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Aprovado pelo Congresso

Vem aí mais um reajuste, desta vez para os juízes do ES

Deputados estaduais, governador, vice e secretários já tiveram salários turbinados. Aprovação de projeto no Congresso Nacional para ministros do STF vai provocar efeito cascata

Publicado em 27 de Dezembro de 2022 às 02:10

Públicado em 

27 dez 2022 às 02:10
Letícia Gonçalves

Colunista

Letícia Gonçalves

lgoncalves@redegazeta.com.br

Data: 27/12/2019 - ES - Vitória - Fachada da sede do Tribunal de Justiça do Estado do Espírito Santo - Editoria: Política - Foto: Carlos Alberto Silva - GZ
 Tribunal de Justiça do Estado do Espírito Santo, em Vitória Crédito: Carlos Alberto Silva
O Congresso Nacional já aprovou um reajuste de 18% aos salários dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Falta apenas a sanção do presidente da República. Jair Bolsonaro (PL) pode usar a caneta ou deixar a tarefa para o novo presidente, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que assume dia 1ª de janeiro.
O aumento vai ser escalonado. O subsídio dos ministros começa a ser reajustado em abril de 2023. Até fevereiro de 2025, a cifra vai passar dos atuais R$ 39.293,32 brutos para R$ 46.366,19.
O impacto nos contracheques dos juízes que atuam na Justiça Estadual do Espírito Santo vai ser imediato.
De acordo com o Código de Organização Judiciária do Estado do Espírito Santo (Lei 234/02), os salários dos magistrados estão diretamente relacionados ao dos ministros da Corte Suprema.
Assim, o subsídio de um desembargador do TJES tem que ser o correspondente a 90,25% do que recebe um ministro do STF. O salário de um juiz de Direito, por sua vez, é o equivalente a 95% do subsídio de um desembargador.
Já um juiz substituto conta com 90% do salário de um desembargador.
Não é necessária a aprovação de nenhuma outra lei para que o aumento nos salários dos ministros do Supremo impacte a folha de pagamento do Judiciário estadual.
O próprio Supremo, autor do projeto de lei que prevê o reajuste, calculou quanto o reajuste vai custar à Corte: R$ 910.317,00 em 2023. Isso considerando apenas os salários dos ministros.
O reajuste também vai causar um efeito cascata nos salários dos ministros de tribunais superiores e dos juízes federais. Considerando os membros do Poder Judiciário da União, o impacto será de R$ 255,38 milhões.
O dinheiro para pagar os juízes estaduais, entretanto, sai dos cofres estaduais.
Isso o Supremo não calculou.
A coluna poderia fazer uma conta "de padaria", como se diz, considerando os 280 juízes e os 30 desembargadores que integram o Tribunal de Justiça do Espírito Santo.
Ocorre que o impacto é ainda maior. Engloba também aposentados e pensionistas e o custo da contribuição patronal ao sistema previdenciário.
E há ainda a ampliação do valor do teto. Os servidores do Judiciário estadual não podem ganhar mais que um desembargador.
Se o salário do desembargador sobe, o valor a ser recebido por quem está no topo da carreira, também.
OS SALÁRIOS
O que é possível prever é o aumento no salário dos juízes e desembargadores.
  • O salário de um desembargador do TJES vai passar dos atuais R$ 35,4 mil brutos para R$ 37,5 mil em abril de 2023. Em fevereiro de 2025, vai chegar a R$ 41,8 mil.
  • O salário de um juiz de Direito vai sair dos atuais R$ 33,6 mil para R$ 35,7 mil em abril de 2023. Em fevereiro de 2025, vai para R$ 39,6 mil.
  • O salário de um juiz substituto, que hoje é de R$ 31,9 mil, vai passar para R$ 33,8 mil em abril de 2023. Em fevereiro de 2025, a cifra vai subir para R$ 37,6 mil.
O Orçamento do TJES para 2023 é de R$ 1,3 bilhão. O que mais consome essa receita é a folha de pagamento de pessoal, mesmo desconsiderando o reajuste. É assim todo ano.
Um dos desafios do Judiciário capixaba é digitalizar os processos. Outros tribunais do país estão bem mais adiantados nessa tarefa.
A Corte vive às voltas, entretanto, com um dilema: gasta muito com pessoal e, ainda assim, tem déficit na força de trabalho. Faltam juízes e servidores.
A digitalização deve diminuir a demanda sobre os funcionários, automatizando procedimentos que demandam emprego de mão de obra.
Mas como focar a implantação do Processo Judicial Eletrônico se o orçamento está, cada vez mais, voltado a outras prioridades?
E, desta vez, não é culpa do TJ. O reajuste tem que ser aplicado, se sancionado, por força de lei.
Em 2015, após estourar o limite de gastos com pessoal imposto pela Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), a Corte chegou a congelar os salários e cancelar as promoções na carreira de servidores.
Agora, a situação é bem mais confortável. O Judiciário estadual pode gastar o equivalente a 6% da Receita Corrente Líquida (RCL) do Estado com pessoal. Esse percentual, de acordo com o Tribunal de Contas (TCES), está em 4,74%.

Membros do Ministério Público também vão ser beneficiados

O Congresso Nacional também aprovou um reajuste de 18%, escalonado, no salário do procurador-geral da República, cargo hoje ocupado por Augusto Aras. 

A PGR enviou projeto à Câmara dos Deputados nos mesmos moldes do do Supremo. Há uma simetria nas carreiras do Judiciário e do Ministério Público. 

Um procurador de Justiça do Ministério Público do Espírito Santo, por exemplo, ganha o mesmo que um desembargador do TJES. E um promotor de Justiça, o mesmo que um juiz de Direito. 

Logo, quando os contracheques dos magistrados estaduais forem reajustados, o mesmo vai ocorrer com os dos membros do Ministério Público estadual.

Letícia Gonçalves

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiaria no Gazeta Online/ CBN Vitoria. Em 2008, passou a atuar como reporter da radio. Em 2012, migrou para a editoria de Politica de A Gazeta, tambem como reporter. Exerceu a funcao de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Leticia Goncalves.

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