Em meio ao caos de um cenário onde a violência e a desigualdade social reinam, a segurança pública emerge como uma necessidade primária, que requer profissionalismo e expertise. A sociedade clama por soluções efetivas que garantam a proteção de todos os cidadãos, independentemente de sua situação econômica. No entanto, a abordagem atual tem se revelado insatisfatória e completamente alheia às necessidades das comunidades mais vulneráveis.
A aquisição de armamentos e veículos é apenas uma pequena parte de um imenso quebra-cabeça quando se trata das estratégias que devem ser implementadas na área da Segurança Pública. Não podemos celebrar essas aquisições como se fossem a solução para o grave problema da violência, apesar de sua importância logística.
Esse quebra-cabeça é extremamente complexo e é composto por outras peças de igual valor, como a implementação efetiva da polícia comunitária. Infelizmente, a polícia não tem evoluído em estabelecer uma conexão sólida com as comunidades que deveria proteger, deixando de desempenhar seu papel constitucional de instituição de segurança voltada para a comunidade.
A adoção exclusiva do modelo reativo de atuação policial acaba gerando desconfiança e até mesmo hostilidade em relação aos agentes da lei, o que resulta em um distanciamento entre a polícia e a comunidade, justamente aquela que deveria ser beneficiada pelos serviços de segurança pública.
Vivemos em um contexto em que a confiança se esvai e a cooperação, que deveria ser o pilar de uma parceria essencial, se desfaz. É desolador permitir que a relação entre as forças policiais e a comunidade retroceda. É uma lástima, pois a conexão estreita com a comunidade já foi uma das principais características da Polícia Militar capixaba. Basta verificarmos a quase extinção dos conselhos comunitários de segurança pelo Estado.
A comunidade é um verdadeiro tesouro de entendimento sobre as questões que afligem o local. Ao invés do medo e intimidação, a polícia deveria se aproximar das pessoas, erguendo uma ponte de confiança e colaboração. Afinal, quem melhor do que aqueles que vivem e respiram essa comunidade poderiam compreender os desafios que a afligem? A polícia precisa ser mais do que uma força de repressão. Ela deve se elevar além disso, tornando-se uma força de transformação, de justiça e de esperança.
Em vez de somente responder a crimes e adotar uma abordagem punitiva, a polícia comunitária adota uma mentalidade proativa, visando prevenir a ocorrência de delitos e promover a segurança de forma colaborativa. Nesse quadro, a polícia se torna um catalisador de mudanças sociais, trabalhando em estreita parceria com a comunidade para identificar problemas e buscar soluções eficazes.
O modelo de polícia comunitária surge como uma alternativa para promover uma maior proximidade entre a população e as forças de segurança. Ela proporciona maior visibilidade e proximidade entre os policiais e a comunidade. Isso contribui para a humanização dos agentes de segurança, que passam a ser vistos como parceiros e não apenas como autoridades distantes. Essa maior proximidade permite que a polícia compreenda melhor os problemas enfrentados pela comunidade e possa atuar de forma mais efetiva na prevenção e no controle do crime.
Os policiais, fixados naquele território, estabelecem parceria com a comunidade e também com a própria administração municipal. Ao destacar aos prefeitos a importância de investir em educação, saúde, cultura, esporte e entretenimento, a filosofia de polícia comunitária propõe oferecer aos jovens alternativas viáveis à vida criminosa.
A segurança pública é um tema que não pode ser tratado de forma superficial e descontextualizada. É necessário repensar as estratégias adotadas, colocando a comunidade no centro das ações e ouvindo suas vozes. Não podemos ignorar a necessidade de estarmos presentes nas comunidades.
A segurança pública não se resume a lutar contra o crime, mas sim a construir um futuro melhor através da prevenção. É de extrema importância resgatar a essência da polícia comunitária, que se baseia na prevenção e no engajamento ativo da população.
De todas as experiências bem-sucedidas no campo da segurança pública pelo mundo há um denominador comum muito forte: a participação da comunidade na construção de soluções conjuntas. Se o cliente e cidadão não for ouvido, muito pouco repercutirão os sons estridentes dos disparos de fuzis e das sirenes das viaturas.