O Instituto Jones dos Santos Neves divulgou recentemente a matriz de insumo-produto da economia capixaba, também chamada de matriz de Leontief, seu criador, referente ao ano de 2015. Ótima notícia para quem busca e deseja aprofundar-se em análises mais detalhadas de como se estrutura uma economia, especialmente nas suas interconexões internas e externas.
Mas, mais do que atender desejos e desafios, forças inerentes a um trabalho de análise, a referida matriz pode e deve ser utilizada como ferramenta adequada e recomendada no planejamento econômico, principalmente quando se busca identificar oportunidades de investimentos produtivos.
Wassily Leontief foi um economista russo que, ao se evadir da Rússia, adotou a cidadania americana em 1931. Curiosamente, e até paradoxalmente, foi lá que acabou aperfeiçoando a “ferramenta” que construiu, inicialmente pensada para ser aplicada em economias centralizadas, como a russa, mas que encontrou um campo fértil de aplicação em economias capitalistas.
Especificamente nos Estados Unidos, a matriz estrutural da economia americana construída por Leontief ajudou em muito no planejamento do esforço de guerra e desenvolvimento da economia. Leontief recebeu o Prêmio Nobel de economia pela sua obra em 1973.
Mas, afinal, como essa ferramenta poderá ajudar o Espírito Santo no direcionamento da sua política de desenvolvimento da sua economia? Primeiramente, a matriz permite visualizar e ao mesmo tempo mensurar graus de integração intersetoriais dentro e fora do seu território capixaba. Também possibilita identificar e quantificar elos de conexões de cadeias produtivas, em operações de compras de insumos e venda de produtos e serviços.
Em 2015, por exemplo, as atividades que compõem o setor de metalurgia, tendo como âncora a ArcelorMittal Tubarão, acionaram uma cadeia de valor, na compra de bens e serviços, composta por cerca de 39 produtos, que totalizou cerca de 10,4 bilhões de Reais, dos quais 60% no Espírito Santo.
A matriz capixaba estabelece conexões entre a produção final e intermediária de cerca de 81 produtos e 35 grupos de atividades, possibilitando ao final a construção da matriz de coeficientes técnicos de produção. Esta última oferece-nos a oportunidade de identificar e mapear assimetrias ou elos frágeis de cadeias produtivas. Informações importantes na orientação da política de desenvolvimento. Louvável trabalho do IJSN!