PSDB e Podemos vão se fundir: veja quem vai dar as cartas, no ES, no novo partido
Acordo firmado
PSDB e Podemos vão se fundir: veja quem vai dar as cartas, no ES, no novo partido
Deputado federal Gilson Daniel avalia que união das siglas vai fortalecer Ricardo Ferraço (MDB) na corrida pelo Palácio Anchieta e e conta qual vai ser a prioridade da sigla que está prestes a surgir
Publicado em 01 de Maio de 2025 às 08:35
Públicado em
01 mai 2025 às 08:35
Colunista
Letícia Gonçalves
lgoncalves@redegazeta.com.br
Gilson Daniel, deputado federalCrédito: Pablo Valadares/Câmara
O Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) foi fundado em 1988, por egressos do MDB, e governou o país por duas vezes, com Fernando Henrique Cardoso. Durante muito tempo, os tucanos e o Partido dos Trabalhadores protagonizaram a política brasileira, cada um de um lado. Nos últimos anos, o bolsonarismo tornou-se o antagonista dos petistas e o PSDB encolheu. Agora, a própria sigla vai deixar de existir, ao se fundir com o Podemos.
O nome "Podemos" também não vai mais ser usado. Da união, um novo partido vai surgir. Falta definir como vai ser chamado. Nas urnas, os eleitores que optarem pela legenda vão digitar 20, o atual número do Podemos, e não mais 45. As cúpulas dos dois partidos já aprovaram a fusão, a ser concretizada após trâmites burocráticos internos e homologação na Justiça Eleitoral.
No Espírito Santo, o novo partido vai ser comandado por Gilson Daniel, atual presidente estadual do Podemos. A sigla já declarou apoio ao vice-governador Ricardo Ferraço (MDB) na corrida pelo Palácio Anchieta em 2026. Gilson avalia que, com a chegada dos membros do PSDB, que já tinham proximidade com o emedebista, o palanque de Ricardo se fortalece.
"A fusão fortalece o movimento do Ricardo e do governador", afirmou Gilson Daniel à coluna, na última terça-feira (29).
Ricardo é o plano A do grupo casagrandista na disputa pelo governo estadual.
Em termos práticos, os dois partidos, ao tornarem-se um só, passam a ter mais recursos para campanha eleitoral, mais tempo no horário eleitoral gratuito e mais força no Congresso Nacional, por exemplo, na hora da divisão de dinheiro de emendas parlamentares.
"Vamos ser um novo movimento de centro-direita"
Gilson Daniel - Deputado federal e presidente estadual do Podemos
Sem meias palavras, a fusão é a tábua de salvação do PSDB, que corria o risco de morrer em vida, dados os recentes resultados eleitorais tímidos. Ao mesmo tempo, é o apagamento, de vez, do nome, do número e da ave (neste caso, apenas metaforicamente falando. Os tucanos reais estão seguros, eu acho).
A sigla chegou a formar uma federação com o Cidadania, mas isso não foi suficiente para garantir a sobrevivência.
Todos os partidos precisam atingir a cláusula de desempenho (eleger ao menos 13 deputados federais, divididos entre nove estados, ou obter ao menos 2,5% dos votos na eleição para a Câmara dos Deputados). Do contrário, ficam sem recursos financeiros e, consequentemente, incapazes de funcionar. É justamente esse o risco que o PSDB corre, ou corria.
No Espírito Santo, o Podemos tem dois deputados federais (Gilson Daniel e Victor Linhalis). O PSDB, no estado, não tem nenhuma cadeira na Câmara.
"A prioridade (em 2026) vai ser a eleição de deputado federal", frisou Gilson.
A presidente nacional do Podemos, Renata Abreu, vai presidir a nova sigla pelos primeiros quatro anos. Fica claro, portanto, como a balança de poder vai se comportar.
O presidente do PSDB capixaba é o deputado estadual Vandinho Leite. A coluna tentou contato com o parlamentar, que não deu retorno.
"Sou amigo do Vandinho, estamos alinhados. Ele vai me ajudar na montagem de chapa de candidatos a deputado. Vandinho também já está no movimento do Ricardo", ressaltou Gilson Daniel.
Ricardo Ferraço, cabe lembrar, já foi filiado ao PSDB. O partido de Vandinho, assim como o Podemos, integra a base de Casagrande.
Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiaria no Gazeta Online/ CBN Vitoria. Em 2008, passou a atuar como reporter da radio. Em 2012, migrou para a editoria de Politica de A Gazeta, tambem como reporter. Exerceu a funcao de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Leticia Goncalves.