Pazolini diz que culpa de atraso em atendimento em PAs é do estado e governo rebate
Gripe política
Pazolini diz que culpa de atraso em atendimento em PAs é do estado e governo rebate
Secretário estadual de Saúde, Nésio Fernandes criticou "polêmicas desnecessárias". Prefeitura de Vitória até convocou entrevista coletiva, que acabou cancelada
Publicado em 04 de Janeiro de 2022 às 02:10
Públicado em
04 jan 2022 às 02:10
Colunista
Letícia Gonçalves
lgoncalves@redegazeta.com.br
Prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini, e secretário estadual de Saúde, Nésio FernandesCrédito: Vitor Jubini
A epidemia de gripe em meio à pandemia de Covid-19 tem pressionado o sistema de saúde, tanto o público quanto o privado, mas em Vitória a situação chama a atenção. Ao menos desde o dia 31 de dezembro, o prefeito da cidade, Lorenzo Pazolini (Republicanos), tem afirmado que há pacientes "internados" em unidades de pronto atendimento.
Eles deveriam ser transferidos para leitos sob responsabilidade do governo do estado, o que tem ocorrido com atraso, ainda de acordo com Pazolini. Diariamente, a prefeitura tem divulgado o número de pacientes que passaram pelas unidades de pronto atendimento da Praia do Suá e de São Pedro.
Em outros municípios da Grande Vitória não há relatos de sobrecarga no sistema, ao menos não dessa forma e, certamente, o vírus da gripe não tem preconceito geográfico. Então o que está acontecendo?
O governo do estado só não interna pacientes de Vitória? Ou tem alguma coisa errada com a gestão da saúde na esfera municipal?
Desde a manhã desta segunda-feira (3) a coluna partiu em busca de respostas. O leitor, ou leitora, pode se perguntar: "Mas não é uma coluna de política?".
Não podemos afirmar que o imbróglio na saúde, na prática, tem um componente político. Mas no discurso tem.
"(... ) Gera embaraço, dificulta atendimento de quem está chegando. Estamos deixando de atender porque estamos com um número muito grande de pacientes internados na nossa rede", afirmou Pazolini em transmissão ao vivo no Instagram no dia 31 de dezembro, em frente ao PA de São Pedro, apontando o dedo para o governo do estado.
"De 0h a 17h de domingo (2) foram realizados 363 atendimentos nos pronto atendimentos da Praia do Suá e de São Pedro. Onze aguardam transferência para a central de vagas do estado", divulgou a Secretaria Municipal de Saúde, comandada por Thais Campolina Cohen Azoury.
A secretária, inclusive, apareceu ao lado de Pazolini na live do dia 31 e repetiu o slogan da campanha de Pazolini: "Paz e Igualdade".
O secretário de estado da Saúde, Nésio Fernandes, rebateu, em entrevista à coluna, o diagnóstico do prefeito:
"As UPAs de Serra, Vila Velha e Cariacica, que é um município frágil, atendem 800 e até 1,2 mil por dia (em cada município) sem viver situação de colapso", observou Nésio.
"O governo do estado duplicou leitos, principalmente os de UTI. Inauguramos o hospital da Associação dos Funcionários Públicos, em Vitória, que não fazia parte do SUS. O mais adequado é que cada gestor amplie a capacidade assistencial do seu serviço", complementou o secretário.
E o governo está deixando de internar pacientes que passam pelas unidades de pronto atendimento de Vitória?
"Em hipótese alguma, não deve nem ser cogitada (essa hipótese) O sistema de saúde funciona com unidade e grau de maturidade, com gestão técnica. De forma alguma nossos médicos reguladores e o governo Casagrande tomariam qualquer medida nesse sentido", afirmou Nésio Fernandes.
"A urgência da pandemia exige que todo mundo foque em soluções e não em polêmicas e discussões desnecessárias"
A coluna tentou, sem sucesso, falar com o prefeito Lorenzo Pazolini.
Horas após as declarações do secretário estadual, nesta segunda, a prefeitura anunciou que haveria uma entrevista coletiva para o anúncio da "expansão do atendimento nas unidades de saúde que funcionarão como retaguarda dos prontos atendimentos da capital".
A coletiva seria realizada às 16h. Meia hora antes, foi cancelada, sem explicação: "Em breve, iremos anunciar a nova data do anúncio".
Em todas essas ocasiões tanto o município quanto o Executivo estadual negam que arestas políticas estejam emperrando o bom andamento dos trabalhos.
CAÍRAM AS MÁSCARAS
A gripe, assim como a Covid-19, é transmitida pelo ar e, se as pessoas, em geral, não tivessem parado de usar máscaras, o problema poderia ter sido mitigado.
Pazolini já deixou de lado a máscara de acrílico que usou durante toda a campanha de 2020 e nos primeiros meses de gestão em 2021. Tal máscara tem zero eficiência contra qualquer vírus, pois é aberta em diversos pontos e, se não fosse, nem teria como a pessoa respirar. É uma máscara utilizada por esteticistas, nada a ver com controlar uma pandemia, ou uma epidemia.
Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiaria no Gazeta Online/ CBN Vitoria. Em 2008, passou a atuar como reporter da radio. Em 2012, migrou para a editoria de Politica de A Gazeta, tambem como reporter. Exerceu a funcao de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Leticia Goncalves.