O que a rejeição aos candidatos ao governo do ES revela
Eleições 2022
O que a rejeição aos candidatos ao governo do ES revela
Pesquisa Ipec mostra Renato Casagrande (PSB) em larga vantagem nas intenções de voto. No segundo lugar, há vários empates, mas na rejeição, dois nomes têm dados positivos
Publicado em 20 de Agosto de 2022 às 02:10
Públicado em
20 ago 2022 às 02:10
Colunista
Letícia Gonçalves
lgoncalves@redegazeta.com.br
Sete candidatos disputam quem vai comandar o Palácio Anchieta, sede do governo do Espírito Santo, a partir de 2023Crédito: Hélio Filho / Secom
Além de querer saber em quem as pessoas pretendem votar para governador do Espírito Santo, o Ipec, contratado pela Rede Gazeta, também perguntou em quem os entrevistados não votariam de jeito nenhum.
O governador Renato Casagrande (PSB), o mesmo que lidera as intenções de voto, também é o mais rejeitado, apontado por 24%.
O percentual não é alto. A título de comparação, de acordo com o Datafolha, em todo o país, 51% dizem que não votam no presidente da República, Jair Bolsonaro (PL), de forma alguma.
É comum que o candidato mais conhecido pelo público seja o mais rejeitado, desde que não em índices alarmantes.
O que chama a atenção no levantamento do Ipec no Espírito Santo é que, em segundo lugar entre os preferidos dos eleitores, está tudo embolado.
Casagrande, com 52% das intenções estimuladas de voto, tem 42 pontos a mais que o ex-deputado federal Carlos Manato (PL), uma larga vantagem.
Em seguida, aparecem Audifax Barcelos (Rede), com 7%, Guerino Zanon (PSD), com 5%, e Capitão Vinicius Sousa (PSTU), com 2%.
Considerando a margem de erro da pesquisa, que é de quatro pontos percentuais para mais ou para menos, à exceção de Casagrande, todos eles estão tecnicamente empatados em segundo lugar. Sousa somente é alçado ao empate no extremo da margem.
Já quando se observa a rejeição a coisa muda um pouco.
Manato foi a resposta de 19% quando os eleitores foram questionados a respeito de em quem não votariam de jeito nenhum. Na margem de erro, tem o mesmo nível de rejeição de Casagrande.
Não é um dado positivo para o ex-parlamentar, embora o percentual não seja proibitivo. Manato não está no exercício do mandato, está na planície desde 2019 e, mesmo assim, é lembrado negativamente.
Capitão Vinicius Sousa foi rejeitado por 18%, tecnicamente empatado com o ex-deputado federal.
O militar nunca exerceu mandato eletivo, foi candidato a vice-prefeito de Cachoeiro de Itapemirim pela Rede em 2020 e disputou a Prefeitura de Castelo, pelo Patriota, em 2016 – na verdade, ele havia se filiado ao PRP, que depois se fundiu ao Patriota.
Sousa tem o mesmo patamar de rejeição que o governador e Manato.
O ex-secretário da Fazenda da Prefeitura de Vitória Aridelmo Teixeira (Novo) é rejeitado por 15%. O ex-prefeito da Serra Audifax Barcelos (Rede), por 14%.
E Cláudio Paiva (PRTB), por 12%, mesmo percentual de rejeição do ex-prefeito de Linhares Guerino Zanon (PSD).
A rejeição não é um problema para Casagrande que, a esta altura do campeonato, ainda no início da campanha eleitoral, está com a faca e o queijo na mão. Considerando apenas os votos válidos, se a eleição fosse hoje, ele venceria no primeiro turno, com 68%.
Os adversários têm cerca de 40 dias para virar o jogo e tentar levar o pleito para o segundo turno.
Como o segundo lugar das intenções de voto está tomado pelo empate técnico, talvez a rejeição possa indicar os que estão mais "leves" para galgar posições acima.
Pelos percentuais, estes são Guerino e Audifax.
Os ex-prefeitos têm posicionamentos de centro-direita, embora Audifax não se defina dessa forma – não quer um rótulo. Os dois também se apresentam como gestores exitosos, que deixaram legados positivos em suas respectivas cidades.
E também se aliaram a representantes do conservadorismo. Um dos integrantes da coligação de Guerino é o nanico DC. E entre seus apoiadores estão o vereador de Vitória Davi Esmael (PSD) e o deputado federal Evair de Melo (PP).
Guerino e Audifax também são aliados do ex-governador Paulo Hartung (sem partido).
O que os difere, nesta campanha, é que o ex-prefeito de Linhares tem se apresentado como o maior fã de Bolsonaro em terras capixabas, rivalizando com Manato nesse quesito. Audifax, por sua vez, não quer "nacionalizar" a eleição.
Os dois têm apontado, como é o papel dos candidatos de oposição, o que consideram erros do atual governo.
Além disso, têm menos aliados para pedir votos nas ruas. O ex-deputado federal, embora mais rejeitado, tem mais "liga" com o eleitorado bolsonarista, principalmente nas redes sociais.
Os próximos dias, e as futuras pesquisas, vão mostrar quem colhe melhores frutos com as armas (no sentido figurado) à disposição.
Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiaria no Gazeta Online/ CBN Vitoria. Em 2008, passou a atuar como reporter da radio. Em 2012, migrou para a editoria de Politica de A Gazeta, tambem como reporter. Exerceu a funcao de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Leticia Goncalves.