Na próxima terça-feira (3), teremos o embate final nas eleições nos Estados Unidos. No mais tardar na quarta-feira já saberemos quem será o presidente da maior nação do mundo nos próximos quatro anos. Isso se não ocorrerem sobressaltos e demora na apuração, o que não seria de todo estranho, tendo em vista as ameaças constantes vindas do próprio Trump.
Saberemos se o “meio amigo” do Brasil e amigo de Bolsonaro continuará no poder ou não. Enquanto as expectativas oficiais por parte do Brasil jogam na direção da continuidade de Trump, o mundo, ao contrária, certamente se mostrará mais aliviado com sua saída. Uma aposta que para o Brasil pode se mostrar arriscada.
As pesquisas mais recentes apontam a vitória de Biden. Algumas até com boas margens. Se em 2016 as pesquisas não conseguiram indicar o vencedor no colégio eleitoral, agora, após adequações metodológicas, parecem mais assertivas.
É bom lembrar que no sistema americano é possível um candidato ter mais votos no cômputo geral e, mesmo assim, perder no colégio eleitoral. Foi o que aconteceu com Hillary Clinton naquele ano. Ou seja, no pleito geral as pesquisas não erraram. Por outro lado, não podemos tirar do radar uma possível reprodução do desfecho de 2016, de continuidade.
Mas gostaria de chamar a atenção é para as apostas que o Brasil vem fazendo de forma casada com os Estados Unidos e que podem ruir ou sofrer revisões profundas caso Biden vença. E elas acontecem em três frentes, sem desmerecer outras: na questão ambiental, na questão da pandemia da Covid-19 e na briga comercial entre EUA e a China.
No campo comercial o foco está no acesso à tecnologia 5G, novo condicionante da corrida competitiva entre países. Acredito que nesse caso prevaleça o pragmatismo da política externa norte-americana, com Biden mantendo a pressão, logicamente com mais moderação, em favor do seu sistema. Não deve acontecer o mesmo quando entra em jogo a questão do combate à pandemia. Aí teremos o contraponto à visão “terraplanista” e negacionista em torno da vacina.
Na questão ambiental, Biden, que defende o modelo “economia de baixo carbono”, já sinalizou para o retorno ao Acordo de Paris, fortalecendo assim a aliança EUA–União Europeia. Isso implicará em mais pressão sobre o Brasil. Não se descartando também, e isso no campo econômico, a retomada do acordo de livre comércio entre os dois blocos. Fato que poderá esfriar ainda mais as tratativas em curso do acordo da Europa com o Mercosul.
Assim, é razoavelmente provável que o Brasil tenha que se reposicionar e rever suas apostas diante de um cenário potencialmente mais adverso.