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Eleições 2024

Os bastidores do desfile de Sete de Setembro em Vitória

As participações de Pazolini e de Luiz Paulo; as ausências que chamaram a atenção; o que Casagrande diz sobre a acusação de assédio contra ex-ministro de Lula; uma imagem emblemática; um episódio citado à boca miúda no palco

Publicado em 07 de Setembro de 2024 às 14:54

Públicado em 

07 set 2024 às 14:54
Letícia Gonçalves

Colunista

Letícia Gonçalves

lgoncalves@redegazeta.com.br

Desfile-cívico do 7 de setembro no Centro de Vitória
Palco do desfile de Sete de Setembro, na Avenida Beira-Mar, Vitória, em 2024 Crédito: Ricardo Medeiros
O prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini (Republicanos), não ficou muito tempo no desfile de Sete de Setembro, organizado pelo governo estadual, no Centro da cidade. Mas cumpriu sua parte, hasteou a bandeira do município, cumprimentou o governador Renato Casagrande (PSB) de forma cordial e, depois, seguiu com a agenda de campanha em outros locais. Afinal, ele é candidato à reeleição.
Pazolini e Casagrande não são próximos politicamente e, certamente, o chefe do Executivo estadual e aliados preferem a derrota ou o enfraquecimento eleitoral do republicano, mas isso não impede a convivência pacífica quando necessário, como em eventos oficiais.
Os dois se cumprimentaram e conversaram brevemente, mas de forma amistosa.
Isso é positivo. É o mínimo, né? Mas, ultimamente, no cenário político brasileiro, até o mínimo é raro.
Uma cena curiosa se deu quando as bandeiras do Brasil, do Espírito Santo e de Vitória foram hasteadas, ao som do Hino Nacional. O símbolo capixaba ficou a cargo dos representantes do Exército e da Marinha. A Casagrande, coube hastear o pavilhão nacional. Pazolini ficou com a bandeira de Vitória.
Só que o ritmo do hasteamento ficou descompassado. Enquanto as bandeiras do Espírito Santo e do Brasil subiam o mastro lado a lado e vagarosamente, seguindo a velocidade da execução do hino, a de Vitória chegou ao topo rapidamente, impulsionada pelo prefeito.
Claro que nada disso foi proposital, mas o episódio serve como alegoria para o fato de que, apesar das aparências, as gestões estadual e municipal não estão em sincronia.
Hasteamento das bandeiras durante o desfile de Sete de Setembro no Centro de Vitória
Hasteamento das bandeiras durante o desfile de Sete de Setembro no Centro de Vitória Crédito: Rodrigo Zaca/Governo ES
Após o hasteamento, Pazolini deixou o local. E eis que o ex-prefeito Luiz Paulo Vellozo Lucas (PSDB) surgiu. O tucano foi o único entre os demais candidatos a prefeito a comparecer ao palco do desfile de Sete de Setembro. 
Ele chegou acompanhado do vice na chapa, Victor Ricciardi (União Brasil). Na entrada, os dois tiveram que retirar os adesivos que usavam, colados às camisas. Eram peças de propaganda eleitoral.
Luiz Paulo e Ricciardi tiraram uma foto ao lado de Casagrande. O governador não participa diretamente do pleito municipal, não pede votos aos eleitores nem para Luiz Paulo nem para o outro candidato aliado, João Coser (PT).
Integrantes do governo estadual, contudo, estão engajados na campanha do tucano.
Victor Ricciardi, Renato Casagrande e Luiz Paulo Vellozo Lucas
Victor Ricciardi, Renato Casagrande e Luiz Paulo Vellozo Lucas Crédito: Instagram/@luizpaulovellozolucas
Em meio às eleições municipais, o palanque do desfile estava esvaziado, em comparação a anos anteriores. Desta vez, o prefeito de Vila Velha, Arnaldinho Borgo (Podemos), por exemplo, não compareceu.
Outra ausência sentida foi a do presidente da Assembleia Legislativa, Marcelo Santos (União Brasil). Apenas dois deputados estaduais marcaram presença no lugar de destaque: Bispo Alves (Republicanos) e Denninho Silva (União Brasil).
De acordo com a assessoria do presidente da Assembleia, ele não conseguiu chegar a tempo.
Marcelo participou, na noite de sexta-feira (06), de um evento de campanha do prefeito de São Gabriel da Palha, Tiago Rocha (PL), que disputa a reeleição.
Aliás, Tiago Rocha formou uma coligação partidária que desrespeita determinação do presidente estadual do PL, senador Magno Malta. Magno proibiu o PL de se unir a diversos partidos no estado, entre eles o União Brasil de Marcelo Santos.
Mas, na prática, nada mudou onde essas parcerias já estavam consolidadas, o que possibilitou as seguintes fotografias:
Marcelo Santos em evento de campanha de Tiago Rocha
Marcelo Santos em evento de campanha de Tiago Rocha Crédito: Instagram/@marcelosantosdeputado
Por falar em foto, uma imagem do desfile de Sete de Setembro de 2023 em Vitória, é emblemática. Nela, aparecem Casagrande, Pazolini, Arnaldinho, Coronel Ramalho e Jacqueline Moraes.
Ramalho, um ano atrás, era secretário estadual de Segurança Pública e filiado ao Podemos, mesmo partido de Arnaldinho e que integra a base de apoio ao governo. 
Hoje, Ramalho está no PL e é o principal adversário do prefeito canela-verde. O coronel e Jacqueline, secretária estadual das Mulheres, travaram, no mês passado, um embate virtual no Instagram.
Os dois discutiram devido ao posicionamento político do candidato do PL, que tem feito críticas à esquerda e ao PSB, partido de Casagrande e de Jacqueline. E todos estavam lado a lado 365 dias atrás:
Pazolini, Casagrande, Arnaldinho, Jacqueline e Ramalho em 2023
Pazolini, Casagrande, Arnaldinho, Jacqueline e Ramalho em 2023 Crédito: Álvaro Guaresqui/TV Gazeta
Desta vez, Ramalho não foi ao desfile de Sete de Setembro no Centro de Vitória. O militar da reserva da PM está em São Paulo. Atendeu ao convite do ex-presidente da República Jair Bolsonaro (PL) para a manifestação bolsonarista realizada na Avenida Paulista.
Entre as principais pautas do evento está a contraposição ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.
Coronel Ramalho em manifestação bolsonarista na Avenida Paulista, em São Paulo, no Sete de Setembro de 2024
Coronel Ramalho em manifestação bolsonarista na Avenida Paulista, em São Paulo, no Sete de Setembro de 2024 Crédito: Divulgação
Ainda no campo da política nacional, Casagrande foi questionado, em entrevista coletiva pouco antes do desfile de Sete de Setembro em Vitória, a respeito das denúncias de assédio sexual que levaram à demissão do então ministro dos Direitos Humanos do governo Lula (PT), Silvio Almeida.
O PSB do governador faz parte da gestão federal.
Casagrande considerou o episódio como "lamentável, ainda mais na área de direitos humanos".
"Mostra como nós temos a necessidade de se educar cada vez mais e de punir toda vez que tiver algum ato como esse que a ministra (Anielle Franco, da Igualdade Racial) denunciou e outras mulheres denunciaram (...) Os homens precisam trabalhar muito para respeitar as mulheres."
Voltando à política local, agora do interior do Espírito Santo, um assunto citado à boca miúda no palco do desfile de Sete de Setembro em Vitória neste sábado foi algo que ocorreu dias atrás, em Colatina.
Na quinta-feira (04), Casagrande esteve na cidade para assinar o edital de licitação para implantação da Terceira Ponte do município.
O prefeito Guerino Balestrassi (MDB) não participou da cerimônia, nem poderia, pois disputa a reeleição e há uma vedação legal quanto à presença de candidatos em situações desse tipo (mas Guerino apareceu ao lado de Casagrande enquanto o governador concedia entrevista sobre a assinatura do edital).
O ex-prefeito Sérgio Meneguelli (Republicanos), que é deputado estadual e não concorre a nenhum cargo este ano, estava lá nas imediações do evento, cumprimentando moradores da cidade, quando foi convidado a subir ao palco da solenidade pelo próprio Casagrande.
Assinatura do edital da Terceira Ponte de Colatina
Assinatura do edital da Terceira Ponte de Colatina Crédito: Helio Filho/Secom
O convite foi feito ao microfone, logo, todo mundo ouviu. Pois Meneguelli subiu em sua bicicleta e foi embora na mesma hora, não deu nem tchau. Aliados do governador consideraram isso uma descortesia, até agora, inexplicada. Ficou um certo climão no ar.
Casagrande é aliado de Guerino Balestrassi e de outro candidato a prefeito de Colatina, o ex-deputado estadual Renzo Vasconcelos (PSD). Meneguelli é próximo de Renzo, mas não declarou apoio a ninguém.

Letícia Gonçalves

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiaria no Gazeta Online/ CBN Vitoria. Em 2008, passou a atuar como reporter da radio. Em 2012, migrou para a editoria de Politica de A Gazeta, tambem como reporter. Exerceu a funcao de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Leticia Goncalves.

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