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Segurança pública

Policiais aposentados deveriam assumir tarefas administrativas

Assim, abriríamos as portas para a energia pulsante das novas gerações nas ruas, em sua plenitude. Cada árduo esforço investido no recrutamento, seleção e treinamento dos jovens policiais seria enfim recompensado

Publicado em 11 de Dezembro de 2023 às 00:30

Públicado em 

11 dez 2023 às 00:30
Nylton Rodrigues

Colunista

Nylton Rodrigues

comando.nylton@gmail.com

Durante toda a minha trajetória na gloriosa Polícia Militar, um sentimento de angústia sempre me atormentou ao ver jovens policiais novatos aprisionados em um emaranhado de tarefas burocráticas. A escassez de recursos humanos e a necessidade de manter a engrenagem administrativa em movimento são os verdadeiros vilões dessa realidade.
No entanto, é inegável que o bem-estar da sociedade e o fortalecimento das instituições policiais também dependem desses novos policiais combatendo o crime, enfrentando-o, em ação. É, portanto, um desperdício deixar que o potencial dos novos seja sufocado pelas amarras da papelada. O clamor da população por segurança impulsiona a necessidade de uma mudança que liberte o sangue novo do fardo administrativo e os coloque onde realmente pertencem: na linha de frente.
É imperativo, sem mais delongas, adotar uma estratégia que envolva a participação voluntária de policiais civis e militares que já cumpriram seu tempo de serviço. Alguns podem argumentar que essa medida pode se transformar em uma artimanha do Estado para evitar a realização de novos concursos públicos. No entanto, vejo essa noção como um pensamento distorcido, desprovido de empatia e que vai de encontro das expectativas de uma sociedade que agoniza diante da violência.
Os policiais aposentados podem assumir tarefas administrativas, permitindo que os novos se dediquem ao trabalho operacional. Assim, abriríamos as portas para a energia pulsante das novas gerações nas ruas, em sua plenitude. Cada árduo esforço investido no recrutamento, seleção e treinamento dos jovens policiais seria enfim recompensado ao vê-los atuando com sua força total na ponta da lança.
Esses homens e mulheres, agora aposentados, possuem um tesouro inestimável: a experiência adquirida ao longo de décadas de serviço público. Eles conhecem as nuances do serviço e suas mentes afiadas são capazes de enxergar além do óbvio. Não os subestime. A aposentadoria não marca o fim de sua expertise e habilidades.
A eclosão da violência está intrinsecamente ligada ao ambiente social e à eficácia dos mecanismos de proteção. Nesse sentido, a polícia tem como missão prioritária ser altamente eficiente, e para alcançar esse objetivo, deve aproveitar ao máximo os recursos humanos disponíveis.
Policiais militares vão reforçar as eleições
Policiais militares  Crédito: Divulgação/PM
Felizmente, no Espírito Santo, órgãos estatais como o Tribunal de Justiça, o Ministério Público, a Universidade Federal e a Defensoria Pública têm compreendido a importância dessa demanda e firmado convênio com a PMES. Nesses acordos, policiais aposentados têm se dedicado a oferecer um serviço de altíssima qualidade.
É imprescindível expandir! As circunstâncias atuais nos convocam a implementar uma estratégia robusta, engajando um grupo significativo de policiais aposentados para assumir inúmeras responsabilidades administrativas das forças policiais. Dessa forma, possibilitamos que os mais jovens se concentrem nas operações de rua.
Esse movimento tem o potencial de aumentar consideravelmente a eficiência das instituições policiais, trazendo benefícios reais para a sociedade. Ao convocá-los de maneira voluntária, não estamos de forma alguma isentando o Estado de realizar novos concursos, mas sim assegurando a utilização adequada dos novos policiais que ingressam.
É de extrema importância destacar que os policiais aposentados não devem ser vistos apenas como uma opção econômica ou uma reserva de menor importância. Pelo contrário, são profissionais qualificados e experientes. É essencial garantir-lhes as condições básicas de trabalho: uma cautela de arma de fogo, auxílio transporte e ajuda de custo que esteja alinhada com os reajustes concedidos aos policiais em atividade.
Venho, com extrema preocupação, direcionar a atenção do Excelentíssimo Governador para a disparidade nos ajustes salariais entre diferentes patamares hierárquicos da corporação policial, bem como entre os policiais em atividade e os aposentados. Tal problema delicado tem o poder de enfraquecer a disciplina e a ordem hierárquica, colocando em risco a unidade dentro dos quadros policiais. É fundamental que o líder máximo se dedique a encontrar soluções que fomentem a harmonia, em vez da divisão, a fim de assegurar um ambiente de trabalho saudável e motivador.
É urgente e imprescindível avançar com passos largos e firmes na busca pelo bem-estar dos cidadãos capixabas. A escassez alarmante de policiais é um desafio que exige enfrentamento direto, com coragem e transformação de boas ideias em ações concretas. A população do Espírito Santo clama por proteção, anseia por uma sensação de segurança que se perdeu.

Nylton Rodrigues

Foi secretário estadual de segurança pública e comandante geral da polícia militar. É especialista em Segurança Pública pela Ufes. Neste espaço, produz reflexões sobre políticas públicas para garantir a segurança da população

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