Quem olha pra fora sonha; Quem olha pra dentro desperta. (Carl Jung)
Você conhece suas bordas? Seus próprios limites?
Falo daqueles que moldam a sua psique desde seu nascimento, dos moldes aplicados na sua criação. Falo dos pequenos ou grandes traumas e sequelas, das marcas e traços deixados pelas experiências da sua infância e adolescência. Das dores que se não forem vistas e reconhecidas, jamais serão enfrentadas e transmutadas.
Estou falando da busca por autoconhecimento que alicerça a capacidade de dar valor a si mesmo, e consequente, do estabelecimento do autorrespeito.
Para início de conversa, o respeito por si mesmo depende desse tipo de compreensão... Não tem jeito. Do contrário, o autorrespeito costuma ser corrompido de modo sutil por todos os lados... Colegas de trabalho, relacionamentos, clientes, familiares... Ou quando sempre tem alguém demandando liberdades a mais com pedidos, favores, seduções, opiniões, promessas ou vitimizações... Porque, perceba, sem as ferramentas disponibilizadas pelo autoconhecimento, não raro nos deixamos explorar pelos outros em troca de pertencimento, aceitação, admiração ou até mesmo migalhas.
Saber se proteger é saber dar limites aos outros (e isso só depende da gente mesmo). Porque de nada adianta ficar ser perguntando “porque os outros são assim... Abusados?” Quando a pergunta que pode virar o jogo é “porque eu ainda permito que façam isso comigo?”
Eis a questão, quase nunca a resposta é lógica, pelo contrário, as raízes da falta de autorrespeito costumam estar ligadas a alguma marca, algum excesso ou falta, na nossa criação. E se esse traço se mantiver guardado no inconsciente, ou seja, não for vista, curada, cuidada, enfrentada, as consequências dessa falta (agora de consciência) podem comparecer pela vida inteira.
Entenda, o sentimento de pertencimento é vital desde o princípio da vida. Já falta dele cria uma “crença de não merecimento” que condiciona a personalidade da criança a se adequar sempre às necessidades dos outros para evitar conflitos ou desagradar. Mas o custo emocional dessa construção que frequentemente “abre mão de si mesmo” gera raiva – do outro e de si. E essa raiva vira ansiedade, que vira angustia, dor, vira medo...
Ser bom consigo mesmo é antes de mais nada se autoconhecer! Saber de si a ponto de se sentir empático com as próprias questões. E trabalha-las até conseguir abrir mão da autocrítica e do julgamento que praticamos diariamente no espelho.
É tomar as rédeas para compreender de onde vem a brecha que nos condena a tentar agradar sempre o outro primeiro.
Se autoconhecer é, portanto, aprender a se colocar como prioridade!
Esse é um movimento íntimo e sutil, que passa inevitavelmente pela vontade de dizer “sim” pra si, antes mesmo de dizer para o outro.
Finalmente, se pra gente é fácil ser sempre bom com os outros, então porque não se beneficiar da própria bondade? E mais, de forma genuína e consciente, a começar com essa mirada para o lado de dentro.
Boa meditação.
Bom domingo!