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Economia

Inflação como desafio global, mas com responsabilidade local

Como nosso poder de influência no âmbito global é praticamente nulo, certamente à exceção do poder de influenciar a oferta de alimentos, dado o potencial do nosso agronegócio, resta-nos apenas o “dever de casa”

Publicado em 16 de Julho de 2022 às 02:00

Públicado em 

16 jul 2022 às 02:00
Orlando Caliman

Colunista

Orlando Caliman

orlando.caliman@gmail.com

Se podemos imputar à guerra entre a Rússia e a Ucrânia o fato de a inflação ter se transformado num evento global, hoje, no entanto, não é exclusivamente dela essa responsabilidade. Primeiramente, porque processos inflacionários já se mostravam presentes em vários países antes mesmo da sua eclosão. É fato que não foi desprezível a influência da pandemia enquanto fator que a precedeu. Mas o certo é que ao se tornar um fenômeno disseminado globalmente, a escalada dos preços, para ser combatida, exige sincronização coordenada de políticas.
E nesse aspecto novos e complexos desafios se impõem, a maioria dos quais de natureza geopolítica de um lado, que contrapõem poderes e interesses, e de outro o próprio entendimento de que possíveis saídas passam necessariamente pelo campo da política e da economia. Portanto, essas duas dimensões devem ser trabalhadas de forma articulada e ordenada em nível global, mas também em cada bloco econômico e país.
Fica claro, observando o caso brasileiro, que temos aqui, no momento, a confluência de duas forças, a externa, sob a forma de choque de oferta, e a interna que associa um componente político ao componente econômico. Na política, atua a instabilidade recorrente e também crescente. Já na economia, observa-se uma dissincronia, para não dizer até antagonismos entre a política monetária fortemente restritiva e a política fiscal frouxa. O que uma mão faz, a outra desfaz.
Como nosso poder de influência no âmbito global é praticamente nulo, certamente à exceção do poder de influenciar a oferta de alimentos, dado o potencial do nosso agronegócio, resta-nos apenas o “dever de casa”. E nesse aspecto, na toada que as coisas acontecem, não são vislumbradas boas perspectivas e nem expectativas. Ao contrário, em especial em razão dos últimos acontecimentos, e isso no campo da política, mas com fortes impactos no campo fiscal, faz-nos antever sérios problemas mais adiante.
O “cabo de força” entre a política monetária, fortemente restritiva conduzida pelo Banco Central, e as mãos benevolentes e ávidas, pelo menos enquanto durar o período eleitoral, do lado do executivo e legislativo federal, protela, sem dúvida, qualquer expectativa de estabilidade e de cenários que indiquem melhora de expectativas.
Sabemos que a economia se move predominantemente guiada por expectativas. Resta-nos acreditar que elas possam melhorar...

Orlando Caliman

É economista. Analisa, aos sábados, o ambiente econômico do Estado e do país, apontando os desafios que precisam ser superados para o desenvolvimento e os exemplos de inovação tecnológica

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