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Cotidiano

Crônica: Queda livre

Inexplicavelmente, somente alguns se permitirão viver o delicioso martírio de padecer neste fugaz paraíso e conhecer a profundidade do precipício e o gozo da queda livre

Publicado em 13 de Março de 2022 às 02:00

Públicado em 

13 mar 2022 às 02:00
Maria Sanz

Colunista

Maria Sanz

marysnt@hotmail.com

Casal apaixonado
Como uma droga potente, a química da paixão invade o corpo, toma conta do cérebro e estabelece comando: manda e desmanda Crédito: Liana Dudnik/ Freepik
Como pode ser que com mais de sete bilhões de pessoas no planeta Terra, somente uma delas nos desperte? Como aquela única pessoa é capaz de desencadear uma reação química difícil de controlar? E como só a presença 'dela' é avassaladora o suficiente para nos deixar anestesiados, felizes e embasbacados ao mesmo tempo? E mais, como tudo isso pode ir muito além daquilo que nossos olhos considerem belo, ou que nossas mentes considerem interessantes?
– É química que fala, né?
(Se você sabe exatamente do que estou falando, então já esteve, ou está apaixonado.)
Como uma droga potente, a química da paixão invade o corpo, toma conta do cérebro e estabelece comando: manda e desmanda. E pior, contra esta invasão não há remédio que dê jeito, porque se ela é uma emoção que a gente não decidiu sentir, também não tem como expulsá-la do peito.
Mas uma notícia é boa: estudiosos (evoluídos) garantem que essa química não é aleatória. Ao contrário, segundo eles, há informações essenciais na atração inexplicável que acontece entre duas pessoas. Talvez lições a serem aprendidas... Ou, uma experiência a ser vivida... Vai saber.
De modo que o corpo, por mais insano que possa parecer, é no fundo um grande sábio.
Ora, talvez a 'tal química' tenha sido a forma (mais poderosa possível) que o Universo encontrou para aproximar pessoas que de outra maneira não se encontrariam.
– Porém, não sem um preço.
Você sabe, dos danos causados pela paixão, o curto no cérebro é dos mais sérios. Para começar, com o raciocínio abandonado, todos os cheiros, todas as cores e todas as ondas (de toda e qualquer estação de rádio) se transformam em homenagem: ela, ela, ela...
Depois, o estado de euforia converte em rotina o trio calafrio: 'insônia + perda de apetite + taquicardia'. E a ansiedade sabota até o que antes era inofensivo. Como o telefone, por exemplo, que de uma hora para outra, vira bomba de alto poder destrutivo – que para um apaixonado em estado de guarda, qualquer chamada que não da pessoa desejada, detona rombo no coração.
Ah, paixão é coisa absurda... E, ao mesmo tempo, a melhor das ilusões. Amor inventado, surto, razão de sobra para ser exagerado. A paixão faz com que todo resto fique sem importância. Trabalho, novela, noticiário, tudo, dispensável... Amizade, ideais, responsabilidade, também viram meros detalhes.
– Dá medo mesmo. Porque dela ninguém sai ileso.
Ela, no mínimo, crava nas paredes da memória um enredo que conheceu o beijo, o cheiro da pele e a pele do peito. Emoção que teima em rever segundo a segundo, o barulho da chave na porta e cada gota do chuveiro. Emoção que transforma em criança homem feito.
Mas, nem todos saberão o que é isso... Inexplicavelmente, somente alguns se permitirão viver o delicioso martírio de padecer neste fugaz paraíso e conhecer a profundidade do precipício e o gozo da queda livre.
Ah, essa experiência única e infinita enquanto dura.
Uma aprendizagem que não será imortal, posto o fogo consome. Mas que, de tão viva brasa, há de deixar a alma eternamente marcada.

Maria Sanz

É artista e escritora, e como observadora do cotidiano, usa toda sua essência criativa na busca de entender a si mesma e o outro. É usuária das medicinas da palavra, da música, das cores e da dança

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