Vidigal explica por que deixou no ar "dúvida" sobre ser candidato à reeleição
Eleições 2024
Vidigal explica por que deixou no ar "dúvida" sobre ser candidato à reeleição
Coluna acertou a aposta: PDT confirmou Weverson Meireles na disputa pela Prefeitura da Serra. Convenção do partido, entretanto, foi embalada pelo clima de suspense
Publicado em 07 de Agosto de 2024 às 03:20
Públicado em
07 ago 2024 às 03:20
Colunista
Letícia Gonçalves
lgoncalves@redegazeta.com.br
Weverson Meireles e Sérgio Vidigal na convenção do PDT da SerraCrédito: Samuel Chahoud/Divulgação
A coluna já analisou que isso serviu para desestabilizar os adversários do PDT. Também ajudou a atrair holofotes e a lotar a convenção, que contou milhares de pessoas — o mestre de cerimônias chegou a mencionar 12 mil participantes.
Lá, Vidigal e Weverson revelaram os próprios argumentos para a manutenção do suspense até o último segundo.
Todas as lideranças políticas que discursaram antes de Vidigal, como o vice-governador Ricardo Ferraço, presidente estadual do MDB, participaram do jogo ao dizer que não sabiam quem seria o candidato.
Enquanto isso, atrás das cortinas, um vídeo gravado pelo governador Renato Casagrande (PSB), felicitando Weverson como o pedetista escolhido para concorrer, já estava engatilhado para ser exibido.
Ou seja, não era segredo.
"As pessoas falaram o seguinte: poxa, se sabiam desde o início que o Weverson seria o candidato, por que houve esse suspense todo? Não houve suspense. Foi uma medida para que a gente pudesse proteger o nosso projeto", afirmou Vidigal, ao discursar.
"Não dei nenhuma declaração de que eu estava revendo minha posição. Eu me calei para poder, de repente, deixar essa dúvida nas pessoas para não haver o ataque. O Weverson estava sendo atacado demais", afirmou o prefeito, logo depois, em entrevista à coluna.
Ainda no discurso, Vidigal contou que "no final de junho, sempre que a gente ia entregar uma obra, tinha uma denúncia, uma ação judicial. A gente sabe que essa é uma prática deles (adversários), que não gostam de botar o rosto na frente e usam partidinhos nanicos para tomar medidas como essas".
Na entrevista, ele explicou que deixou de participar de inaugurações de obras a partir do início de julho, uma exigência da legislação eleitoral para candidatos — mesmo sem ser candidato — para evitar que isso se tornasse um problema para Weverson.
"Mesmo que o processo não desse em nada, viraria munição para os adversários. Imagine que o juiz condena o Weverson, se ele nem no palanque estava, porque alguém citou o nome dele?".
Weverson, por sua vez, em entrevista coletiva, defendeu a estratégia adotada pelo padrinho político: "O movimento que Vidigal fez foi um movimento de defesa desse grande projeto de renovarmos a política da nossa cidade".
De fato, tem havido uma série de decisões judiciais desfavoráveis a Vidigal/ Weverson.
"Se você pegar as fotos da nossa gestão, vai ver que na paleta há várias cores, não uma só. E o verde do PDT é de uma tonalidade diferente", rebateu o prefeito, em entrevista à coluna.
"Ontem, Sueli (a primeira-dama da Serra) até ficou preocupada em me dar uma toalha para eu me enxugar porque a toalha era verde, para a juíza não querer me multar", ironizou.
Aliás, Audifax, ex-aliado e, há anos, arquirrival de Sérgio Vidigal, foi indiretamente citado no discurso que o prefeito fez na convenção:
"Antes fosse o meu inimigo (quem está por trás das ações judiciais), mas era aquele que ceiava na minha casa".
"Vai começar a campanha e o ódio está sendo destilado por muita gente. Vamos enfrentar o ódio com amor", bradou o prefeito.
Vidigal também fez questão de ressaltar que o PDT tem cinco mandatos à frente da Prefeitura da Serra.
Quatro foram do próprio Vidigal e o outro, de Audifax, quando este era filiado ao partido.
Os dois romperam em 2008, quando o PDT, para levar Vidigal de volta ao poder, impediu Audifax de disputar a reeleição.
"IMPOSSÍVEL ATÉ QUE SEJA FEITO"
Em 2024, a tarefa de eleger Weverson vai ser similar à que Sérgio Vidigal empreendeu em 2004, quando apoiou Audifax, então novato na política.
Só que, agora, ele tem o próprio Audifax do lado oposto e ainda desafiantes que se apresentam como "o novo", para acabar com o revezamento entre os dois rivais na prefeitura. Um exemplo é o deputado estadual Pablo Muribeca (Republicanos).
Weverson nunca disputou uma eleição e é menos conhecido que Vidigal.
"Vou fazer o que a Serra precisa, apresentar a renovação ao lado da experiência", afirmou o candidato do PDT.
Na entrada do cerimonial em que foi realizada a convenção, além de fotos gigantes de Weverson ao lado de Vidigal, foram instalados painéis com frases.
Uma delas é atribuída a Nelson Mandela e diz "sempre parece impossível, até que seja feito".
Frase atribuída a Mandela em painel na convenção do PDT da SerraCrédito: Letícia Gonçalves
A VAGA DE VICE
A vaga de vice de Weverson Meireles vai ficar com o MDB ou com o Podemos. A delegada Gracimeri Gaviorno, emedebista, está no páreo.
O martelo deve ser batido nos próximos dias.
AUSÊNCIA DE DUDU
Chamou a atenção da coluna que Eduardo Vidigal, um dos filhos do prefeito, não participou da convenção.
Sueli Vidigal discursa na convenção do PDT da SerraCrédito: Letícia Gonçalves
O motivo alegado por Vidigal para não tentar a reeleição, como revelou, em março, são questões pessoais e familiares. A esposa dele, a ex-deputada federal Sueli Vidigal, passa por um problema de saúde.
Sueli participou da convenção do PDT e até discursou. Citou a famosa frase do livro "O Pequeno Príncipe", de Antoine de Saint-Exupéry:
"Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas". Só que ela acrescentou um trecho: "Nós cativamos a Serra".
Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiaria no Gazeta Online/ CBN Vitoria. Em 2008, passou a atuar como reporter da radio. Em 2012, migrou para a editoria de Politica de A Gazeta, tambem como reporter. Exerceu a funcao de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Leticia Goncalves.