O Brasil está longe de cumprir com a sua atribuição de entregar à sociedade uma educação de qualidade. Ainda que a educação seja também uma obrigação da família, é preciso que o Estado, além da instrução, contribua na preparação da juventude para a vida em sociedade. Principalmente no ensino público, que atende às faixas de renda mais baixa.
Meu saudoso pai, professor Américo Menezes, catedrático de português, escritor com vários livros publicados, escreveu, dentre eles, "Educação Nacional, Formação do Caráter” (Editora Edicon, 2008). Nesse livro, em subtítulo, ressaltou: “Só cuidamos de instruir, precisamos educar”. A obra sucedeu ao livro “Brasil Subeducação e Subdesenvolvimento”, versando sobre o mesmo tema.
Concordo inteiramente com o subtítulo do referido livro. Bastou uma comparação do ensino fundamental do meu tempo (década de 1950, cursos primário e ginasial) com o que vejo nos tempos atuais.
Naqueles anos, além das matérias relativas à instrução (português, ciências, matemática etc.), os alunos recebiam também ensinamentos básicos de conduta, de disciplina e outros valores indispensáveis para uma boa convivência social. Havia uma integração entre a instrução e a educação propriamente dita. Tanto nas escolas públicas como particulares.
E o que vemos hoje no nosso país? Uma considerável diminuição da qualidade do ensino, tanto na instrução como na preparação do estudante para a sua inclusão social. Haja vista as lamentáveis posições do nosso país em vários rankings mundiais de avaliação da qualidade de ensino.
Após a instituição da Lei das Diretrizes e Bases (20.12.1996), podemos constatar – infelizmente – que nesses quase trinta anos houve no Brasil um processo de substituição dos ensinamentos voltados para a preparação do estudante para o bom convívio social por um direcionamento progressista que menosprezou aqueles valores tradicionais transmitidos pelos professores daquela época.
Percebe-se, como consequência – principalmente no ensino público – um notório afrouxamento da disciplina no ambiente escolar e uma excessiva liberalidade na relação entre professores e alunos. Não se vê mais aquela valorização do professor, visto no passado como mestre, e respeitado como tal.
Ao vermos hoje nas escolas brasileiras esse clima de excessiva liberalidade, tornando-as vulneráveis às mazelas dos tempos atuais – inclusive o uso de drogas – é inteiramente procedente a grande preocupação das famílias brasileiras com a educação básica, essencial para o futuro do país.