Serra tem convenção "fantasma" e novo presidente de partido a caminho
Eleições 2024
Serra tem convenção "fantasma" e novo presidente de partido a caminho
Comando municipal do União Brasil foi dissolvido após intervenção nacional, mas grupo resistiu e endossou apoio a Weverson Meireles (PDT) para prefeito
Publicado em 22 de Julho de 2024 às 12:23
Públicado em
22 jul 2024 às 12:23
Colunista
Letícia Gonçalves
lgoncalves@redegazeta.com.br
Weverson Meireles na convenção do União Brasil da SerraCrédito: Instagram/@weversonmeireles
A manobra ocorreu por intermédio do presidente da Assembleia Legislativa, Marcelo Santos, recém-filiado ao União. Na Serra, ele apoia a pré-candidatura do deputado estadual Pablo Muribeca (Republicanos).
O objetivo é nomear um novo órgão provisório municipal e, assim, tirar o partido do palanque de Weverson e levá-lo aos braços de Muribeca.
No sábado (20), entretanto, o União Brasil da Serra, mesmo após ter sido inativado pela Executiva nacional, realizou a convenção partidária.
No evento, foi reafirmado o endosso a Weverson, pupilo do prefeito da Serra, Sérgio Vidigal (PDT). O pré-candidato até discursou lá.
Também foram homologados os nomes dos candidatos a vereador do União Brasil, chapa composta por 18 homens e 6 mulheres.
O presidente municipal do partido até a última quinta-feira (18) era o secretário adjunto de Defesa Social da Serra, Antônio Carlos Barbosa Coutinho, o coronel Coutinho.
À coluna, ele afirmou não reconhecer a dissolução do órgão provisório. Ou seja, ainda se considera o presidente municipal da legenda.
Coronel Coutinho argumentou que a intervenção nacional não seguiu o rito necessário e, por isso, é irregular.
"De acordo com o estatuto do União Brasil, para a destituição ocorrer, o presidente municipal tem que ser notificado oficialmente e tem cinco dias para responder", afirmou.
"Eu não fui comunicado, nem por telefone, nem por mensagem... Só fiquei sabendo da intervenção extraoficialmente, como todo mundo", complementou.
"Fizemos a convenção porque não podemos destruir o sonho das pessoas. A chapa de candidatos a vereador não foi formada ontem. E nosso pré-candidato a prefeito é Weverson Meireles", ratificou o coronel.
Coutinho, depois, enviou um ofício ao presidente estadual do União, Felipe Rigoni, e aguarda resposta sobre essa questão estatutária.
Enquanto isso, integrantes do grupo ligado a Marcelo Santos e a Pablo Muribeca avaliam, nos bastidores, que a convenção municipal do União de sábado foi irregular, já que o site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) registra, desde sexta, que não há um órgão diretivo do partido na Serra.
Seria, portanto, uma "convenção fantasma", sem efeito prático.
No sábado, Marcelo participou da convenção do Podemos de Vila Velha, que oficializou a candidatura à reeleição do prefeito Arnaldinho Borgo. Lá, a coluna questionou o presidente da Assembleia, que confirmou a participação como interlocutor para promover a intervenção no União Brasil da Serra.
Ele ainda ressaltou que há possibilidade de o vice na chapa de Muribeca ser indicado pelo União:
"Há um diálogo com o pré-candidato Pablo Muribeca, podendo, inclusive, o partido figurar na chapa majoritária"
Marcelo Santos (União Brasil) - Presidente da Assembleia Legislativa do Espírito Santo
Os nomes dos integrantes do novo órgão provisório municipal já foram definidos e estão em processamento na Executiva nacional. Falta apenas a publicação no site do TSE, o que deve ocorrer ainda nesta segunda-feira (22).
O indicado para presidir o União na Serra é Yulo Gabriel de Castro, servidor comissionado da Assembleia e ligado a Marcelo Santos.
Ele ainda não se porta publicamente como o novo presidente da sigla na Serra, pois não foi oficializado no cargo. Assim, não confirmou se o partido vai migrar para o palanque de Muribeca.
Aliás, Yulo nem ao menos é filiado ao União Brasil. Ele integra a Executiva estadual do PSDB no Espírito Santo e está se desligando do partido para ingressar na nova legenda.
Instaurar outro comando municipal e realizar uma nova convenção pode não ser tarefa fácil. O imbróglio pode parar no Judiciário.
Coronel Coutinho afirmou à coluna que, se a questão não for resolvida internamente, em âmbito administrativo, pode ingressar com ação judicial.
O prazo para realização de convenções partidárias, uma exigência legal para oficializar candidaturas nas eleições de 2024, termina no dia 5 de agosto.
Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiaria no Gazeta Online/ CBN Vitoria. Em 2008, passou a atuar como reporter da radio. Em 2012, migrou para a editoria de Politica de A Gazeta, tambem como reporter. Exerceu a funcao de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Leticia Goncalves.