Lorenzo Pazolini: "Nunca disse que sou pré-candidato"
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Lorenzo Pazolini: "Nunca disse que sou pré-candidato"
Em entrevista exclusiva à coluna, prefeito de Vitória fala, sim, da pré-candidatura ao governo do ES. Só não a conjuga na primeira pessoa
Publicado em 11 de Dezembro de 2025 às 03:36
Públicado em
11 dez 2025 às 03:36
Colunista
Letícia Gonçalves
lgoncalves@redegazeta.com.br
Lorenzo Pazolini (Republicanos), prefeito reeleito de VitóriaCrédito: Divulgação/PMV
O prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini (Republicanos), colocou o bloco na rua como pré-candidato ao governo do Espírito Santo desde janeiro de 2025, ou seja, pouco depois de ter sido reeleito para comandar o Executivo municipal.
Ao lado de aliados como o presidente estadual do Republicanos, Erick Musso, e o deputado federal Evair de Melo (PP), o prefeito percorre, aos finais de semana, diversos municípios do interior. Isso é parte da estratégia para conquistar apoio eleitoral para além da Capital.
Pazolini faz tudo que um pré-candidato faria e por isso é assim tratado pela imprensa, por aliados e concorrentes. Mas, no discurso, é mais discreto, "low profile".
"Não tem nem pré-candidatura posta. Eu nunca disse que sou pré-candidato, nunca afirmei isso a ninguém", observou Pazolini, em entrevista exclusiva concedida à coluna na quarta-feira (10).
A conversa foi breve, pouco antes da cerimônia de posse da nova Mesa Diretora do Tribunal Regional Eleitoral (TRE-ES), à qual ele compareceu. O prefeito esquivou-se de todas as perguntas, evitando, assim, declarações enfáticas a respeito do processo eleitoral.
É um estilo mais comedido, ao menos publicamente, do que as táticas adotadas por seus potenciais oponentes, o vice-governador Ricardo Ferraço (MDB), prefeito de Vila Velha Arnaldinho Borgo (PSDB) e o deputado federal Helder Salomão (PT).
De fato, Pazolini nunca disse "sou pré-candidato". O mais perto que chegou disso foi no dia 16 de abril deste ano quando, ao prestar contas à Câmara Municipal, admitiu disputar o governo, "mas só se for para ser coletivo, só se for uma construção macro no Espírito Santo".
Mas, como já explicitado aqui, que os eleitores não se enganem: Pazolini é candidatíssimo, ao menos até agora. Tanto que frequentemente compartilha o resultado de pesquisas eleitorais, ao menos as que o mostram bem posicionado.
Na entrevista concedida à coluna, o prefeito cita diversas vezes "a pré-candidatura", só não a conjuga na primeira pessoa do singular.
Tradicionalmente, considerando as outras disputas das quais participou — para deputado estadual, em 2018, para prefeito, em 2020, e para prefeito novamente em 2024 —, Pazolini costuma deixar anúncios e declarações mais enfáticas para os 45 do segundo tempo.
O ponto de corte decisivo vai ocorrer no início de abril de 2026, já que, para participar do pleito, ele vai ter que renunciar ao mandato até esse prazo.
Por enquanto, é refratário a conceder entrevistas sobre o cenário eleitoral e, quando o faz, é assim:
Como estão as movimentações da sua pré-candidatura? O senhor já considera que está consolidado? E quanto às alianças com partidos e lideranças políticas?
Estou focado nas entregas, especialmente neste mês agora, Natal, Arena de Verão, réveillon ... tenho me dedicado integralmente a isso. O presidente Erick Musso e o presidente (nacional do Republicanos) Marcos Pereira têm se debruçado mais sobre as questões relativas à pré-candidatura.
Eles que tocam isso no dia a dia. Então eles têm autonomia, eles fazem esse esse trabalho político, aqui e em Brasília. Eu me reúno com eles para reuniões de alinamento e para ouvir, dialogar, mas eles têm feito esse trabalho.
Mas o senhor também tem percorrido municípios do Espírito Santo nessa pré-campanha.
Sim, tenho percorrido os municípios, buscando entender as dificuldades, os desafios, a realidade local junto às lideranças locais, associações de moradores, associações comerciais, associações de agricultores, enfim, segmentos que representam os 78 municípios, também prefeitos, vereadores.
Tentando entender onde nós podemos ser melhores, onde o poder público pode estar mais ativo, onde o poder público pode ter mais políticas públicas e quais as formas de melhorar a vida das pessoas.
Alguns atores políticos avaliam, até com base em pesquisas qualitativas, que o eleitor do Espírito Santo está em busca de um perfil mais jovem, ou de uma renovação. O senhor concorda com essa avaliação?
Eu não tive acesso a essas pesquisas, então não posso dizer nem que sim, nem que não. Não tenho essa informação.
Mas qual estratégia o senhor deve adotar para convencer os eleitores?
Uma estratégia que eu sempre adotei na vida pública, desde quando fui candidato a deputado. Fui candidato deputado sozinho, fiz uma campanha solitária, breve, de andar e ouvir as pessoas. Foi a forma que eu eu virei deputado.
Tive 43.293 votos andando pela cidade, conversando, interagindo, olhando os olhos das pessoas e falando a verdade. Essa é a forma que eu escolhi, que eu gosto de fazer. Sentar, toma um café, vou na feira, tomo um caldo de cana.
Então, assim, é o jeito que eu que eu escolhi fazer. Não estou dizendo que é melhor nem pior que outros, mas é a forma que eu me sinto mais à vontade.
Lorenzo Pazolini e o presidente da Assembleia Legislativa, Marcelo Santos, sentaram-se lado a lado durante a solenidade no TRE-ESCrédito: Letícia Gonçalves
O grupo do governador Renato Casagrande é, podemos dizer, o seu principal adversário e tem, hoje, dois pré-candidatos ao Palácio Anchieta, Ricardo Ferraço e Arnaldinho Borgo. Qual dos dois o senhor prefere enfrentar nas urnas?
Não sei. Eu nunca disse que eu sou pré-candidato, nunca afirmei isso a ninguém.
Eu faço o meu trabalho no dia a dia da prefeitura. Se você olhar minhas agendas, são muito mais em Vitória ao lado da população.
Estou caminhando e aprendendo com o povo, aprendendo com as lideranças locais, vendo os bons exemplos do interior que são úteis aqui na capital também.
Foi muito precoce isso, o processo eleitoral foi deflagrado de maneira muito precoce, não sei por qual razão, por qual motivo, mas a nossa opção sempre foi ouvir e é o que eu tenho feito intensamente.
Não tem uma fala minha, uma declaração minha, você pode verificar. Eu simplesmente estou caminhando, aprendendo, buscando bons exemplos e ouvindo diversas pessoas.
O senhor também tem consultado o ex-governador Paulo Hartung, que já o incentivou e elogiou publicamente?
Eu ouço a todos, indistintamente. Quando vou ao interior, vou sem estrutura nenhuma, chego lá, me apresento às lideranças locais, tento ouvi-las, busco vereador, liderança comunitária, presidente da Câmara, tranquilo. E vou caminhando com eles, é assim a forma como eu caminho.
Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiaria no Gazeta Online/ CBN Vitoria. Em 2008, passou a atuar como reporter da radio. Em 2012, migrou para a editoria de Politica de A Gazeta, tambem como reporter. Exerceu a funcao de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Leticia Goncalves.