Volto a esse tema em face de duas razões principais: (1) relutância do presidente Bolsonaro e falta de consenso no governo para enfrentar o desafio da redução do insuportável custo do Estado brasileiro – acometido pelo inchaço de uma máquina pública paquidérmica; (2) desinteresse das lideranças do Congresso nas privatizações em razão da perda do poder político de indicar afilhados para as estatais.
Foi diante desse clima de resistência às reformas que Salim Mattar, aguerrido defensor da diminuição do tamanho do Estado, sem conseguir avançar, optou por deixar a Secretaria Nacional de Privatizações.
Realizar mudanças institucionais não é coisa fácil! Principalmente quando interesses políticos e corporativos precisam ser contrariados e onde predomina a suposição de que o Estado tudo pode.
O Brasil, que já enfrentava difícil situação antes do rombo provocado pela pandemia, está agora diante de um quadro econômico tão grave que as reformas e as privatizações se tornaram uma necessidade crucial.
É chegada a hora da diminuição do tamanho deste nosso Estado obsoleto e perdulário, que consome mais de 70% do seu orçamento primário com os gastos obrigatórios (servidores ativos e inativos, benefícios previdenciários e outros) – e faltam recursos para a educação, saúde e segurança. Situação agora mais complicada diante dos 14 milhões de desempregados e de uma dívida pública beirando 100% do PIB a pesar sobre os ombros das próximas gerações. Um triste legado que só poderá mitigado com substanciais mudanças institucionais.
Há cinco anos escrevi: “a juventude está tomando consciência da necessidade de mudanças consistentes, de reformas estruturantes e de mais responsabilidade no trato da coisa publica” ("O Brasil tem jeito?" – publicado neste espaço em 13.11.2015). Felizmente, com a contribuição das redes sociais, a sociedade está tomando consciência disso e já passa a entender e cobrar essas mudanças.
O agronegócio e o seu peso na nossa balança comercial – onde o Estado tem suas ações limitadas aos seus órgãos de apoio (Embrapa e outros) – tem contribuído para a percepção de que o setor privado pode – e deve – ocupar o espaço das estatais. Temos o exemplo das telefônicas e de outras privatizações bem sucedidas.
Mas, para o país “dar a volta por cima” é preciso que as lideranças políticas tomem consciência da gravidade da situação e coloquem a nação à frente dos seus interesses pessoais.
Só assim será possível colocar o país no rumo do crescimento sustentável.