Prefeito decidiu não disputar a reeleição e lançou Weverson Meireles como pré-candidato. Contra "retrocesso", os dois estão dispostos a conversar com um velho adversário
Publicado em 17 de Março de 2024 às 11:17
Públicado em
17 mar 2024 às 11:17
Colunista
Letícia Gonçalves
lgoncalves@redegazeta.com.br
O prefeito da Serra, Sérgio VidigalCrédito: Samuel Chahoud/Divulgação
Para evitar tal "retrocesso", Vidigal está disposto até a conversar com Audifax. O ex-prefeito já foi pupilo e aliado do pedetista, mas os dois romperam e protagonizam a disputa política na Serra há anos.
"Eu já recebi pedrada (de Audifax), mas eu nunca dei pedrada. Sou um homem de porta aberta. Estou preparado para conversar com todo mundo. Acho até que era um bom momento de a gente se unir para fazer a virada de chave no município da Serra", respondeu o prefeito quando questionado, em entrevista coletiva, sobre a possibilidade de manter contato com o ex-prefeito.
"Não é para derrotar o Muribeca, é para evitar o retrocesso", respondeu.
"O Audifax, desde o início, se coloca como pré-candidato e a gente tem que respeitar isso", ponderou o prefeito, ao explicar porque ainda não procurou o adversário. "Mas, no momento que tiver sinalização para conversar, não tenho nenhuma dificuldade. O que passou passou".
Meireles, o novo pupilo, também se colocou à disposição para dialogar com o pré-candidato do Progressitas:
"Estamos abertos a fazer todo e qualquer tipo de diálogo que seja de defesa da continuidade do desenvolvimento da cidade. Não podemos permitir retrocesso (...) Brincar com o futuro da Serra é brincar com o futuro do nosso estado".
Vidigal poderia disputar a reeleição, e tentar chegar ao quinto mandato como prefeito da Serra, mas decidiu não fazê-lo, conforme explicitou no sábado, para dedicar-se à família. A esposa dele, a ex-deputada federal Sueli Vidigal (PDT), passa por problemas de saúde.
O nome de Weverson Meireles foi, como frisou o prefeito, "apresentado, não imposto". O PDT, que, aliás, tem como presidente estadual o próprio Meireles, admite desistir de lançar candidato próprio e firmar aliança com outras siglas. Tudo para impedir "o retrocesso".
"Se tiver, dentro desse grupo aliado, alguém com melhores condições (de disputar a prefeitura), não teremos nenhuma vaidade. Mas seria interessante que fosse alguém que conhece a máquina, que conhece a prefeitura. O Weverson tem condições de debater qualquer pauta da gestão pública da Serra, foi secretário de duas pastas aqui e participa do planejamento estratégico da cidade. Eu poderia buscar alguém que tem mais voto, mas seria uma irresponsabilidade se a pessoa não tiver qualificação", afirmou Vidigal.
O que o prefeito garantiu é que não vai, como chegou a ser especulado por atores políticos da Serra, assumir o lugar de candidato a prefeito mais à frente e colocar Meireles como vice na chapa.
"Seria até desrespeitoso da minha parte fazer um evento desse (de lançamento de Meireles) e depois fazer isso."
Weverson Meirels, Sérgio Vidigal e Sueli VidigalCrédito: Samuel Chahoud/Divulgação
"Audifax saiu da mesma escola pela qual estou sendo apresentado. Audifax, em 2004, foi apresentado por esse mesmo gestor. Ele adquiriu também muita experiência, que o levou adiante. Então, por que não conversar com ele?", lembrou Weverson Meireles.
Questionado, meio de brincadeira, durante entrevista coletiva, se seria "o novo Audifax", o novo pupilo de Vidigal respondeu, de pronto: "Não. Sou o Weverson e tenho lealdade com meus compromissos".
O ex-prefeito já foi do mesmo grupo político de Vidigal. Integrou as fileiras do PT, do PDT, do PSB, da Rede e, desde dezembro do ano passado, está no PP.
Quando pedetista, Audifax foi secretário municipal na gestão Vidigal, ocupou pastas que lhe deram visibilidade. Quando o prefeito já estava no segundo mandato consecutivo e, por isso, não poderia disputar a reeleição, emplacou o então aliado nas urnas.
Depois, em 2008, entretanto, o PDT de Vidigal não deu espaço para Audifax tentar a reeleição. Aquele ano marcou o retorno do próprio Vidigal à prefeitura. Em 2012, já filiado ao PSB, Audifax deu o troco e venceu a disputa contra Vidigal.
Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiaria no Gazeta Online/ CBN Vitoria. Em 2008, passou a atuar como reporter da radio. Em 2012, migrou para a editoria de Politica de A Gazeta, tambem como reporter. Exerceu a funcao de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Leticia Goncalves.