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Plano está em curso

TJES sai mal na foto em levantamento do CNJ e precisa, mesmo, de modernização

Justiça em Números mostra que Tribunal capixaba tem o 3° pior desempenho entre os TJs de médio porte e o 5° pior do país. Atraso no processo eletrônico chama a atenção. Um plano, com auxílio do BID, pode ajudar

Publicado em 30 de Agosto de 2023 às 11:07

Públicado em 

30 ago 2023 às 11:07
Letícia Gonçalves

Colunista

Letícia Gonçalves

lgoncalves@redegazeta.com.br

TJES
Tribunal de Justiça do Espírito Santo, na Enseada do Suá, Vitória Crédito: Carlos Alberto Silva
Justiça em Números é um levantamento feito anualmente pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), mostra um raio-x do Judiciário brasileiro e estabelece rankings envolvendo diferentes critérios. O relatório de 2023, com base em dados do ano passado, foi divulgado na última segunda-feira (28).
E o Tribunal de Justiça do Espírito Santo está mal na foto. O Índice de Produtividade Comparada da Justiça (IPC-Jus) é um indicador que resume a produtividade e a eficiência dos tribunais, considerando o primeiro e o segundo graus. Varia de varia de 0 a 100%. 
"Quanto maior o valor, melhor o desempenho da unidade, significando que ela foi capaz de produzir mais, com menos recursos disponíveis", explica o relatório.
Pois bem. O IPC-Jus do TJES foi de 61%. É como se, numa prova que valesse dez, recebesse a nota 6,1. Isso o torna o terceiro pior tribunal estadual entre os de médio porte e o 5º pior do país.
A média do IPC-Jus dos tribunais estaduais é de 83%.
IPC-Jus 2023
IPC-Jus 2023: os tribunais na cor verde são os de médio porte Crédito: Reprodução/CNJ
"Somente 5 tribunais apresentaram índices abaixo de 50%, sendo TJAM (46%) e TJES (47%) no 2º grau e TJAC (47%) e TJAL (49%) no 1º grau", destaca o CNJ. Ou seja, no Espírito Santo, o segundo grau, formado pelos desembargadores, puxou a média para baixo.
Ao se observar alguns critérios separadamente, as más notícias persistem. Vamos, por exemplo, à taxa de congestionamento, que mede o percentual de processos que ficaram represados, sem solução, comparativamente ao total tramitado no período de um ano.
"Quanto maior o índice, maior a dificuldade do tribunal em lidar com seu estoque de processos", registra o relatório.
A taxa de congestionamento do TJES, que engloba as duas instâncias, é de 72,4%, a maior entre os tribunais de médio porte.
PRODUTIVIDADE DOS MAGISTRADOS
E o que dizer do Índice de Produtividade dos Magistrados (IPM)? Ele é calculado pela relação entre o volume de casos baixados e o número de magistrados que atuaram durante o ano na jurisdição.
O IPM dos juízes e desembargadores do TJES é de  1.134. Isso quer dizer que, em média, cada um baixou  1.134 processos em 2022. É o menor IPM entre os tribunais de médio porte.
O IPM, na Justiça estadual capixaba, deveria ser de 1.804 para o TJES atingir 100% no IPC-Jus.
Índice de Produtividade dos Magistrados do TJES 2023
O Índice de Produtividade dos Magistrados do TJES é o pior entre os tribunais de médio porte (em verde) Crédito: Reprodução/CNJ
AS POSSSÍVEIS CAUSAS
Quando se fala em produtividade dos magistrados, não se está falando da boa ou da má vontade do juiz para o trabalho, embora, claro, isso possa influenciar qualquer atividade profissional.
Mas o quanto uma pessoa consegue produzir ou quão eficiente um tribunal pode ser está relacionado, principalmente, com as condições e ferramentas para tal.
Na Justiça Estadual, via de regra, a carga de trabalho de primeiro grau chega a ser mais do dobro da de segundo grau. A carga de trabalho da magistratura, em todo o país, teve aumento de 4,7% em 2022.
E o TJES é o tribunal de porte médio com o maior percentual de cargos vagos de magistrados.

33,3%

É o percentual de cargos vagos de magistrados na Justiça estadual do ES
ANALÓGICO 
Mas o grande gargalo, pelo que se pode depreender do Justiça em Números, é o fato de o TJES ser um Tribunal ainda bastante analógico. 
Há muitos processos físicos, em vez de eletrônicos, e poucas iniciativas de balcão virtual e Núcleos de Justiça 4.0.
O TJES tem o menor percentual de casos novos eletrônicos entre os tribunais de médio porte: 79%. O TJ de Pernambuco, o segundo pior, tem 97,1%.
"A Justiça Estadual apresenta 97,8% de processos eletrônicos novos, sendo que somente o Tribunal de Justiça do Espírito Santo destoa por apresentar indicador inferior a 95%, com 79% de processos ingressados eletronicamente", registra o Justiça em Números.
Mas o "TJES já demonstra evolução no segundo grau", observa o CNJ. No segundo grau, o percentual é de 96%. No primeiro, 77%.
O CNJ estabeleceu um cronograma para os tribunais digitalizarem o acervo de processos físicos, de forma que passem a tramitar em sistemas eletrônicos.
De acordo com dados de 2022, utilizados no relatório, o percentual de processos físicos em tramitação na Justiça estadual do  Espírito Santo é de 46,8%.
O TJES, assim, é um dos quatro tribunais do país (considerando todos os ramos do Judiciário) que ainda têm mais de 20% do acervo em formato físico. Os demais são TJSP (72,4%), TRF3 (68,8%) e TJMSP (42,7%).
O PLANO
A coluna já mostrou que o TJES pediu um empréstimo de US$ 35,3 milhões ao Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) para implantar o Programa de Modernização do Poder Judiciário. 
Em outro ranking do CNJ, o Índice de Governança, Gestão e Infraestrutura de Tecnologia da Informação e Comunicação do Poder Judiciário (iGovTIC-JUD), o TJES está em último lugar. Mais um indicativo do formato analógico da Corte.
O programa de modernização tem como objetivo, justamente, superar isso.
Entre as medidas previstas, estão a retenção e a atração de bons servidores na área de Tecnologia da Informação; a digitalização de 830 mil processos físicos; a implantação de inteligência artificial na tramitação dos processos judiciais, entre outros.
A Assembleia Legislativa já aprovou a tomada de crédito e o governador Renato Casagrande (PSB) sancionou a lei. Falta o aval do Senado.
É muito dinheiro? É. Mas a taxa de juros, de 2,3% ao ano, é atrativa. Isso é possível porque o BID é um banco de fomento. 
A Justiça estadual do Espírito Santo precisa, sim, de modernização, para prestar um serviço mais ágil e de melhor qualidade. Afinal, justiça que tarda não é justiça.

Letícia Gonçalves

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiaria no Gazeta Online/ CBN Vitoria. Em 2008, passou a atuar como reporter da radio. Em 2012, migrou para a editoria de Politica de A Gazeta, tambem como reporter. Exerceu a funcao de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Leticia Goncalves.

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