"Só deixo o mandato por secretaria que tiver entrega", diz Gilson Daniel
Governo Casagrande
"Só deixo o mandato por secretaria que tiver entrega", diz Gilson Daniel
Deputado federal eleito, presidente estadual do Podemos também diz ter compromisso com coronel Ramalho. Se Gilson compuser o governo Casagrande, o militar assume uma cadeira na Câmara
Publicado em 08 de Dezembro de 2022 às 08:37
Públicado em
08 dez 2022 às 08:37
Colunista
Letícia Gonçalves
lgoncalves@redegazeta.com.br
Gilson Daniel (Podemos)Crédito: Reprodução/Redes Sociais
O deputado federal eleito Gilson Daniel (Podemos) é um aliado de primeira hora do governador Renato Casagrande (PSB). Foi secretário de Governo e de Planejamento. Deixou o primeiro escalão apenas para disputar as eleições de 2022. E pode voltar à equipe em janeiro. Mas isso não seria tão simples.
A disputa de outubro foi dura. Muita gente duvidou que o Podemos emplacaria dois nomes na Câmara dos Deputados, como Gilson, presidente estadual do partido, apregoava. Mas conseguiu. Não apenas ele, como o vice-prefeito de Vila Velha, Victor Linhalis, chegaram lá.
O coronel Ramalho, ex-secretário de Segurança Pública e também filiado ao Podemos, entretanto, foi rifado. Não concorreu ao Senado, teve que "descer" para a disputa a deputado federal. Não foi eleito.
Agora, Gilson Daniel diz que tem um compromisso com o militar. "Ou ele vai para o mandato, ou para uma secretaria ou para o meu gabinete", afirmou o presidente estadual do Podemos. "E a preferência dele é ir para Brasília", complementou.
Ir "para o mandato" significaria Ramalho substituir Gilson Daniel no Congresso Nacional. O coronel é o suplente. Bastaria que o eleito se licenciasse da cadeira para voltar ao governo Casagrande. Isso se o governador o convidasse, evidentemente.
Pedroso, aliás, é filiada ao Podemos e muito próxima a Gilson Daniel. "Ela trabalhou comigo na prefeitura (de Viana) e na Amunes (Associação dos Municípios do Espírito Santo), mas foi uma escolha do governador, não uma indicação do partido", frisou o presidente estadual da legenda.
De qualquer forma, Gilson não gostaria de ser secretário de Planejamento ou de Governo novamente. Tem outras duas secretarias nas quais ele está de olho:
"Eu só deixaria o mandato por uma secretaria que tivesse entrega para a sociedade. Só tem duas, Sedurb (Secretaria de Estado de Saneamento, Habitação e Desenvolvimento Urbano) e Seag (Secretaria de Estado da Agricultura)".
A Sedurb hoje está com o PP, outro grande aliado de Casagrande. O presidente estadual dos progressistas, Marcus Vicente, é o secretário da pasta.
A Seag vai ficar sob o guarda-chuva do supersecretário Ricardo Ferraço (PSDB). Vice-governador eleito, ele vai ser o titular da pasta de Desenvolvimento, mas coordenará também a Agricultura e o Meio Ambiente.
Ricardo tem sido ouvido pelo governador para a escolha do secretariado.
Questionado pela coluna se falou com o vice eleito sobre a Seag, Gilson deixou por menos. Frisou ser amigo do tucano. "Mas não conversei com Ricardo (sobre isso). Minha conversa é com o governador".
"TEM QUE OLHAR QUEM CHEGOU PRIMEIRO"
O Podemos elegeu dois deputados federais e três estaduais. A bancada na Assembleia vai aumentar com a incorporação do PSC ao partido. Xambinho, reeleito deputado estadual pelo Partido Social Cristão, vai se juntar à bancada.
Um aliado do governador consultado pela coluna afirmou que o critério para a ocupação de secretarias no governo não é apenas o resultado eleitoral e sim "a lealdade". E quanto a isso, o Podemos também marca pontos.
"A medição principal não é pela quantidade de pessoas eleitas, a medida principal é a lealdade. O PP é um partido muito leal ao governador, assim como o Podemos. São partidos privilegiados na conversa com o governador", avaliou o aliado, que tem trânsito livre no gabinete do socialista.
Gilson Daniel tem o mesmo discurso; "Tem um grupo de partidos que acreditou na reeleição do governador desde o inicio, PP. PT, Podemos. Tem que olhar quem chegou primeiro".
"O Podemos 100% esteve com Casagrande. Tem partido que metade ficou com Casagrande e metade ficou com o adversário. Isso tem que ter valor e o histórico do governador é esse (de reconhecer a lealdade dos aliados)", complementou o deputado federal eleito.
Para ele, uma secretaria está de bom tamanho para o partido, desde que seja "uma que faz entregas para a sociedade", voltou a ressaltar.
E EM BRASÍLIA?
Se a escolha do governador foi diversa do intento de Gilson Daniel, o deputado federal eleito diz que, em Brasília, vai fazer um mandato voltado aos municípios. "Minha bandeira é municipalista, meu mandato vai ser focado no apoio aos municípios", adiantou.
Já se Ramalho virar deputado, a principal pauta, certamente, vai ser a Segurança Pública.
Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiaria no Gazeta Online/ CBN Vitoria. Em 2008, passou a atuar como reporter da radio. Em 2012, migrou para a editoria de Politica de A Gazeta, tambem como reporter. Exerceu a funcao de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Leticia Goncalves.