Dentre os estragos causados na economia pelo coronavírus, a indústria do turismo foi das mais afetadas. Fica difícil avaliar as gigantescas perdas de países como França e Espanha, que tem nesta atividade econômica uma das principais fontes de arrecadação.
No Brasil, como o negócio turismo ainda não decolou, as perdas, embora significativas, são menos expressivas. Mas os incalculáveis prejuízos e o choque do desemprego mundo afora – em razão da paraliaação – estão ressaltando a importância deste negócio na economia.
Acho oportuno me reportar ao meu último artigo sobre turismo, onde fiz a comparação (surreal) do Brasil com Cancún – válida para evidenciar o nosso grande atraso neste setor. É lamentável vermos o Brasil, com o seu imenso potencial turístico, dimensões continentais, clima tropical, 7.367 km de litoral, praias maravilhosas e belas montanhas receber menos turistas do que um único balneário mexicano.
Somos fracos também no turismo interno. Em todos os seus segmentos: turismo de lazer, de eventos (convenções, congressos, feiras etc.), de negócios, desportivo, terceira idade, gastronômico, agroturismo, LGBT e outros.
E o turismo no Espírito Santo? O nosso Estado está entre os mais atrasados do Brasil. E por que tanto atraso mesmo com a melhor posição geográfica do país, 390 km de litoral, uma bela capital, ótimas praias e uma linda região montanhosa? Vejamos: o aeroporto da Capital até pouco tempo era uma lástima; não temos centro de convenções, nem um único resort; a BR 262, principal acesso turístico ao ES, ainda está sem duplicação; e, acima de tudo, o menosprezo pela indústria do turismo no nosso Estado.
Aqui, na contramão da orientação adotada nos Estados do Nordeste, perdura um emaranhado de exigências restritivas, burocráticas e ambientais que fizeram os empreendedores turísticos esmorecer. Quem vai enfrentar tantos obstáculos neste ambiente tão hostil e se aventurar a construir um resort no nosso litoral?
O fraco apelo turístico do ES clama por um esforço conjunto das autoridades governamentais, parlamentares e entidades empresariais para sairmos deste marasmo. Precisamos de empenho político para que a duplicação da BR 262 não sofra novas postergações. A importância logística desta rodovia – principal ligação dos Estados centrais como os portos capixabas – exige este esforço político. Tanto para atender ao transporte de cargas como ao turismo.
Passada a pandemia, que haja mais empenho de todos em prol do desenvolvimento do turismo capixaba.