"O PT não cabe na aliança de Casagrande", diz presidente estadual do PT
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"O PT não cabe na aliança de Casagrande", diz presidente estadual do PT
Petistas e socialistas negociam possível apoio à reeleição do governador e a consequente retirada da candidatura de Fabiano Contarato ao Palácio Anchieta
Publicado em 12 de Junho de 2022 às 02:10
Públicado em
12 jun 2022 às 02:10
Colunista
Letícia Gonçalves
lgoncalves@redegazeta.com.br
Senador Fabiano Contarato discursa em plenária do PT do Espírito Santo e é aplaudido por Jackeline Rocha (de calça rosa)Crédito: Letícia Gonçalves
Se houver uma parceria entre o PSB do governador Renato Casagrande e o PT do senador Fabiano Contarato no Espírito Santo, a união vai estar mais para um casamento na delegacia.
O senador prefere não dizer se apoiaria o socialista publicamente, mas já afirmou à coluna que o ex-presidente Lula merece um "palanque efetivamente progressista" no estado, numa alfinetada no governador. Casagrande tem uma aliança ampla, do PP bolsonarista ao PCdoB, que está federado com o PT.
O socialista quer a retirada da candidatura de Contarato ao Palácio Anchieta e o apoio dos petistas à sua reeleição, mas prefere que isso seja decidido dentro dos limites do estado, sem precisar de imposição da direção nacional.
Pelo que a coluna pôde ver na plenária estadual realizada pelo PT neste sábado (11), o clima não é dos melhores para que esse objetivo seja alcançado.
Casagrande, em reunião com a direção do PT local, se mostrou disposto a declarar voto em Lula publicamente, mas "do jeito dele", ou seja, sem muito estardalhaço.
E deixou claro que não pode oferecer um palanque exclusivo para Lula, já que as siglas aliadas a ele têm outros pré-candidatos à Presidência da República.
Já quanto às vagas de candidato a vice e a senador, isso seria assunto para depois de o PT retirar a candidatura de Contarato. O espaço para concorrer ao Senado com as bênçãos do governador, no entanto, já está bastante disputado.
Em conversa com a coluna pouco antes de discursar no evento deste sábado, a presidente estadual do PT, Jackeline Rocha, avaliou que Casagrande precisa oferecer mais ao partido.
"Temos uma candidatura que pontua com dois dígitos. O efeito de Lula estar em primeiro lugar é positivo tanto para a candidatura do Contarato como para a dele, mas seria necessário ele se posicionar em relação ao palanque de Lula, não somente a questão de declarar voto", cravou.
"O PT precisa de um palanque eletrônico, com número, com representação e isso a gente tem na candidatura do Fabiano Contarato", complementou.
"São duas candidaturas, uma que está mais ao centro, até à centro-direita (a de Casagrande). Nossa candidatura está no campo totalmente da esquerda. Ele tem alianças muito amplas", avaliou.
"É uma aliança que, da maneira que está, não cabe o PT"
Jackeline Rocha - Presidente do PT-ES
"O palanque de Lula tem nome, é Contarato. Não venham com essa de dividir palanque", bradou Célia Tavares, pré-candidata ao Senado pelo PT. Ela disputa a vaga com o ex-reitor da Ufes Reinaldo Centoducatte, outro entusiasta da candidatura de Contarato.
"Quando a direção nacional do PT filiou o Contarato, já estava implícito que ele poderia ser candidato a governador", lembrou o vereador de Cariacica André Lopes (PT).
A militância do PT concorda, quer a candidatura própria.
Mas essas coisas não são decididas pela militância dos partidos.
Na própria direção estadual do PT, embora o apoio à candidatura de Contarato ao governo seja oficialmente unânime, há quem tenha consciência de que a negociação com Casagrande envolve outros estados e ainda pode alcançar, localmente, benefícios para pré-candidatos a deputado do PT.
O partido no estado está em um momento, faltando cerca de quatro meses para a eleição, em que tem a preferência do eleitorado capixaba pelo ex-presidente Lula quando o assunto é a Presidência da República, de acordo com pesquisa Ipec divulgada em maio.
E a pontuação de Contarato realmente é competitiva, com 11% das intenções estimuladas de voto, empatando com o ex-deputado federal Carlos Manato (PL) em segundo lugar.
Pragmaticamente falando, no entanto, com PT e PSB concorrendo um contra o outro haveria o risco da divisão de votos do campo da centro-esquerda, assim como acontece com a centro-direita que, por enquanto, está pulverizada em diversos nomes.
Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiaria no Gazeta Online/ CBN Vitoria. Em 2008, passou a atuar como reporter da radio. Em 2012, migrou para a editoria de Politica de A Gazeta, tambem como reporter. Exerceu a funcao de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Leticia Goncalves.