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Política

Em 2022, prefiro apostar no copo meio cheio

Para nós, brasileiros, o ano que se finda nos serviu de teste de estresse extremo. E nesse aspecto podemos até afirmar que passamos no teste da democracia, não sem arranhões, é claro

Publicado em 25 de Dezembro de 2021 às 02:00

Públicado em 

25 dez 2021 às 02:00
Orlando Caliman

Colunista

Orlando Caliman

orlando.caliman@gmail.com

O Natal, para muitos, traz sempre aquela ajudazinha no descolamento do mundo real, do dia a dia, funcionando como trégua. Esquece-se, por uma diminuta fração de tempo, uma noite ou um dia apenas, o que já se foi, e que portanto não temos como mudar, e o que as expectativas apontam poderá vir. No entanto, por mais que o seu espírito nos inebrie e nos eleve ao mundo da abstração, inclusive do espiritual, a memória nos trairá e nos chamará sempre ao mundo real. Ou seja, diante de um amplo contexto de crise, olhando para a frente, estaremos, como antes, vendo o mundo numa perspectiva de copo meio cheio ou meio vazio.
Essa analogia ao copo meio cheio ou meio vazio é comumente utilizada para configurar diferentes perspectivas de cenários e visões, seja em termos pessoais, seja do coletivo, quando se está em um estado de crise. Numa perspectiva do copo meio cheio, transmite-se uma percepção mais positiva em relação ao futuro olhando-se para o horizonte temporal, geralmente mais imediato, ou seja, de médio prazo. Diferentemente de uma perspectiva projetada a partir de uma percepção retratada na figura do copo meio vazio, cuja sinalização indicaria que coisas piores ainda virão.
Prefiro apostar na hipótese do copo meio cheio, nem tanto motivado pelo lado da esperança, bem própria da festividade natalina, que como diz o dito popular é a última que morre, mas pela percepção de que para nós brasileiros o ano que se finda possa nos ter servido de teste de estresse extremo. E nesse aspecto podemos até afirmar que passamos no teste da democracia, não sem arranhões, é claro. Aliás, como tem acontecido em boa parte do mundo.
Da mesma forma, nossas instituições basilares sobreviveram. Também, não sem sobressaltos, dissonâncias e assimetrias de pesos e contrapesos entre poderes constituídos, tão necessários a um bom e saudável convívio democrático.
E, ao que nos parece, o evento da pandemia, necessariamente não enquanto fonte causal, acabou funcionando como uma espécie de acelerador no processo de desnudamento de sentimentos que já vinham sendo expostos desde os protestos ocorridos em 2013. Sentimentos esses que se expressam, agora com mais nitidez, sobretudo através de frustrações em relação à capacidade de resposta do “sistema” a velhos e novos problemas e desafios da população e do país.
O Natal nos oferece apenas uma trégua, não nos eximindo da compulsoriedade do tempo de termos que retornar imediatamente à realidade, objetiva e crua, e a encará-la, de preferência numa perspectiva de copo meio cheio. Nesse interim, que todos tenhamos um FELIZ NATAL.

Orlando Caliman

É economista. Analisa, aos sábados, o ambiente econômico do Estado e do país, apontando os desafios que precisam ser superados para o desenvolvimento e os exemplos de inovação tecnológica

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