Uma das características marcantes da agropecuária capixaba está na forte presença da agricultura familiar. Dados do censo agropecuário de 2017 apontam que cerca de 75% do total de propriedades rurais se enquadra nessa categoria. Estatística que bate com outra, da mesma fonte, que mostra que 89% dessas propriedades estão concentradas na faixa de até 50 hectares, para uma média geral de tamanho no entorno de 31 hectares.
Vamos encontrar em Santa Catarina o estado que mais se aproxima dessas características. Lá também predominam pequenas propriedades familiares, tamanho médio de propriedades de aproximadamente 33 hectares, e igualando-se ao Espírito Santo no quesito percentual de propriedades na faixa de até 50 hectares.
No entanto, as semelhanças param por aí, já que os dois estados se diferenciam em termos de portfólio de produtos, diversificação econômica, e especializações, complexidade econômica e desempenho do agronegócio em geral.
Mas, entre semelhanças e diferenças, os dois estados defrontam-se com desafios que lhes são comuns, especialmente no tange à necessária inserção da agricultura familiar no processo de desenvolvimento tecnológico e inovação. Aliás, um desafio que se apresenta como geral e em praticamente todas as atividades econômicas independentemente do tamanho dos empreendimentos.
A questão central a ser colocada é que normalmente quanto nos defrontamos com processos acelerados de mudanças tecnológicas e inovações a tendência é de termos também aumento acentuado de assimetrias em desempenhos, como por exemplo em produtividade e, consequentemente, em desigualdades. Em outras palavras, aumenta-se o nível do “sarrafo” da competitividade e assim quem consegue sair na frente incorporando novas tecnologias e inovando tem melhor desempenho e vantagens competitivas.
Essas assimetrias se apresentam de forma mais acentuada em processos de transformações disruptivas, como a que estamos presenciando no momento. Nesses casos novas tecnologias e capacidade de inovação acabam se transformando em verdadeiras barreiras para aquelas empresas ou produtores independentes que se deparam com alguma dificuldade em acessá-las.
O setor agropecuário brasileiro, sem dúvida, é o setor que mais tem avançado em termos tecnológicos e inovação, inclusive com grande destaque no mundo. O mesmo podemos afirmar em relação ao Espírito Santo. Basta observarmos, por exemplo, os avanços no café, com destaque para o conilon, o arábica, mas também a pimenta-do-reino, o gengibre.
Mesmo assim, podemos observar distâncias acentuadas e até crescentes em termos de produtividade e desempenhos entre produtores produzindo os mesmos produtos, que com uma certa permissividade podemos chamar de assimetrias disruptivas, porém não destrutivas como se suporia.
Paradoxalmente, pelo fato de não se mostrarem destrutivas, essas transformações acabam contribuindo para a convivência e conveniência entre padrões tecnológicos de grande amplitude. E nesse aspecto, são as pequenas propriedades familiares a se depararem com maiores dificuldades e barreiras para galgar níveis mais elevados de produtividade e desempenho. Decorrendo daí a necessidade de serem focadas e trabalhadas com maior atenção no direcionamento de políticas públicas. Eis aí um grande desafio.