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Meio ambiente

Narrativa negacionista transforma Brasil em vilão ambiental

Pronunciamentos feitos por Bolsonaro em eventos internacionais nessas duas últimas semanas tem provocado ondas de arrepios especialmente em dirigentes de empresas do agronegócio

Publicado em 28 de Novembro de 2020 às 05:00

Públicado em 

28 nov 2020 às 05:00
Orlando Caliman

Colunista

Orlando Caliman

orlando.caliman@gmail.com

Brasil não é o maior poluidor mundial. Isso é uma verdade. Está sim entre os dez maiores. Como também é verdade que o nosso país ainda é destaque em termos de cobertura florestal do seu território. Mesmo assim, especialmente em anos mais recentes, vem colhendo sucessivos e cada vez mais profundos arranhões em sua imagem externa no quesito ambiental.
E isso acontece, seja por razões óbvias materializadas na ausência de políticas afirmativas para o setor, adicionando-se a omissões em ações de fiscalização e prevenção; mas, sem dúvida, mais pela insistência do governo federal em manter-se na narrativa negacionista. Movimento que tende a isolar ainda mais o país e a transformá-lo em vilão ambiental.
Pronunciamentos feitos por Bolsonaro em eventos internacionais nessas duas últimas semanas tem provocado ondas de arrepios especialmente em dirigentes de empresas do agronegócio. E as percepções são unânimes de que o Brasil enfrentará barreiras crescentes no acesso de produtos da agropecuária no mercado internacional.
A ameaça feita na reunião do BRICs de revelar países que importam madeira ilegal do Brasil, por exemplo, foi literalmente um tiro no pé. Foi um reconhecimento explícito, uma confissão, de que a ilegalidade está, de fato e direito, do lado de cá.
Provocou reação imediata da Alemanha que passou a defender uma legislação europeia mais rigorosa, inclusive prevendo o fechamento do mercado, que conta com 27 países, para produtos tropicais produzidos em áreas de desmatamento. E nesse caso é bom lembrar que não se trata apenas da madeira, mas também de soja, milho, carne bovina e outros.
E a pressão no campo do clima vai aumentar com a saída de Trump. A designação de John Kerry para chefiar questões de clima já dá a direção e dimensão do que virá pela frente. Kerry, que já foi secretário de Estado, foi quem assinou o Acordo de Paris pelos Estados Unidos. Portanto, voltará a funcionar a “ponte” Washington – Paris, ou seja, EUA e Europa.
Como também é previsível que sejam retomadas as negociações em torno de acordo comercial entre as partes, até como provável resposta ao maior acordo comercial do mundo recentemente concluído, sob a liderança da China, que exclui os EUA e Europa. E o nosso Brasil como se posicionará nesse reordenamento de forças? Questão decisiva, inclusive para a retomada mais sustentável da economia.

Orlando Caliman

É economista. Analisa, aos sábados, o ambiente econômico do Estado e do país, apontando os desafios que precisam ser superados para o desenvolvimento e os exemplos de inovação tecnológica

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