São bonitas de se ver as cenas que a televisão anda exibindo de flagrantes de animais selvagens xeretando as ruas de várias cidades do mundo. Ruas vazias de moradores protegidos da pandemia dentro de suas casas. Aqui na Ilha de Vitória os humanos continuam nas ruas, mas alguns bichos deram no pé.
Alguém sabe para onde foram as tanajuras? Elas estavam sempre alvoroçadas na época das chuvas. Mas nesta última temporada não deram o ar da graça. Sumiram e levaram suas deliciosas bundinhas, inigualáveis numa farofa bem-feita.
Não sou especialista, mas suspeito que as nossas tanajuras deram as mãos aos piolhos e partiram juntas numa misteriosa trip. Sempre que chegava o outono, os piolhos aterrissavam nas cabeças das crianças. A garotada coçava sem parar e as mães catavam e praguejavam. Para onde foram os piolhos?
Os animais, assim como nós, também gostam de bater pernas. Exceção à preguiça que, por óbvios motivos, opera em home office. Já os budigões e os tatuís, por exemplo, resolveram singrar outros mares.
Os biólogos é que nos contam de onde vem e pra onde vai esse pessoal, digamos assim. Mas nunca ouvi deles nada sobre piolhos e tanajuras. Muito menos de cigarras, que em casa de minha sogra funcionavam como um alerta. Ali pelo meio de setembro, quando em cada árvore havia pelo menos uma delas fazendo alvoroço, dona Alciste repetia: “Olha a cigarra cantando! As provas finais estão chegando. Vamos enfiar a cara nos livros!”. Mas as cigarras também partiram. E não foi por falta de árvores. Vitória hoje tem muito mais árvores do que tinha há cinquenta anos.
As baleias Jubarte levam mais a sério seus compromissos. Veranistas pontuais, não perdem um final de ano em Abrolhos. É lá que fica a maternidade que atende o plano de saúde delas. Saem da Antártida pra dar à luz aqui. Mas a água morna daquelas bandas é mesmo imperdível. E quem também se amarra em procriar por aqui são as tartarugas. As Cabeçudas se amarram no litoral de Linhares. Botam ovos e se mandam. Ano que vem estarão de volta. Sem falta.
Estes estudiosos sabem tudo da vida animal, mas alguma coisa sempre acaba ficando no ar. Como o caso de uma certa borboleta em Santa Teresa. Foi quando tive a oportunidade de conhecer pessoalmente o renomado professor Augusto Ruschi. Fui apresentado a ele por Plinio Marchini, tão logo a TV Gazeta entrara no ar. Fomos até a casa dele atrás de imagens de beija-flores.
O cientista, disse-nos sua senhora, havia entrado na mata atrás de uma grande e rara borboleta. Meia hora depois chega o professor, muito amável e gentil, e nos convida para um gostoso refresco de carambola. Ele era amigo do Plínio, que então lhe perguntou: “E a borboleta, Guti?”. E ele de pronto: “Não consegui capturar. Ela voou pra Colatina”. O ar encheu-se de interrogações. Mas ele mudou de assunto e nós fizemos cara de paisagem. Provavelmente a tal borboleta foi conhecer o segundo pôr do sol mais bonito do mundo. Como acreditam os colatinenses.