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Eleições 2026

O contra-ataque de Arnaldinho Borgo na disputa pelo Palácio Anchieta

Prefeito de Vila Velha reuniu-se com um adversário do grupo do governador Renato Casagrande (PSB) dias após o vice-governador Ricardo Ferraço (MDB) receber o apoio do Podemos

Publicado em 16 de Abril de 2025 às 15:34

Públicado em 

16 abr 2025 às 15:34
Letícia Gonçalves

Colunista

Letícia Gonçalves

lgoncalves@redegazeta.com.br

Erick Musso, Arnaldinho Borgo e Victor Linhalis
Erick Musso (Republicanos), Arnaldinho Borgo (sem partido) e Victor Linhalis (Podemos) no gabinete do prefeito de Vila Velha Crédito: Instagram/@arnaldinhoborgo
Três dias após o vice-governador Ricardo Ferraço (MDB) receber o apoio do Podemos, antigo partido do prefeito de Vila Velha, Arnaldinho Borgo, o próprio Arnaldinho apareceu lado do presidente estadual do Republicanos, Erick Musso, que é também secretário de Governo e correligionário do Prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini.
Pazolini é o principal adversário do grupo do governador Renato Casagrande (PSB) na corrida pelo Palácio Anchieta em 2026. Arnaldinho é aliadíssimo do socialista e continua a ser, mas, ao se reunir com Erick, mandou um recado.
Ricardo Ferraço é o plano A do governador como candidato à sucessão, mas o prefeito de Vila Velha também está no jogo. "E não vai aceitar ser isolado", como definiu um aliado do chefe do Executivo canela-verde.
O contra-ataque de Arnaldinho Borgo na disputa pelo Palácio Anchieta
Arnaldinho quer disputar o governo. O vice-governador conta com a força da máquina estadual para atrair partidos e lideranças políticas do interior, como os prefeitos do Podemos. Ricardo também tem o deputado federal Gilson Daniel, presidente estadual do partido, ao seu lado na trincheira. 
Gilson é desafeto de Arnaldinho. Aliás, foram os atritos com o presidente estadual do Podemos que fizeram o prefeito de Vila Velha se desfiliar da sigla. Por enquanto, ele continua sem partido.
A reunião com Erick Musso, na terça-feira (15), não resultou em aliança política para 2026 e muito menos em convite para filiação. Mas serviu para mostrar que Arnaldinho não está de brincadeira.
Ele até postou foto ao lado do presidente estadual do Republicanos no Instagram. "Conversamos sobre os desafios das grandes cidades e o futuro do Espírito Santo", diz a legenda.
Por "futuro", leia-se eleições 2026. A conversa, de acordo com o que a coluna apurou, tratou de chapas de candidatos a deputado estadual e federal e também da disputa pelo Palácio. 
Arnaldinho deixou claro que pretende disputar o Executivo estadual.
 "O compromisso que nós temos é com a eleição de Renato Casagrande ao Senado, isso também foi reafirmado na reunião", contou uma pessoa com trânsito no gabinete do prefeito de Vila Velha.
Ou seja, compromisso de apoiar Ricardo Ferraço ao governo Arnaldinho não tem. Aliás, aliados dele rechaçam veementemente essa ideia.
Erick, por sua vez, falou em "manter o diálogo" e, de brincadeira, mencionou que há espaço no Republicanos, caso o prefeito de Vila Velha queira se filiar ao partido.
Há uma controvérsia. Fontes da coluna ligadas a Arnaldinho dizem que quem pediu a reunião foi Erick. Já pessoas próximas ao presidente estadual do Republicanos garantem que a iniciativa partiu do prefeito de Vila Velha. Os dois não concederam entrevistas sobre o encontro, o que poderia dirimir a dúvida.
Em Vila Velha, o partido de Pazolini já é aliado de Arnaldinho, tanto que o líder do prefeito na Câmara é o vereador Devanir Ferreira (Republicanos).
Não passa despercebido que o deputado federal Victor Linhalis, filiado ao Podemos, participou da conversa também. Ele segue no partido, já que, por ser parlamentar, somente pode trocar de sigla em março do ano que vem, quando da abertura da janela partidária.
Linhalis, que já foi vice-prefeito de Vila Velha, é um dos principais defensores da candidatura de Arnaldinho ao governo do Espírito Santo.
O Republicanos já tem Pazolini como o nome a ser lançado ao Palácio e trabalha arduamente para viabilizar a candidatura do Prefeito de Vitória. 
Ele percorre municípios do interior em busca de apoio e aventurou-se até em Cariacica, na terça-feira. Esteve na Ceasa (Central de Abastecimento do Espírito Santo), ao lado do deputado federal Evair de Melo (PP).
Evair de Melo (de camisa verde-escuro) e Lorenzo Pazolini (fazendo uma selfie) na Ceasa)
Evair de Melo (de camisa verde-escuro) e Lorenzo Pazolini (com co) Crédito: Divulgação
O que mais fortalece Ricardo Ferraço na corrida é também o que mais atrapalha Pazolini: a força do Palácio Anchieta, que faz com que lideranças do interior escolham desde já um lado: o de Casagrande. 
Como a coluna já mostrou, prefeitos do Republicanos estão saindo do partido para mostrar que não estão ao lado das pretensões do prefeito de Vitória.
Erick Musso, o principal articulador de Pazolini, tenta estabelecer contatos com diversas forças políticas, remando contra a maré.
Por enquanto, flerta principalmente com atores mais à direita, a exemplo dos mais novos secretários municipais de Vitória, Soraya Manato (Assistência Social) e Coronel Ramalho (Meio Ambiente). 
Sem falar no ex-deputado federal Carlos Manato, marido de Soraya, que também se juntou ao palanque pazolinista.
Conversar com Arnaldinho, um político de centro-direita, mas que integra outro grupo político, o de Casagrande, é algo que até suaviza esse cenário.
FOGO AMIGO
Só que essa disputa não é apenas "lado A x lado B". O grupo de Pazolini articula a favor de apenas um nome, o de Pazolini.
Mas o de Casagrande, devido a declarações do próprio governador, tem diversos possíveis candidatos ao Palácio Anchieta.
O socialista listou, além de Ricardo: Arnaldinho, Sérgio Vidigal (PDT), Euclério Sampaio (MDB), Da Vitória (PP) e Gilson Daniel (Podemos), sendo os dois últimos uma espécie de "menção honrosa", para fidelizar aliados importantes. 
Dessa forma, Ricardo, que tem a preferência, movimenta-se aberta e obstinadamente para obter apoios e se firmar como candidato. 
Mas os demais não vão ficar parados. Euclério e Arnaldinho são os que mais se destacam nesse quesito. 
O prefeito de Vila Velha ainda não começou a rodar o interior do estado, mas recebe, no gabinete, uma romaria de lideranças, vereadores e deputados estaduais, por exemplo.
Aliados dele apostam que o apoio de prefeitos a Ricardo — inclusive os do Podemos — não é orgânico e sim uma forma de "ficar bem" com Casagrande. Se o governador, futuramente, decidir apoiar outro nome, todos migram sem problemas para um novo palanque.
E CASAGRANDE?
O fato é que há uma "guerra fria", particularmente, entre Ricardo e Arnaldinho. O governador vai assistir a isso sem fazer nada? Pode tentar sufocar as articulações do prefeito de Vila Velha para facilitar a vida do vice-governador?
Não "achou ruim" Arnaldinho postar foto ao lado de Erick Musso?
"O PP tem até a vice do Pazolini (Cris Samorini) e ganhou secretaria no governo estadual. Então como o governador poderia reclamar de uma simples conversa e de uma foto? Não houve nenhuma aliança firmada", lembrou um arnaldista.
Bem, apenas o próprio Casagrande poderia responder a isso objetivamente. 
No último dia 31, antes de Ricardo obter o apoio do Podemos e de Arnaldinho se encontrar com Erick Musso, o governador afirmou à coluna que as movimentações do prefeito de Vila Velha e as do prefeito de Cariacica são "naturais":
"Quando eu falo que tenho diversos nomes com condições de governar o estado, mas a prioridade é do Ricardo, porque é o vice-governador, está dado um sinal de que as pessoas podem se movimentar".
Pois é. Ao listar até seis possíveis candidatos, Casagrande abriu as portas para eventual "bateção de cabeça" dentro do grupo. 
Por um lado, isso é bom, já que, se Ricardo não se viabilizar, ou seja, não marcar pontos significativos em pesquisas de intenção de voto e não fizer com que lideranças do interior suem a camisa e gastem sola de sapato para apoiá-lo, o governador vai ter outras opções viáveis.
Resta ver como vai lidar com os efeitos colaterais dessa estratégia.
Os adversários, em especial os aliados de Pazolini, torcem pela divisão do grupo casagrandista.

Correção

17/04/2025 - 5:30
Originalmente, a coluna registrou que a reunião entre Erick Musso e Arnaldinho Borgo ocorreu a pedido do presidente estadual do Republicanos. Mas, após a publicação, pessoas próximas a Erick afirmaram que o convite partiu de Arnaldinho. O texto foi atualizado.

Letícia Gonçalves

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiaria no Gazeta Online/ CBN Vitoria. Em 2008, passou a atuar como reporter da radio. Em 2012, migrou para a editoria de Politica de A Gazeta, tambem como reporter. Exerceu a funcao de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Leticia Goncalves.

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