O governador Ricardo Ferraço (MDB) desconversa quando o assunto é a escolha do vice dele na corrida pela reeleição. O emedebista assumiu o comando do Palácio Anchieta há pouco menos de um mês e quer, ao menos por enquanto, que a imagem de gestor se sobreponha à de pré-candidato.
Mas é fato que ele está na corrida por mais um mandato e uma das peças-chave nessa competição é a escolha do vice. Aliados do governador são unânimes ao afirmar à coluna que o companheiro de chapa de Ricardo deve ser alguém da Grande Vitória.
Há quem avalie que seria melhor alguém jovem, para equilibrar com o perfil do governador, um político experiente que tem 62 anos de idade.
Mas para as pessoas mais próximas a Ricardo esse não é um ponto central.
"Queremos alguém com voto", especificou um ricardista.
Ao pensar em Grande Vitória alguns leitores podem lembrar do nome de prefeitos de cidades da região metropolitana, como o de Vila Velha, Arnaldinho Borgo (PSDB).
Mas esse barco já zarpou. Nenhum prefeito em exercício pode ser candidato em 2026, seria preciso ter renunciado ao atual mandato até o dia 5 de abril. Arnaldinho não fez isso e, hoje, é apenas um apoiador de Ricardo.
Ex-prefeito é outra coisa.
Não à toa, o PDT ofereceu o nome do ex-prefeito Sérgio Vidigal como possível vice de Ricardo, mas o martelo não foi batido.
Nesta terça-feira (28), o pedetista se reuniu com o ex-governador Renato Casagrande (PSB), o principal aliado do chefe do Executivo estadual.
"A conversa foi sobre agendas de pré-campanha na Serra", contou Casagrande à coluna.
"Não tratamos disso (sobre Vidigal ser vice de Ricardo). Acho que ele (Vidigal) não será empecilho para qualquer composição e nem terá resistência em colaborar em qualquer posição", completou o ex-governador, sem dizer muito.
Caberá a Ricardo, ao fim e ao cabo, a definição do vice.
Aliados podem colaborar e exercer influência. A federação formada por PP e União Brasil, por exemplo, ainda que não indique diretamente um nome, deve ser ouvida.
Nos bastidores, alguns defensores de Ricardo destacam que a vaga de vice é especialmente importante porque o emedebista, se reeleito em outubro, não vai poder tentar ser reconduzido em 2030, afinal, a legislação brasileira permite apenas uma reeleição.
Isso, em tese, tornaria o vice um hipotético candidato à sucessão de Ricardo.
Nem todos, entretanto, concordam com essa análise.
"Aí é muita suposição. Ricardo pode não ser candidato a nenhum cargo em 2030, nesse caso, ele ficaria no mandato até o fim, não se licenciaria para o vice assumir (como Casagrande fez, dando vez a Ricardo), o que diminuiria a visibilidade e as chances do vice", pontuou um defensor do governador.
O próprio Ricardo, como registrei no início deste texto, tergiversa sobre o assunto.
"A política tem o seu calendário próprio. Na hora certa, a gente vai estar conversando", afirmou o governador à coluna, na segunda-feira (27).
"Eu não lidero um projeto pessoal, eu lidero um projeto político, uma frente ampla", destacou o emedebista.