política.
Weverson usou a história contra o adversário no debate da TV Gazeta, 48h antes da votação no segundo turno e o acusou de “tentar enganar a polícia”.
Os piores momentos da campanha, na minha avaliação, foram a exclusão dos LGBT do plano de governo de Weverson e o atentado contra Muribeca que foi sem nunca ter sido.
Como o pedetista chegou ao segundo turno com 35 mil votos a mais que Muribeca, a mudança de tom na corrida teve o objetivo de provocar uma virada.
Houve reviravolta em 12 das 51 cidades que tiveram segundo turno no país em 2024. Na Serra, não.
Espero que a gestão e a oposição municipais, a partir de janeiro de 2025, não sejam pautadas pelos temas e estratégias da campanha eleitoral, ou teremos um retrocesso civilizatório permanente, em vez de pontual.

Letícia Gonçalves

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiaria no Gazeta Online/ CBN Vitoria. Em 2008, passou a atuar como reporter da radio. Em 2012, migrou para a editoria de Politica de A Gazeta, tambem como reporter. Exerceu a funcao de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Leticia Goncalves.

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