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Eleições 2022

No ES, o Bolsoevangelismo se destaca na Marcha para Jesus

Jair Bolsonaro discursou durante evento evangélico em Vitória. "Luta do bem contra o mal" deu o tom

Publicado em 23 de Julho de 2022 às 16:43

Públicado em 

23 jul 2022 às 16:43
Letícia Gonçalves

Colunista

Letícia Gonçalves

lgoncalves@redegazeta.com.br

Presidente Jair Bolsonaro discursou na Praça do Papa em acenos aos evangélicos falando de luta do bem contra o mal, criticando a ideologia de gênero e o aborto
Presidente Jair Bolsonaro discursou na Praça do Papa em acenos aos evangélicos falando de luta do bem contra o mal Crédito: Carlos Alberto Silva
"Quem veio aqui para verdadeiramente adorar ao Senhor diga 'amém'", ouviu-se do trio elétrico postado na Praça do Papa, em Vitória, em meio à Marcha para Jesus. O público gritou "amém". 
O sábado (23) era de céu azul e um sol para cada um.
"Cremos que nossa nação tem que ser governada por homens tementes a Deus", continuou o orador. 
Neste momento, o presidente da República, Jair Bolsonaro (PL), aproxima-se. Ele foi convidado a participar do evento evangélico, que virou uma espécie de palanque itinerante para o pré-candidato à reeleição em diversos estados.
A música dizia "deixa o céu descer" quando foi possível vê-lo em cima do trio. Um prenúncio de que, na verdade, as coisas "do mundo" iriam cada vez mais se imiscuir às espirituais.
Basicamente, nos discursos e até nas orações, Bolsonaro foi alçado a um enviado de Deus, quase o próprio Jesus Cristo. Um novo Messias.
"Teu é o reino, é o poder e a glória para sempre", outro louvor. Muitas palmas. Para Jesus.
Minutos depois, a multidão entoava "Mito, mito". 
Já não tinha a ver com o protagonista do Novo Testamento. Bolsonaro, a primeira-dama Michelle e políticos como o ex-senador Magno Malta (PL), o ex-deputado federal Carlos Manato (PL), os deputados federais Evair de Melo (PP), Neucimar Fraga (PP) e Soraya Manato (PTB) e os estaduais Capitão Assumção (PL) e Rafael Favatto (Patriota) exibiam-se no trio.
O presidente da Assembleia Legislativa, Erick Musso (Republicanos), foi chamado a juntar-se a eles. Acabou vaiado. Não apareceu.
"Devemos orar por todas as autoridades", bradou o pastor Romerito Oliveira, organizador da Marcha para Jesus, citando um trecho bíblico de Romanos 13.
O público, formado majoritariamente por evangélicos e apoiadores de Bolsonaro usando camisas amarelas, começou a gritar "Fora, PT".
O pastor pediu, então, que as pessoas orassem para Bolsonaro e a primeira-dama e afirmou que "o povo brasileiro tem se alegrado pelo presidente que o Senhor nos deu". 
Romerito é apoiador de Bolsonaro e ocupa um cargo comissionado na Câmara de Vitória, é diretor-geral da Casa, presidida por Davi Esmael (PSD).
Coube a Michelle, ao discursar, elevar o tom, digamos, místico da coisa. "Não estão se levantando contra nós (mencionando, indiretamente, os concorrentes e os críticos do presidente da República). Estão se levantando contra Ele", e apontou para o céu.
Ou seja, opor-se a Bolsonaro é o mesmo que opor-se a Deus.
"Não estamos lutando contra pessoas, estamos lutando contra espíritos do mal", complementou a primeira-dama.
Apoiador leva arma gigante a Marcha par Jesus
Apoiador leva arma gigante à Marcha para Jesus, em Vitória Crédito: Ednalva Andrade
O presidente promoveu a flexibilização das regras para a posse de armas de fogo no Brasil. Mas nos eventos aos quais ele compareceu neste sábado em Vitória havia revista e detectores de metal para impedir a entrada desses objetos – os reais, não os artísticos.
Na vez de Bolsonaro discursar, ele mencionou o que vende como ameaças oferecidas pelo "outro lado". 
Como estamos em período pré-eleitoral, ele não pode pedir votos diretamente nem fazer propaganda contra os adversários, ao menos não explicitamente.
"Peço que esse povo brasileiro não experimente as dores do comunismo, nunca seja proibido de exercer sua fé", afirmou o presidente da República à plateia evangélica.
"O outro lado quer liberar as drogas, o aborto e a ideologia de gênero", complementou.
Ele não adentrou em temas como economia, violência ou corrupção, modulou o discurso para o público presente. A ideia central é que, segundo ele, se não for reeleito, os cristãos podem ser proibidos de exercer sua fé.
A Marcha para Jesus é realizada há 30 anos, ou seja, bem antes de o governo Bolsonaro se instalar.
O presidente e a primeira-dama foram os únicos escalados para discursar. A organização do evento considerou que, por isso, não se tratava de um ato político.
Mas Magno Malta, que é cantor gospel, ganhou um microfone. Cantou, mas também falou. "Estamos vivendo a 60 dias de decidir a vida do mundo, a luta do bem contra o mal", gritou.
Sim. As eleições brasileiras, segundo ele, vão decidir o destino do mundo todo. "Nós, cristãos, ou resistimos ou seremos atropelados", alertou aos fiéis.
Magno ascendeu na política durante os governos do PT. Ganhou até o epíteto de papagaio de pirata, de tanto que aparecia em fotos com os ex-presidentes Lula e Dilma
No ato político-religioso deste sábado, no entanto, não houve espaço para contextualização ou apanhado histórico.
"Por falta de conhecimento, diz a palavra, o povo pereceu", destacou o próprio Bolsonaro.

Letícia Gonçalves

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiaria no Gazeta Online/ CBN Vitoria. Em 2008, passou a atuar como reporter da radio. Em 2012, migrou para a editoria de Politica de A Gazeta, tambem como reporter. Exerceu a funcao de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Leticia Goncalves.

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