Era uma tarde de sábado de 2022, no bairro Nova Carapina II, na Serra, quando uma senhora, mãe de dois filhos e caixa de supermercado, foi vítima de latrocínio – roubo seguido de morte. Ela estava trabalhando no momento do assalto e foi baleada fatalmente pelos criminosos. O segurança do estabelecimento foi ferido.
Na madrugada de 23 de janeiro de 2022, um economista também foi vítima de latrocínio no bairro Santa Paula II, em Vila Velha. Ele foi morto a golpes de tesoura no pescoço, dentro da própria casa. Os criminosos tiraram a vida daquele jovem profissional para roubar duas televisões, dois celulares e um videogame.
O latrocínio é a forma mais violenta do roubo, em que o criminoso mata para roubar. Um crime que investe contra o patrimônio e que despreza o maior bem jurídico tutelado pela legislação: a vida. A Lei nº 8.072/1990 inclui o latrocínio no rol dos crimes hediondos. A pena prevista para esse crime de matar para roubar é de 20 a 30 anos de reclusão no Código Penal brasileiro. Pouco, considerando que em muitos Estados norte-americanos a pena é perpétua ou de morte.
Infelizmente, no Espírito Santo a escalada de latrocínios já pode ser considerada uma crise. Em 2019, foram registrados 25 latrocínios. Já em 2020, foram mortas 39 pessoas em roubos. E, em 2021, foram 43 cidadãos e cidadãs capixabas que tiveram suas vidas ceifadas por criminosos em assaltos. Comparando o resultado de 2021 com o de 2019, houve um aumento de 72% nas ocorrências. Isso significa que no último ano, a cada oito dias, ocorreu um brutal crime como esse no ES, que vitimiza tanto em bairros periféricos como em bairros nobres.
O aumento dos latrocínios vem deixando os capixabas mais apreensivos a cada dia e com uma perturbadora sensação de que a qualquer momento poderemos ser vítimas de um crime tão devastador como esse. As notícias que acompanhamos pela imprensa chocam, mas devem servir de alerta para adotarmos medidas preventivas que podem evitar abordagens criminosas e poupar vidas.
Enquanto o poder público não consegue frear o aumento dos latrocínios no ES, nos resta cuidar de nós mesmos e de quem amamos. É preciso a compreensão de que o criminoso busca sempre menores riscos e melhores oportunidades. Portanto, o princípio básico das medidas preventivas é estar sempre preocupado em não gerar oportunidades para a ação covarde do bandido. A partir desse entendimento, relaciono cinco fundamentais “dicas” para diminuirmos as chances de nos tornarmos vítimas:
- Não fique no carro desnecessariamente. Não devemos permanecer no veículo ou fora dele conversando ou aguardando alguém em áreas de estacionamento ou na rua;
- Não use ou porte o celular ostensivamente. Um dos principais alvos dos criminosos é o celular, que pode dar acesso às contas bancárias das vítimas;
- Evite ficar sozinho em locais pouco movimentados. As mulheres sozinhas, portando bolsas, são os alvos favoritos. Os ladrões são covardes e consideram que as mulheres lhes trarão menos riscos;
- Ao usar aplicativos de transporte confira a placa, modelo e cor do veículo. Antes de entrar no carro, verifique a identidade por meio da foto e o nome do motorista. Compartilhe sua viagem com pessoas de sua confiança;
- Não utilize aplicativos para marcar encontros em locais pouco movimentados. Os criminosos já enxergaram que esses aplicativos lhes trazem menos riscos e melhores oportunidades.
Vamos nos cuidar!