PF diz que prefeito de São Mateus era chefe de grupo criminoso
Vai pedir afastamento
PF diz que prefeito de São Mateus era chefe de grupo criminoso
Daniel da Açaí foi preso nesta terça-feira (28) na Operação Pórtico de Minúcio. A prisão é temporária, mas Polícia Federal quer que ele seja afastado do cargo
Publicado em 28 de Setembro de 2021 às 07:57
Públicado em
28 set 2021 às 07:57
Colunista
Letícia Gonçalves
lgoncalves@redegazeta.com.br
Dinheiro e joias apreendidos pela Polícia Federal na casa do prefeito de São MateusCrédito: Divulgação/PF
Preso nesta terça-feira (28) na Operação Pórtico de Minúcio, o prefeito de São Mateus, Daniel Santana Barbosa (sem partido), mais conhecido como Daniel da Açaí, é apontado pela Polícia Federal como chefe de uma organização criminosa. A PF, de acordo com o superintendente regional Eugênio Ricas, vai pedir o afastamento dele do cargo.
A prisão de Daniel da Açaí é temporária, ou seja, deve durar cinco dias, prorrogáveis. Policiais estiveram na Prefeitura de São Mateus para cumprir mandados de busca e apreensão.
Ainda de acordo com as investigações, o grupo criminoso fraudou licitações, que são contratações públicas, em diversos segmentos, de limpeza a kits de merenda escolar. Os fatos narrados no inquérito dizem respeito ao atual mandato de Daniel da Açaí e à gestão anterior (2017-2020), também capitaneada por ele na cidade.
Prefeito de São Mateus e empresários são presos em operação da PF
Isso envolve verba federal, como as do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) e até do Ministério do Turismo.
Por isso, a competência do caso é federal. Ao todo, 85 policiais federais, alguns vindos de outros estados, participaram da ação desta terça. Empresários também foram alvos.
Os mandados foram expedidos pelo desembargador federal Marcelo Granado, do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2). Como Daniel da Açaí tem foro especial, por ser prefeito, a ordem teve que partir da Corte.
LARANJAS
De acordo com Ricas, o esquema usava laranjas para movimentar os recursos ilícitos, que foram usados para comprar imóveis rurais e para pagar dívidas, por exemplo. "Tem também muito dinheiro sacado, em espécie", ressaltou o superintendente.
A prisão temporária foi necessária, ainda segundo a PF, para evitar a destruição de provas e impedir que os alvos combinassem depoimentos.
"Já tinha havido outra operação recente sobre fraude a licitação em aluguel de ambulâncias. Percebemos que depois disso a organização começou a destruir provas e a combinar depoimentos", afirmou Ricas.
Daniel da Açaí deve ser ouvido pela PF e, em seguida, segue preso.
PREFEITO JÁ FOI CASSADO, CONSEGUIU REVERTER E RECEPCIONOU BOLSONARO
Daniel da Açaí passou por momentos incertos na Prefeitura de São Mateus. Quase foi cassado, no mandato anterior, por abuso de poder econômico. Ele foi acusado de, ainda na campanha eleitoral de 2016, distribuir água à população em momento de crise hídrica. O então candidato era sócio de uma empresa de água mineral, a Açaí.
Caminhões com adesivo da empresa distribuíam a água. Como o apelido do então candidato estava diretamente relacionado à empresa, o Tribunal Regional Eleitoral (TRE-ES) entendeu que ele teve uma vantagem indevida no pleito. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE), no entanto, entendeu de forma diferente e manteve o prefeito no cargo. Ele não chegou a ser afastado no âmbito do processo.
Em 2020, Daniel da Açaí foi reeleito. Usou outro nome de urna: Daniel Santana. Ele disputou o pleito pelo PSDB, mas já deixou a sigla.
Isso não quer dizer, claro, que Bolsonaro, com pisadinha ou sem pisadinha, tenha algo a ver com o esquema.
Aliás, no sábado (24), quem esteve ao lado de Daniel da Açaí em agenda oficial em São Mateus foi alguém de espectro político bem avesso ao do presidente da República: o governador Renato Casagrande (PSB). O que também não pode ser relacionado com a operação desta terça.
Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiaria no Gazeta Online/ CBN Vitoria. Em 2008, passou a atuar como reporter da radio. Em 2012, migrou para a editoria de Politica de A Gazeta, tambem como reporter. Exerceu a funcao de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Leticia Goncalves.