Sair
Assine
Entrar

Entre para receber conteúdo exclusivo.
ou
Crie sua conta A Gazeta
Recuperar senha

Preencha o campo abaixo com seu email.

Eleições 2024

Os pré-candidatos de tornozeleira eletrônica em Vitória

Capitão Assumção (PL) vai disputar a prefeitura da Capital e Armandinho Fontoura (PL), uma vaga na Câmara. Os dois tentam capitalizar politicamente com o imbróglio jurídico no qual se envolveram

Publicado em 08 de Maio de 2024 às 02:40

Públicado em 

08 mai 2024 às 02:40
Letícia Gonçalves

Colunista

Letícia Gonçalves

lgoncalves@redegazeta.com.br

O deputado estadual Capitão Assumção e o vereador Armandinho Fontoura
O deputado estadual Capitão Assumção e o vereador Armandinho Fontoura Crédito: Lucas S. Costa e Ellen Campanharo/Ales
O Partido Liberal (PL) tem pré-candidato a prefeito de Vitória. Os nomes dos que vão concorrer ao cargo de vereador da Capital também estão pré-definidos.
Há apenas um detalhe: dois deles, inclusive o que vai disputar o comando do Executivo da Capital, o deputado estadual Capitão Assumção, usam tornozeleira eletrônica por determinação do Judiciário.
Mesma situação em que se encontra o vereador afastado Armandinho Fontoura, que vai tentar a reeleição.
Além de usar o aparelho de monitoramento, Assumção e Armandinho estão sob algumas restrições e, ao que tudo indica, vão fazer campanha em condições singulares.
Isso é, ao mesmo tempo, um empecilho e um reforço à "narrativa" — uma das palavras preferidas dos bolsonaristas — de perseguição política.
A coluna procurou saber como eles pretendem se comportar.
O deputado e o vereador não podem, por exemplo, publicar em redes sociais e nem entrar em contato um com o outro. São investigados no mesmo inquérito, o chamado Inquérito das Fake News, que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF).
Os dois são acusados, pelo Ministério Público Estadual (MPES), de integrar uma "milícia digital privada" com o objetivo de desestabilizar as instituições da República.
Um relatório preliminar da Polícia Federal não encontrou indícios de crimes em celulares e outros equipamentos apreendidos em endereços ligados ao deputado estadual e ao vereador de Vitória. Mas as investigações não foram encerradas.
Armandinho, apesar de afastado do mandato, não teve os direitos políticos suspensos. Assumção, tampouco.
Logo, têm direito a se candidatar e a fazer campanha, exceto se isso infringir alguma das proibições impostas pelo Supremo.
O vereador afastado tem que estar dentro de casa a partir das 20h.
Ele vai aparecer ao lado de Assumção, mas apenas no material de campanha impresso.
As próprias proibições ordenadas pelo STF devem virar assunto para atrair eleitores.
"É uma tentativa de nos silenciar, mas a sociedade está vendo e reconhecendo os políticos que foram vítimas", afirmou Armandinho à coluna.
Ele não está proibido de conceder entrevistas, ao contrário de Assumção.
O deputado é o presidente do PL de Vitória, mas quem resolve as questões do dia a dia do partido é o vice-presidente, Alcemir Rodrigues Firmino, o Cemir.
Foi Armandinho quem adiantou à coluna como deve ser o tom da campanha de Assumção: "Ele vai tirar a farda e mostrar quem é o Assumção, não apenas um deputado e um policial, mas um pai de família".
Cemir avaliou que, até o início oficial da campanha eleitoral, a situação do vereador afastado e do pré-candidato a prefeito, talvez, seja outra.
"Estamos olhando com o jurídico como fazer, vamos analisar. Até lá, não sei como vai estar o trâmite em Brasília", pontuou o vice-presidente do PL. "De qualquer forma, a candidatura de Assumção é definitiva", complementou.
Em 2020, o deputado estadual também concorreu à Prefeitura de Vitória, filiado ao Patriota, e recebeu 12.365 votos (7,22%). Ficou em quarto lugar, um resultado tímido.
Armandinho aposta que, agora, vai ser diferente, pois o capitão da reserva da PM do Espírito Santo está no partido do ex-presidente da República Jair Bolsonaro.
O vereador disse acreditar que a disputa em Vitória vai ser ideologicamente contaminada, como o pleito presidencial de 2022, mas afirmou considerar um erro apostar tudo na imagem de Bolsonaro e apenas entoar "Deus, Pátria e Família".
O parlamentar afastado sustentou que, na Capital, o PL vai tratar de propostas concretas para a cidade.
A ver.
O desafio do PL é, justamente, ir além da bolha bolsonarista, movida pelo "gabinete do ódio" e pelo culto à figura do ex-presidente da República.
Em geral, os parlamentares da sigla promovem a própria fama ao atiçar os ânimos da população contra o STF, ao espalhar desinformação sobre medidas de saúde pública, ao ridicularizar pessoas LGBTQIAP+ ou ao enaltecer um certo fetiche por armas de fogo.
Isso agrada os eleitores "conservadores" que, na verdade, são retrógrados, mas diz pouco à população que quer melhores serviços municipais.
Vale lembrar que o PL vai enfrentar o atual prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini, um político de centro-direita filiado ao Republicanos, legenda que, ao menos no slogan, é "o verdadeiro partido conservador do Brasil".
Capitão Assumção mostra tornozeleira eletrônica
Capitão Assumção mostra tornozeleira eletrônica Crédito: Ana Salles/Ales
Armandinho foi preso, preventivamente, no dia 15 de dezembro de 2022 e ficou um ano e quatro dias atrás das grades.
Assumção, na mesma data, foi alvo apenas de mandado de busca e apreensão e passou a utilizar tornozeleira eletrônica.
Em fevereiro de 2024, entretanto, também foi para o cárcere, após mandado de prisão preventiva expedido pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.
O deputado estadual havia descumprido ordens, medidas cautelares, impostas pelo próprio Supremo.
O parlamentar ficou cerca de dez dias preso no Quartel do Comando-Geral da Polícia Militar, em Maruípe, Vitória, e foi solto após a Assembleia Legislativa decidir que a prisão deveria ser suspensa.
Se a estadia no quartel tivesse se estendido tanto quanto a de Armandinho, a pré-candidatura de Assumção à Prefeitura de Vitória iria por água abaixo.
Não minimizo passar dez dias de prisão. Certamente, não é agradável.
Mas após sair da cela, o deputado ganhou os holofotes e a projeção da qual estava privado, por estar longe das redes sociais.
No fim das contas, vai ser até bom para a campanha eleitoral. Só não se sabe o quanto.
Armandinho, por sua vez, estava no auge na Câmara de Vitória quando foi preso, em 2022. Havia sido eleito pelos colegas como presidente da Casa, mas nem chegou a tomar posse.
O vereador está afastado do cargo, pelo STF e pela Justiça Estadual, desde janeiro de 2023 e já havia saído do Podemos, partido pelo qual foi eleito em 2020.
Ao sair do Presídio de Segurança Média I, em Viana, porém, ganhou status de popstar por parte de políticos do PL. Não demorou muito, a filiação do vereador e sua pré-candidatura à reeleição foram anunciadas.
A coisa ficou feia para o lado deles após o dia 8 de janeiro de 2023, quando apoiadores de Bolsonaro invadiram as sedes dos Três Poderes e clamaram por um golpe de Estado que recolocasse o líder da extrema-direita no poder.
Não há elementos que liguem diretamente Armandinho e Assumção a esses  ataques — à exceção de um estranho vídeo protagonizado pelo deputado estadual compartilhado justamente em 8 de janeiro de 2023 —, mas a ousadia dos invasores deu peso às medidas judiciais contra quem atacou verbalmente as instituições.
Ficou provado que palavras têm poder e que discursos e publicações em redes sociais fizeram parte do plano que culminou no fatídico dia.
Ironicamente, o deputado e o vereador do PL apostam nas urnas para ascender politicamente. As mesmas urnas tão atacadas, com mentiras e travessuras, por Bolsonaro.

Letícia Gonçalves

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiaria no Gazeta Online/ CBN Vitoria. Em 2008, passou a atuar como reporter da radio. Em 2012, migrou para a editoria de Politica de A Gazeta, tambem como reporter. Exerceu a funcao de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Leticia Goncalves.

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Mulher roncando
Roncar é perigoso? Especialista explica os riscos e como tratar o problema
Cantor Roberto Carlos comemora os 85 anos em show em Cachoeiro de Itapemirim
Roberto Carlos emociona fãs em show de aniversário em Cachoeiro de Itapemirim
Imagem de destaque
'O dilema de Malaca': por que outra passagem crítica para a navegação gera preocupação no comércio global

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados