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Letícia Gonçalves

Presidente nacional do partido de Pazolini joga balde de água fria na aproximação com o PL

Em nota enviada à imprensa, Marcos Pereira afirmou que a tendência é a sigla ficar neutra e não apoiar Flávio Bolsonaro

Publicado em 12 de Julho de 2026 às 16:22

Públicado em 

12 jul 2026 às 16:22
Letícia Gonçalves

Colunista

Letícia Gonçalves

lgoncalves@redegazeta.com.br

Marcos Pereira, presidente nacional do Republicanos Fabio Rodrigues Pozzebom | Agência Brasil
Como a coluna mostrou, está cada vez mais próxima uma aliança entre o PL do senador Magno Malta e o Republicanos, partido do ex-prefeito de Vitória Lorenzo Pazolini.

Mas há percalços no caminho. 

No sábado (11), o presidente estadual do Republicanos, Erick Musso, fez menção ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), em tom elogioso, e exortou a união entre "partidos e lideranças" para a construção de "um novo tempo".

Já neste domingo (12), o presidente nacional do Republicanos, Marcos Pereira, jogou um balde de água fria na aproximação com o PL.

Em nota divulgada à imprensa, Pereira apontou que, ao contrário do especulado após recentes encontros entre líderes dos dois partidos, a tendência dos republicanos não é apoiar Flávio Bolsonaro (PL) na corrida pela Presidência da República. E sim a neutralidade.

Na mesma sexta-feira em que Magno Malta e Pazolini sentaram à mesa para tratar das eleições de 2026 no Espírito Santo, Marcos Pereira analisou uma pesquisa encomendada pelo Republicanos e apresentada à bancada do partido em São Paulo.

Pelas sondagens iniciais, o presidente Marcos Pereira detectou, preliminarmente, um sentimento de frustração à pré-candidatura de Flávio e uma indicação de preferência pela neutralidade nestas eleições

Marcos Pereira Presidente nacional do Republicanos


"O apoio a Lula está completamente descartado. Outras reuniões semelhantes à de São Paulo ocorrerão ao longo do mês", diz ainda a nota.

As tratativas locais entre o Republicanos e o PL, presidido no estado por Magno, engrenaram após o incentivo das cúpulas nacionais das duas legendas.

A eventual subida do Republicanos no palanque de Flávio praticamente selaria a parceria no Espírito Santo e outros estados considerados estratégicos pelo partido de Pazolini.

Já a possível neutralidade enfraquece o movimento local, embora não o inviabilize.

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A prioridade do Republicanos, no estado, é eleger Pazolini governador. O PL, por sua vez, quer garantir uma cadeira para a filha de Magno, Maguinha Malta, no Senado.

Erick Musso, no sábado, manifestou-se da seguinte forma: 

"Arregaçar as mangas e deixar de lado as possíveis diferenças.
É com essas palavras do presidente Bolsonaro, que li hoje em sua carta ao povo brasileiro, que renovo um chamado aos capixabas, aos partidos e às lideranças do nosso Estado, para que juntos possamos construir um novo tempo".

Erick é o principal articulador do ex-prefeito de Vitória, que precisa de parcerias para enfrentar a ampla aliança já desenhada por seu principal oponente, o governador Ricardo Ferraço (MDB).

Até agora, apenas o PSD do ex-governador Paulo Hartung declarou apoio a Pazolini.

O PL poderia contribuir com tempo de exibição no horário eleitoral, verba para fazer campanha e potenciais cabos eleitorais, ou seja, candidatos a deputado estadual e federal que pediriam votos aos eleitores em prol do republicano.

O ESTOPIM

O estopim para Marcos Pereira colocar o pé no freio nas negociações entre os dois partidos foi uma nota publicada pelo colunista do jornal O Globo Lauro Jardim, neste domingo.

O colunista cravou que o apoio do Republicanos a Flávio Bolsonaro já estaria selado, por meio de uma negociação, no mínimo, controversa.

Flávio teria se comprometido a indicar o próprio Marcos Pereira para ser ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) na próxima vaga a ser aberta, em 2028. 

Marcos Pereira negou a história: "O Republicanos nega que tenha fechado apoio a Flávio Bolsonaro para a Presidência da República. Nega também que tenha negociado a indicação do presidente Marcos Pereira ao STF como condição para o apoio".

O coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro, senador Rogério Marinho (PL-RN), também negou, em nota à imprensa, que tenha havido qualquer negociação nesse sentido.

Marinho, porém, adotou um tom mais conciliador:

"Em diversos estados, PL e Republicanos poderão caminhar juntos nos palanques regionais. O Republicanos também será bem-vindo à construção de uma coalizão nacional".

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Letícia Gonçalves

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espírito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiária no site Gazeta Online/CBN Vitória. Em 2008, passou a atuar como repórter da rádio. Em 2012, migrou para a editoria de Política de A Gazeta, tambem como repórter. Exerceu a função de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Letícia Goncalves.

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