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Política

Popularidade em queda de Bolsonaro eleva chance de derrocada

Se o afastamento e o horror sanitário mantiverem-se separados na agenda, o presidente dificilmente será afastado do cargo. Mas se suas ações quotidianas forem vistas como ameaça, abrem-se possibilidades para o impeachment

Publicado em 11 de Maio de 2020 às 10:23

Públicado em 

11 mai 2020 às 10:23
Marcus André Melo

Colunista

Marcus André Melo

online@redegazeta.com.br

Presidente Jair Bolsonaro
Presidente da República, Jair Bolsonaro Crédito: JOSE DIAS/PR
A resposta canônica de líderes iliberais frente à pandemia é apontar a magnitude da ameaça como justificativa para a concentração de poder. O caso exemplar é o de Viktor Orbán na Hungria, que governa virtualmente por decreto.
Bolsonaro, Trump e Johnson (este mais bufão que iliberal), no entanto, fizeram pouco caso dela.
Este paradoxo pode ser explicado pelo fato de que os dois últimos depararam-se com ameaças – impeachment e Brexit – que precediam a pandemia. Contavam com maiorias parlamentares disciplinadas: Trump foi inocentado no Senado, onde tem maioria; apenas um senador de seu partido (Mitt Romney) votou a favor. Contudo deparavam-se com checks and balances robustos e opinião pública ativa.
Bolsonaro é liderança iliberal hiperminoritária, o que é um oxímoro. Mas a contradição desfaz-se quando se examina as condições excepcionais de sua ascensão: a formação de uma maioria negativa que o rejeitava menos que o rival. Sua crescente vulnerabilidade explica a aliança com o centrão. Ela fortalece seu escudo legislativo (em equilíbrio instável), mas piora a popularidade. Ele também se depara com instituições de controle que adquiriram densidade.
Bolsonaro fez pouco caso da pandemia porque é weak strongman e também por esperar não ser responsabilizado pelo caos sanitário – afinal os serviços de saúde estão a cargo de governadores e prefeitos, que arcarão com seus custos políticos. Mas importa-lhe o caos econômico – daí ter se antecipado em transferir responsabilidade para governadores. Aqui a jogada é radical: dos 12 governadores que o apoiaram, apenas 3 o fazem agora (ante 26 em 50, nos EUA, que são copartidários de Trump).
Sua declinante popularidade eleva a probabilidade de derrocada. Mas a emergência sanitária e o afastamento do presidente são megaquestões que tendem a ser mutuamente excludentes na agenda pública.
Disputa semelhante – mas de sinal contrário– ocorreu nos EUA, onde o impeachment ocupou a agenda congressual, deslocando a questão da pandemia.
O pedido de impeachment foi aprovado em 18/12/2019 pela Câmara dos Representantes, e o voto no Senado ocorreu em 5 de fevereiro. Já no Reino Unido, a disputa de agenda envolvendo o Brexit teve desenlace após as eleições gerais de 13/12/2019 e rodada de três votações entre 19/12/19 dezembro e 23/01/20 janeiro, quando recebeu o Royal Assent. A pandemia só entra na agenda de Reino Unido e EUA em março e abril.
Se o afastamento e o horror sanitário mantiverem-se separados na agenda, Bolsonaro dificilmente será afastado. Mas, se suas ações quotidianas são vistas como ameaça, abrem-se possibilidades para fazê-lo.

Marcus André Melo

É professor da Universidade Federal de Pernambuco e ex-professor visitante da Universidade de Yale.

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