No último mês, um terrível confronto armado entre as forças da lei e elementos criminosos causou terror naqueles que transitavam pela movimentada Avenida Leitão da Silva, em Vitória. Infelizmente, em meio às subsequentes repercussões desse incidente, declarações insensatas e irresponsáveis foram lançadas ao vento.
É de suma importância esclarecer à sociedade capixaba que a Polícia Militar do Espírito Santo adotou, há 21 anos, o Tiro Defensivo na Preservação da Vida - Método Giraldi como sua instrução padrão, devidamente regulamentada pela Portaria do Comando Geral da PMES nº 324-R, de 10/10/2002.
Desde então, os nossos policiais militares são treinados nesse método. Portanto, qualquer conduta, opinião ou declaração contrária à doutrina do Método Giraldi, no que diz respeito ao uso de armas de fogo pelos policiais, não representa, em hipótese alguma, a posição da instituição.
Desenvolvido pelo renomado coronel Nilson Giraldi da Polícia Militar de São Paulo, o revolucionário método conquistou reconhecimento internacional. Apoiado pelo Comitê Internacional da Cruz Vermelha, essa metodologia baseia-se nas normas de Direitos Humanos, aplicáveis à atuação da polícia armada. A propagação dessa doutrina na Polícia Militar capixaba só foi possível graças ao inesgotável empenho e dedicação de valorosos instrutores oficiais e praças.
O principal objetivo desse treinamento é preservar a vida do policial e das pessoas inocentes. Ele reconhece que não basta apenas saber o que deve ser feito, é necessário estar condicionado a agir. Não basta ser capaz de atirar, é preciso saber quando atirar e executar os procedimentos adequados.
Afinal, na maioria das vezes, são os procedimentos e não os tiros que preservam vidas e resolvem problemas. O disparo de arma de fogo é considerado a última alternativa e deve ser feito dentro da legalidade, levando em conta a necessidade, oportunidade, proporcionalidade e qualidade.
Entre os princípios básicos da instrução estão: não disparar contra um agressor que esteja no meio da multidão, não atirar na direção de pessoas inocentes, não disparar contra um agressor que esteja usando outra pessoa como escudo e não atirar se houver a possibilidade de a bala se tornar "perdida".
Durante um confronto armado, o policial se encontra entre a vida e a morte, com suas condições físicas e psíquicas alteradas. As situações se desenrolam rapidamente e, frequentemente, envolvendo gritos, correrias e pessoas desesperadas. O agressor age fora da lei e não se importa com a vida dos inocentes, disparando irracionalmente.
Para lidar com todas essas situações, o Método Giraldi enfoca o condicionamento prévio do policial, por meio de treinamentos que imitam a realidade, antes que ele se veja envolvido em uma ocorrência real.
O Método Giraldi foi desenvolvido para ensinar o policial a preservar sua própria vida e liberdade, utilizar a arma de fogo em prol da sociedade, protegendo a vida dos cidadãos e evitando tragédias. A instrução enfatiza a prática e se aproxima o máximo possível da realidade enfrentada pelos policiais.
A doutrina aponta de forma inequívoca que o manejo impróprio de armas de fogo pode acarretar em inúmeras tragédias: a fatalidade do agente de segurança, a perda de vidas inocentes, a privação da liberdade do policial, a violação dos direitos humanos, tensões internas nas forças policiais e o descrédito total do Estado.
MORTE DE POLICIAIS
Ao longo dos últimos anos, mergulhamos em uma triste realidade: incontáveis defensores da lei no Brasil perderam suas vidas no árduo caminho da proteção da sociedade, enquanto outros ficaram com sequelas físicas e mentais irreversíveis, vítimas dos ataques desferidos pelos criminosos.
E temos, ainda, aqueles policiais que, infelizmente, se viram no outro lado da lei, manchando suas reputações, sendo afastados de suas famílias e condenados ao isolamento social por causa de uma atitude equivocada, que resultou no uso indevido de suas armas de fogo. Vidas inocentes foram perdidas e a revolta se espalhou por cada canto de nossa sociedade, clamando por mudanças profundas.
A vida é o nosso bem mais precioso, e é por isso que o Tiro Defensivo na Preservação da Vida – Método Giraldi deve ser valorizado e considerado essencial em uma instituição policial. Sua importância é indiscutível, carregando consigo uma responsabilidade de proporções gigantescas. Por isso, é imperativo que sejam feitos investimentos e que seja destinada uma atenção especial a essa esfera vital.
Em um mundo onde as armas estão cada vez mais presentes, é fundamental garantir que os instrutores de tiro policial recebam todo o apoio e as condições necessárias para realizar seu trabalho de forma eficiente. A instrução de tiro de qualidade é a chave para preservar vidas futuras, mas infelizmente a negligência nesse treinamento pode resultar em terríveis sacrifícios.
É com responsabilidade e honestidade que devemos encarar essa questão, pois só assim poderemos assegurar que as competências essenciais para uma atuação armada assertiva sejam devidamente desenvolvidas. Essa é a única maneira de contribuir verdadeiramente para a segurança dos policiais e para a proteção da sociedade.